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Porto Alegre, sexta-feira, 08 de setembro de 2017. Atualizado às 17h39.

Jornal do Comércio

Panorama

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Teatro

Notícia da edição impressa de 06/09/2017. Alterada em 05/09 às 18h24min

Espetáculo Palco Babylonia usa o humor para discutir a cultura brasileira

Heloísa Palaoro, Néstor Monasterio e Fernando Waschburger atuam na peça Palco Babylonia

Heloísa Palaoro, Néstor Monasterio e Fernando Waschburger atuam na peça Palco Babylonia


JOÃO RICARDO/DIVULGAÇÃO/JC
Michele Rolim
Responsáveis por um dos maiores fenômenos de público do teatro gaúcho, Homens de perto e Inimigas íntimas, o diretor Néstor Monasterio e o dramaturgo Artur José Pinto repetem a dobradinha em novo trabalho. O espetáculo Palco Babylonia estreia com sessões de quinta-feira a domingo, às 20h, no Centro Histórico-Cultural Santa Casa (Independência, 75), até o dia 17 de setembro.
Desta vez, Monasterio está também no palco como ator, ao lado da atriz Heloísa Palaoro que já trabalhou com ele nos espetáculos Que raio de professora sou eu, O pequeno príncipe e Romeu & Julieta. Completa o elenco Fernando Waschburger, que também já foi dirigido por Monasterio no espetáculo Romeu & Julieta.
Esse novo espetáculo propõe um encontro entre personagens como o filósofo Sócrates, Noé e sua arca, Rainha Isabel e Pedro Álvares Cabral, além de senadores gregos e um índio argentino.
Apostando em um teatro que dialogue com um número maior de pessoas e no gênero da comédia, a nova peça busca discutir à formação da moral, ética e política do povo brasileiro. "Todo dia, quando ligamos o smartphone, abrimos o jornal ou sintonizamos uma rádio, somos atropelados por temáticas que precisam ser representadas no palco. Estamos passando por tempos difíceis, e rir de nós mesmos, zoar de figuras da nossa República, também é uma forma de refletirmos sobre as questões que são colocadas pela dura realidade que nos atropela", comenta Monasterio.
Segundo Artur José Pinto, todos os personagens têm relação, de uma forma ou outra, com a cultura brasileira. "Deus e os dogmas da religião, a Grécia antiga e a Corte portuguesa estão umbilicalmente ligados ao que somos hoje. Eles servem como pano de fundo para discutirmos a nossa política, as nossas relações enquanto sociedade", afirma o autor, lembrando que o público não deve buscar entender a peça de forma linear como uma narrativa encadeada.
No entanto, os atores alertam que não existe a pretensão de definir a formação da moral, ética e política do povo brasileiro. "Preferimos levantar o tapete, e as pessoas que formem as suas concepções. Nos assusta um pouco quando sentimentos que sectarismo, perseguição ideológica e até mesmo xenofobia ganham corpo, não só aqui no Brasil, mas no mundo", destaca a atriz Heloísa Palaoro.
O ator Fernando Waschburger completa: "Vivemos uma sociedade com uma democracia ainda imatura, onde nós artistas, comediantes, sofremos uma concorrência desleal de Brasília. Nós temos autorização do público para 'mentir'. Cobramos ingresso para dar vida a outros personagens. Eles acham que os votos os autorizam a ludibriar sem constrangimento por quatro anos no mínimo. Precisamos escolher melhor quem nos representa e respeitar os mandatos".
O desafio de texto, direção e atores que escolheram trabalhar com o gênero da comédia é a utilização do riso, sem fazer uso de signos que reforçam preconceitos e estereótipos e também sem tolher a liberdade de pensamento. "Se formos fazer uma piada tendo que ressalvar todas as possibilidades de que alguém possa se sentir atingido, é melhor ficar em casa. Se pisarmos na bola, não nos condenem, somos apenas palhaços fazendo graça", sugere Monasterio.
Palco Babylonia
  • No Centro Histórico-Cultural Santa Casa (Independência, 75), de quinta a domingo, às 20h, até 17 de setembro de 2017.
  • Os ingressos R$ 50,00 (inteira) e R$ 25,00 (meia-entrada) e R$ 40,00 (antecipados que podem ser adiquiridos no Entreato Pub - Rua da República, 163).
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