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Porto Alegre, quarta-feira, 09 de maio de 2018.

Jornal do Comércio

JC Logística

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Aviação

Notícia da edição impressa de 10/05/2018. Alterada em 09/05 às 18h31min

Infraero planeja licitar 30 áreas comerciais

Dois projetos já foram licitados, um deles, uma área de 3,5 mil metros quadrados no aeroporto de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro

Dois projetos já foram licitados, um deles, uma área de 3,5 mil metros quadrados no aeroporto de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro


/DIEGO BARAVELLI/DIVULGAÇÃO/JC
Buscando engordar suas receitas comerciais, a Infraero planeja licitar, em 2018, dezenas de áreas comerciais externas nos aeroportos de sua rede. Para dar início ao plano, a estatal mapeou 30 espaços em 17 terminais aeroportuários, onde poderão ser instalados empreendimentos como hotéis, supermercados, universidades e lojas. "Mas há áreas disponíveis nos 54 aeroportos sob administração da Infraero. Esses 30 que elencamos são os projetos que, segundo nossa análise, estão mais maduros, têm um apelo comercial maior", afirma o superintendente de Negócios em Áreas Externas e Serviços Aéreos da estatal, Bruno Basseto.
Os 30 espaços externos, que variam de 3 mil a 85 mil metros quadrados, se concentram principalmente em aeroportos com localizações estratégicas, em regiões centrais ou próximos de grandes rodovias. Alguns possuem vocação específica, como os destinados a hangares, que têm acesso a pista de pousos e decolagens. Mas a maioria das áreas pode ser moldada de acordo com o interesse do potencial investidor, seja quanto à natureza do empreendimento (megalojas, postos de gasolina, concessionárias de veículos, hotéis, entre outros), ou quanto ao tamanho da área ocupada.
Embora o mercado esteja mais familiarizado com oportunidades comerciais dentro dos terminais, Basseto garante que há grande demanda pelos espaços externos, que contam com facilidades logísticas e de segurança. Ele destaca que dois dos 30 projetos já foram licitados e estão em fase de assinatura dos contratos: uma área de 3,5 mil metros quadrados no Aeroporto de Jacarepaguá (RJ) e outro lote de 28 mil metros quadrados em Manaus (AM), ambos destinados a atividades comerciais (escritórios).
Para trazer investidores aos espaços, a Infraero tem ido a campo e frequentado feiras setoriais tanto no Brasil quanto no exterior. Neste ano, a estatal esteve presente na feira de logística Intermodal, na convenção da Abad, de atacadistas e distribuidores, e pretende comparecer à Equipotel, do setor de hotelaria. "O mercado recebeu muito bem, de forma bastante positiva, principalmente as oportunidades nos principais aeroportos: São Paulo, Rio, Goiânia, Recife e Curitiba", comentou o superintendente.
As conversas estão mais avançadas para alguns dos projetos previstos para o ano. Mas o portfólio é "dinâmico", afirma Basseto: se um investidor se interessar por outra área, ainda não mapeada, a licitação pode entrar nos planos da Infraero.
Com esses 30 espaços licitados, a estatal espera encerrar 2018 com uma ocupação comercial externa de aproximadamente 6 milhões de metros quadrados, um aumento de 400 mil a 500 mil metros quadrados em relação a 2017. Já as receitas com contratos comerciais ultrapassariam R$ 420 milhões, cifra 8% maior que a do ano passado.
Na lista da Infraero, há terminais em todas as regiões do País. No Sudeste, há oportunidades nos aeroportos de Congonhas (SP), Campo de Marte (SP), Santos Dumont (RJ), Jacarepaguá (RJ), Pampulha (MG) e Montes Claros (MG). No Sul, as áreas disponíveis estão em Curitiba (PR), Foz do Iguaçu (PR) e Navegantes (SC). No Centro-Oeste, há projetos já mapeados em Goiânia (GO) e Campo Grande (MS). No Norte, foram contemplados os aeroportos de Belém (PA), Marabá (PA), Manaus (AM) e Macapá (AP). Por fim, completam a relação os terminais nordestinos de São Luis (MA) e Teresina (PI).
De acordo com o porta-voz da estatal, a aposta da Infraero em expandir seus contratos não entra em conflito com os planos futuros do governo para a estatal. "O trabalho que a Infraero está fazendo vai gerar contratos, e mesmo que esses aeroportos venham a ser tratados de uma nova maneira pelo governo, esses contratos são instrumentos legais, válidos e serão sub-rogados pelo novo operador privado", afirma.
Na avaliação de Fabio Falkenburger, sócio de Infraestrutura e head da área de aviação do escritório Machado Meyer, o mercado pode ver com bons olhos essas ações da Infraero em terminais que poderão ser eventualmente concedidos à iniciativa privada. "É melhor já assumir o aeroporto com uma receita pré-determinada, fixa - desde que em parâmetros e condições boas - do que ter um monte de espaços ociosos que você terá que ir atrás de locatários." Ele aponta, porém, que essas licitações não devem afetar de forma relevante a atratividade desses ativos em uma potencial concessão.

Latam se movimenta para criar aérea de baixo custo

A Latam está se movimentando juridicamente para eventualmente lançar uma aérea de baixo custo, informou o presidente do Conselho de Administração da empresa, Ignacio Cueto. Em entrevista ao jornal chileno El Mercurio, Cueto admitiu que a Latam enviou uma carta de intenções à Direção Geral da Aeronáutica Civil (DGAC), regulador da aviação chilena, para criar uma nova companhia, mas ressaltou que não há um prazo para que isso aconteça. A Latam já teria solicitado um certificado de operador aéreo (AOC, na sigla em inglês) à DGAC.
"É necessário ter as ferramentas para que, à medida que vamos definindo o que fazer no futuro, possamos contar com elas. Se amanhã decidirmos que é necessário criar uma nova linha aérea, talvez seria irresponsável não ter avançado", disse Cueto ao jornal.

Demanda aérea doméstica sobe 1,9%

A demanda por transporte aéreo doméstico (medida em passageiros-quilômetros pagos transportados, ou RPK) cresceu 1,9% em março ante igual mês de 2017, informou a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Com isso, o indicador encerrou o primeiro trimestre de 2018 com alta de 3,4% frente ao observado um ano antes.
Já a oferta de assentos (assentos-quilômetros ofertados, ou ASK) aumentou 0,5% em março na base de comparação anual, mantendo a tendência de crescimento pelo nono mês consecutivo. No acumulado de janeiro a março, o indicador registrou expansão de 2,2% em relação ao primeiro trimestre de 2017.
A taxa de aproveitamento em voos domésticos atingiu 80,1% em março ( 1,4% na base anual), nível recorde para o mês na série histórica, iniciada em 2000. Nos primeiros três meses do ano, a taxa ficou em 81,9%, com variação positiva de 1,1% em relação a igual intervalo de 2017.
A Gol permaneceu na liderança no mercado doméstico, com 34,1% de participação - uma queda de 2,6% frente ao verificado em março de 2017. Em seguida, vem a Latam, com 33,1% de share de mercado ( 0,5% na base anual). A Azul alcançou participação de 18,3% no período, enquanto a Avianca respondeu por 14,1%.
Por sua vez, o transporte doméstico de carga paga e correio alcançou 40,49 mil toneladas em março, correspondendo a uma alta de 14,1% ante igual mês de 2017. No primeiro trimestre de 2018, o indicador acumulou crescimento de 11,0%, com um total de 104,7 mil toneladas.
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