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Porto Alegre, segunda-feira, 09 de abril de 2018.

Jornal do Comércio

Opinião

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EDITORIAL

Notícia da edição impressa de 09/04/2018. Alterada em 08/04 às 21h27min

A ascensão e queda de um líder popular brasileiro

O bom senso jurídico-policial e do paciente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), condenado e tendo seus recursos negados, conseguiu arrefecer os ânimos exaltados dos que não o toleram e daqueles que, ao contrário, o seguem.
Houve, pelos simpatizantes do ex-presidente, a tese sobre um obscuro complô entre os poderes da República, Ministério Público Federal, Polícia Federal, delatores e a mídia para incriminá-lo. Mídia, aliás, que pediu e prometeu, quando possível, regulamentá-la, ou seja, de fato, aplicação de censura.
Porém a prática da atuação e visitas ao agora tristemente famoso triplex de Guarujá (SP), destinado para ele, segundo delação de dirigentes da empreiteira OAS, desmentiram a teoria da conspiração de que tudo visava tão somente impedir a candidatura de Lula da Silva à presidência da República.
Esta, aliás, uma possibilidade que a legislação e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) poderão barrar, algo quase certo, segundo juristas.
No entanto, justamente as eleições deste ano é que poderão mudar o atual viés de desencanto com a política. Os brasileiros devem usar, aí sim, a arma que têm, o voto, para escolher aqueles que julgam que farão o melhor trabalho em prol do seu estado ou do País.
A página, de fato, está virada. A Justiça atuou, mesmo que para os brasileiros em geral, a última semana se transformou, via mídia, em uma troca de enunciados jurídicos que mostraram, pela enésima vez, que os nossos códigos penais têm que ser enxugados e neles colocadas apenas margens razoáveis de recursos, prazos e instâncias.
Mas, dentro do vigente ordenamento jurídico, a lei foi cumprida. Não há como negar que os ritos processuais foram aplicado corretamente, gostemos ou não do resultado.
Personalidades do mundo jurídico, político e empresarial disseram que havia dois sentimentos em relação à prisão do ex-presidente. O primeiro, o de que a Justiça está funcionando e de que o Estado Democrático de Direito prevalece no Brasil, pois ninguém está acima da lei, por mais alto que chegue na vida. O outro, de um certo desencanto, pois um ex-presidente da República - que assumiu o posto e nele ficou por oito anos, tendo como bandeiras o combate à corrupção e minorar a exclusão social - acabou enredado em teias de corrupção que desviaram bilhões dos cofres públicos. A Petrobras foi a estatal mais visada e que teve perdas bilionárias diretas e com indenizações no exterior.
No processo que o levou à prisão, o ex-presidente sucumbiu no Direito Penal, com a distinção do crime, do propósito, do ímpeto, do acaso, do erro, da culpa leve, do simples dolo ao dolo mau, enquadrado em todos.
E, ao contrário do divulgado, repete-se que não houve complô contra o ex-presidente, eis que há ex-ministros seus presos, além de políticos de outros partidos. Ao citar esse ou aquele parlamentar que não está preso, não se pode esquecer que senadores e deputados federais têm que ter o aval dos seus pares para serem processados. É a lei.
Lula da Silva foi esmagado pelo escândalo da Odebrecht e a corrupção sistêmica, que se tornou a maneira corriqueira de fazer política e praticar negócios no governo do Brasil. De ascensão como metalúrgico até a presidência da República, o agora preso Luiz Inácio da Silva simboliza a ideia de que o sonho com viés esquerdista terminou mal.
Mas Lula da Silva preso será o assunto que renderá ainda muito trabalho na Justiça e, mais ainda, no cotidiano de todos nós, contrários a ele ou seus adeptos.
A volta à normalidade será o indicativo do amadurecimento das instituições nacionais.
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