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Porto Alegre, segunda-feira, 13 de março de 2017. Atualizado às 22h39.

Jornal do Comércio

Economia

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CONSUMO

Notícia da edição impressa de 14/03/2017. Alterada em 13/03 às 21h09min

Saques de contas inativas do FGTS vão impulsionar as vendas no varejo

Foto de produtos em promoção no Assun , supermercados

Foto de produtos em promoção no Assun , supermercados


MARCO QUINTANA/JC
Adriana Lampert
Em tempos de "briga de foice" para atrair os consumidores, o varejo tem buscado cada vez mais oportunidades de impulsionar as vendas - que passaram por dois anos de queda - e não será diferente no período de saque de contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em todo o Brasil. No Rio Grande do Sul, onde cerca de 650 mil pessoas deverão receber o benefício (concedido através de medida do governo federal para amenizar os reflexos da crise na economia brasileira), algumas redes já iniciaram campanhas e ofertas para aproveitar a injeção de recursos no mercado.
Praticamente todos os itens de 60 lojas da Magazine Luiza, por exemplo, estão sendo comercializados com 10% a 20% de desconto, destaca o gerente regional de vendas da empresa, Giovane Konrath. "Estamos divulgando acirradamente a nossa campanha Aqui seu FGTS vale mais", comenta o gestor, pontuando que o departamento de marketing do grupo está totalmente voltado para esta oportunidade. "Desde o último fim de semana, quando iniciamos as ofertas, já vendemos bastante, a ponto do crescimento real de vendas chegar a 4% e 5% na sexta-feira e no sábado."
Dentre os produtos mais procurados, é possível encontrar descontos em lavadora de roupas, refrigeradores, conjunto estofados, e outros móveis e eletrodomésticos. "Iremos diversificar as ofertas enquanto ocorrer a movimentação financeira (até 31 de julho)", comenta Konrath. Na visão do presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul (FCDL-RS), Vitor Augusto Koch, o varejo será um dos grandes beneficiados com o saque do FGTS inativo.
Mas o dirigente observa que seu uso deverá ser 70% direcionado para quitação de dívidas, "já que o comércio é um dos setores para o qual a população mais deve". "Claro que a compra de bens de consumo também vai impulsionar a economia e dar um novo ânimo para os lojistas", completa Koch.
O diretor comercial da Ferragem Thony, Sergio de Oliveira, opina que ainda é "muito cedo" para se ter ideia do verdadeiro impacto que a injeção destes recursos deverá causar no setor. "O endividamento está grande, e creio que somente depois que pagarem as contas é que as pessoas irão começar a comprar, principalmente no caso de material para construção civil e ferragem." Ainda assim, a empresa irá investir em ofertas. "Costumamos fazer isso todo mês, e seguiremos ofertando. Mas não acredito que haverá acréscimo de vendas", pondera Oliveira. Este mês, os descontos da Ferragem Thony devem se focar em produtos de piscina, tintas, e lâmpadas de Led (estas com descontos de 10% a 25%).
O ramo de supermercados também está atento à possibilidade de aumentar as vendas com o ingresso de recursos do Fundo. "Nosso foco será fazer as promoções", resume o diretor da Rede Assun de supermercados, Antonio Ortiz. "Estamos, sim, fazendo trabalhos pontuais frente à possibilidade de uso do dinheiro das contas inativas do FGTS." No fim de semana, os consumidores da empresa já puderam aproveitar os descontos de 10% de todos os produtos da cesta básica.
"As vendas estão aumentando, e o pessoal está procurando mais alimento, e estão levando os produtos com preço mais baixo, até para estocar." Sinal de que a campanha deu certo foi o crescimento de vendas entre 6% e 7% nas lojas da Rede Assun. Além de leite, arroz, açúcar, sabão em pó, também bebidas como cerveja, e produtos de bazar, como minigrill, liquidificadores, varais e lâmpadas estão em oferta. "Mas os itens irão variar a cada semana", informa Ortiz, destacando que a campanha irá priorizar os descontos para alimentos.
 

Medidas devem injetar R$ 48 bi na economia do País

O Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão divulgou ontem que estima que medidas relacionadas ao uso do FGTS injetarão R$ 48,2 bilhões na economia brasileira em 2017, com um impacto de aproximadamente 0,7 ponto percentual sobre o Produto Interno Bruto (PIB).
Segundo o Planejamento, o saque das contas inativas do fundo, o aumento do limite para compra de imóvel com uso do FGTS e a atualização de parâmetros para o Programa Minha Casa Minha Vida terão impacto sobre o consumo das famílias. A exceção é o uso dos recursos para pagamento de dívidas imobiliárias.
De acordo com levantamento da Secretaria de Planejamento e Assuntos Econômicos do ministério, o FGTS "se mostra sustentável tanto em termos de liquidez no curto prazo quanto em termos de solidez no longo prazo sob o ponto de vista da administração de ativos e passivos".
O economista da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL Porto Alegre), Victor SantAna, ressalta que "ainda não se tem dados para saber o volume de dinheiro que será liberado para o Rio Grande do Sul". Mas frisa que além de pagar as contas vencidas ou inadimplentes, os beneficiados ainda terão outra alternativa além de consumir. "Pode ser que algumas pessoas prefiram investir o dinheiro para dar uma melhorada no planejamento financeiro", justifica.
Na visão de SantAna, seja como for, e ainda que não seja totalmente utilizado para consumo direto, o dinheiro que deverá circular no mercado irá gerar vendas mais adiante. "Se as pessoas vão estar limpando o nome para melhorar o fluxo de caixa, aumenta a possibilidade de consumir nos próximos meses."
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