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Porto Alegre, sexta-feira, 08 de setembro de 2017. Atualizado às 18h35.

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teatro

Notícia da edição impressa de 08/09/2017. Alterada em 06/09 às 17h22min

Agreste, um espetáculo teatral para quebrar estereótipos

Encenada por Juan Alba e João Carlos Andreazza, Agreste tem sessões no Theatro São Pedro

Encenada por Juan Alba e João Carlos Andreazza, Agreste tem sessões no Theatro São Pedro


JOÃO CALDAS/JOÃO CALDAS/DIVULGAÇÃO/JC
Luiza Fritzen
Ignorância, preconceito e amor incondicional são os temas centrais da montagem Agreste, que volta a Porto Alegre neste fim de semana. Em duas apresentações, sábado, às 21h, e domingo, às 18h, o espetáculo é encenado no palco no Theatro São Pedro (Praça Marechal Deodoro, s/nº), com ingressos de R$ 50,00 a R$ 100,00.
Com texto do dramaturgo pernambucano Newton Moreno, a montagem da Companhia Razões Inversas já recebeu os prêmios da Associação Paulista dos Críticos de Artes (APCA) de Melhor Espetáculo e Melhor Texto e o Prêmio Shell de Melhor Autor. A principal mudança é na atuação. Juan Alba assume o papel que era de João Carlos Andreazza, ao lado de Paulo Marcello. A troca de atores é vista de forma positiva pelo diretor da peça, Marcio Aurelio: "Juan simboliza a renovação do espetáculo, mexe internamente na obra e a deixa viva".
Os dois atores assumem diversos personagens ao longa da peça e interpretam um casal de lavradores, Maria e Etevaldo, que vivem no sertão nordestino e precisam fugir para viver seu amor. O fluxo da história muda quando a esposa fica viúva e os habitantes do lugarejo descobrem, ao preparar o enterro do marido, que ele não era um homem. Abalada pela perda, Maria precisa lidar também com a reação das pessoas, o preconceito e intolerância que se revelam a partir da descoberta.
Luzes e sombras ajudam a criar a ambientação ao lado da cerca e do varal com panos pendurados para criar a ambientação do cenário minimalista criado por Marcio Aurelio. Centrado no texto e na performance dos atores, o diretor se inspira no trabalho do artista cênico alemão Joseph Beuys em seu conceito de esculturas sonoras e no uso de ternos de feltros nos figurinos. A influência busca desmistificar as referências do público e o lugar comum do nordestino com roupas claras e leves. Aurelio explica que o feltro é como uma embalagem que preserva o organismo como se ele fosse uma relíquia, característica que amplia o discurso da peça.
Para Aurelio, Agreste não é um espetáculo de ilustração, ele não entrega tudo pronto ao público, é uma obra de investigação, que instiga o espectador a recriar a história em seu imaginário. "Ele vai sugerindo coisas para o espectador que monta a história a partir da narrativa, o que estimula o espectador a abrir seu universo para o universo da peça, que é o jogo do teatro", explica.
Considerado um manifesto poético, 13 anos após sua estreia, o tema da peça segue atual. O espetáculo se situa em um contexto social no qual o discurso hegemônico é heteronormativo, ou seja, a única forma de relação considerada normal é aquela que ocorre entre um homem e uma mulher. O conservadorismo do grupo social representado no palco não se restringe a região que dá título à montagem.
Apesar dos avanços sociais dos últimos anos, o relacionamento entre duas pessoas do mesmo sexo é considerado crime em mais de 70 países - em oito deles, a punição para quem tem uma relação homoafetiva é a morte. Segundo dados do Grupo Gay da Bahia, só em 2016, 343 LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) foram assassinados no Brasil. O estudo aponta ainda que, a cada 25 horas, um LGBT é barbaramente assassinado vítima da "LGBTfobia", crimes motivados pelo preconceito a essa população.
Sobre a importância de abordar o tema, Aurelio aponta que essa é uma das funções do teatro. "O cotidiano exige que o teatro investigue sobre temas de necessidade imediata, de médio e longo prazo e mexer com isso na cabeça das pessoas", afirma.
Assistido por mais de 300 mil espectadores, Agreste participou como espetáculo convidado no Festival de Teatro a Mil em Santiago do Chile em 2005, do Brasil em Cena em Berlim, Alemanha em 2006 e da Programação do Ano do Brasil em Portugal na cidade do Porto em 2013.
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