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Porto Alegre, domingo, 06 de maio de 2018.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Opinião

Notícia da edição impressa de 07/05/2018. Alterada em 04/05 às 19h16min

Os jovens empreendedores do interior gaúcho

ARQUIVO PESSOAL/DIVULGAÇÃO/JC
Matheus Felizola
Quando da promulgação da Constituição de 1988, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tratava a divisão geográfica por microrregiões a partir do critério dos municípios limítrofes, a ideia era possibilitar a integração e organização, bem como um planejamento de funções públicas de interesse comum. O Rio Grande do Sul contava, até 2017, com 497 municípios, sete mesorregiões e 35 microrregiões. Essa divisão foi modificada pelo próprio IBGE no ano passado, quando da criação do critério da região geográfica imediata. Agora, os municípios possuem um centro urbano local como base, levando em consideração fatores como dependência e necessidade de deslocamento para a compra de produtos, serviços e trabalho. A partir desse novo critério, o Rio Grande do Sul continuou evidentemente com os seus 497 municípios e 43 regiões geográficas imediatas.
Nesse novo critério, adotado em 2017, a região imediata de Tramandaí-Osório possui 10 cidades, enquanto a região imediata de Torres ficou com sete. Cidades como Capivari do Sul, Caraá, Mostardas, Palmares do Sul, Santo Antônio da Patrulha e Tavares agora fazem parte da região imediata de Porto Alegre. Ainda e especificamente na "antiga" microrregião de Osório, cidades com potencial turístico aproveitado como Capão da Canoa, Imbé, Torres e Tramandaí, cidades como potencial turístico sendo descoberto como Caraá, Maquiné, Mostardas e Tavares, cidades com o parque industrial mais desenvolvido como Santo Antônio da Patrulha ou na área de serviços como Osório estavam juntas de cidades com potencial de agricultura como Itati, Terra de Areia, Três Cachoeiras e Três Forquilhas. Portanto, é preciso é preciso entender que a  leitura envolve jovens habitantes de 23 cidades correspondentes à antiga microrregião de Osório e com realidades bem diferentes.
Inicialmente, é preciso voltar nossa atenção para entidades que normalmente promovem o empreendedorismo no Brasil, o Sebrae desponta como a mais citada pelos jovens das 23 cidades pertencentes a microrregião de Osório, em paralelo, são citadas as atuações de algumas prefeituras, principalmente nas suas secretarias de Desenvolvimento Econômico ou Planejamento e com as Salas do Empreendedor que existem em cidades como Cidreira, Capão da Canoa, Santo Antônio da Patrulha, Torres e Tramandaí. Entidades importantes, como associações comerciais, câmaras do comércio, Sindilojas e outras entidades participativas, são lembradas pelos jovens entrevistados, embora muitos não façam parte dessas instituições. Outro traço cultural importante, é a atuação das cooperativas que são bastante atuantes em cidades como Itati, Terra de Areia, Três cachoeiras e Três forquilhas, sendo fundamentais para organizar os objetivos estratégicos de jovens que começam a assumir um papel importante dentro da produção rural familiar e que interpretam o empreendedorismo, como uma forma de aumentar a potencialidade da sua produção, abrindo assim caminhos para novos mercados.
Os jovens entrevistados demonstram que aprenderam as práticas de gestão de maneira intuitiva ou a partir da experiência adquirida trabalhando com os seus pais ou empregadores, não possuem quase nenhuma leitura sobre modelos de negócios, gestão ou produtividade, não costumam buscar conhecimento através das novas mídias, não têm mentores que sirvam de exemplo na atividade empreendedora, normalmente não utilizam sistemas de gestão, têm dificuldades de mensurar seus resultados e praticam atividades de divulgação sem qualquer planejamento. Na verdade, sobre esse último aspecto, praticamente em todas as entrevistas realizadas, a palavra "planejamento" passa muito longe da realidade destes jovens empreendedores.
Ao mesmo tempo que aponto as deficiências, é importante ressaltar, que muitos destes jovens são oriundos de famílias com baixa escolaridade e condição econômica e muitas vezes são os primeiros empreendedores da família, além disso, esses jovens conseguem gerar empregos e mesmo sem planejamento ou práticas modernas de gestão conseguem permanecer nas cidades mantendo seus negócios funcionando e gerando arrecadação para o município.
A questão da permanência nos municípios, é muito importante, pois é muito comum na região o fluxo migratório de jovens que buscam oportunidades de emprego em cidades maiores do Rio Grande do Sul ou de Santa Catarina. Esse fator, demonstra o quanto o empreendedorismo dos jovens da região é motivado pela necessidade, pois os jovens em geral, são casados com filhos, com pouca escolaridade e com experiências anteriores como funcionários de empresas privadas e não encontraram nas cidades investigadas, condições que permitissem uma ascensão profissional e consequentemente financeira.
Para futuro, é preciso que as entidades com atuação no mundo empresarial e as prefeituras criem planos de desenvolvimento integrados pensando no DNA empreendedor de cada cidade, ou seja, respeitando as matrizes econômicas, mas também inovando com negócios disruptivos. Para os jovens empreendedores, é preciso além de organizar sua gestão, também pensar estrategicamente se associando as entidades que apoiam o empresariado e cobrar da esfera púbica ações que potencializem os municípios. O caminho é longo, mas os jovens entrevistados têm energia e vontade para transformar seus munícipios.
Professor da Universidade Federal de Sergipe (UFS) e pós-doutorando na Universidade Federal do Rio Grande do Sul
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