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Porto Alegre, segunda-feira, 13 de março de 2017. Atualizado às 22h39.

Jornal do Comércio

Panorama

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Exposição

Notícia da edição impressa de 14/03/2017. Alterada em 13/03 às 18h23min

Nova fase do projeto RS Contemporâneo examina o trabalho do curador

Projeto RS Contemporâneo centra foco no olhar do curador - acima, tela de Karin Lambrecht

Projeto RS Contemporâneo centra foco no olhar do curador - acima, tela de Karin Lambrecht


Reprodução/JC
Luiza Fritzen
O olhar do curador vira destaque neste ano na programação do Santander Cultural (Sete de Setembro, 1.028). Com a proposta de imergir no universo curatorial, o projeto RS Contemporâneo - Pensamentos Curatoriais abre hoje e inaugura um novo ciclo do programa, que almeja ampliar o discurso tradicional sobre mostra de arte. A visitação começa amanhã e segue até 30 de abril, de terça-feira a domingo, com entrada franca.
Em sua primeira edição neste formato, o projeto visa deslocar a análise artística, antes voltada ao artista como autor, e passa a examinar o trabalho do curador e seu domínio prático e profissional. Quem inaugura a proposta é o curador André Venzon, responsável por organizar as obras integrantes da coleção Justo Werlang, composta por peças exclusivas da artista Karin Lambrecht. Artista visual e gestor cultural, Venzon dirigiu o Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (2011-2014) - Macrs.
Expostos ao público pela primeira vez, os 103 trabalhos selecionados destacam as pinturas, que vão dos anos 1980 até a fase mais recente da artista, e desenhos. Também integram a coleção três grandes instalações e mais de 60 documentos, entre escritos da artista, esboços, estudos e aquarelas que revelam o processo de criação de Karin.
A escolha de Venzon se dá pelo caráter incomum que o colecionador imprimiu às suas aquisições, direcionando-as para oito artistas: Iberê Camargo, Xico Stockinger, Siron Franco, Nelson Felix, Daniel Senise, Karin Lambrecht, Mauro Fuke e Felix Bressan.
Para o curador, a coleção busca ampliar não apenas os limites da compreensão sobre a produção de cada artista, mas também desvendar a profunda percepção de seus processos artísticos. O conjunto de obras que cada artista assume na coleção é apontado pelo curador como diferencial da exposição, que simboliza também importante papel de resgate e memória desses artistas, oriundo de um simples exercício de acumular e colecionar, que muitas vezes é considerado um ato egoísta.
"Com esse projeto, temos o privilégio de desfrutar do trabalho que estava reservado a uma seção particular e agora se tornará público", afirma Venzon, que acredita ainda que a arte de colecionar - nesta exposição - representa um diálogo entre o colecionador e os artistas.
Intitulada Nem eu, nem tu: Nós - a obra de Karin Lambrecht e o olhar do colecionador, a mostra representa um caráter coletivo. Segundo Venzon, a coleção Justo Werlang almeja um olhar fora de si e propõe o desapego de um "eu" específico com o intuito de possibilitar a visão do todo, do entorno, do outro e do mundo. O título da mostra é proveniente de um enunciado escrito nos cadernos de Karin e a presença dos pronomes "tu", "eu" e "nós" escritos diversas vezes em algumas de suas pinturas que foram cobertos por novas camadas de pigmentos.
Com a missão de preservar o diálogo que as obras dispunham na casa do colecionador, Venzon fala sobre o trabalho de transformar uma percepção individual em algo coletivo. "Toda a coleção habita primeiro a casa do colecionador, na residência há um conjunto, um diálogo entre os artistas, que essas peças já tinham no olhar do colecionador."
Para isso, o curador explica como foram organizadas as peças nas paredes brancas do Santander. "As obras estão dispostas em diferentes alturas na tentativa de recriar esse universo mais particular que existe na casa do colecionador."
A porto-alegrense Karin Lambrecht já participou das 18ª, 19ª e 25ª edições da Bienal de São Paulo e da 5ª Bienal do Mercosul, em Porto Alegre. Ao trabalhar com pintura e escultura, a artista se caracteriza por materializar a abstração gestual da Geração 80 ao mesmo tempo em que faz referência à Arte Povera e a Joseph Beuys. Com pigmentos de cores vibrantes, ela aplica pinceladas gestuais amplas a telas feitas à mão, sem moldura, rasgadas e queimadas e, em alguns casos, também incorpora materiais orgânicos, como sangue animal, carvão, água da chuva e terra. 
Desde 2012, o projeto RS Contemporâneo estimula discussões culturais e artísticas. Em cinco edições, a iniciativa já apresentou 12 artistas e obras que foram observadas por curadores de outras regiões.
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