Sem planejamento se gasta mais e se gasta mal e é fato que isso está acontecendo em Porto Alegre pela ausência de um “Projeto de Cidade”. Acompanhamos pelos jornais as notícias sobre o “reajuste” dos valores das “obras da Copa” na Capital. Em conjunto, o aumento foi de 65% para oito obras previstas para Porto Alegre, todas estas relacionadas à questão viária. Qualquer cidadão, mesmo que leigo na área da construção, chega facilmente à seguinte indagação: se antes de começar as obras algumas já custam o dobro, então, quanto custará no final a execução desta obra? A falta de planejamento e a falta de integração entre as propostas; o foco exclusivo na questão viária; a pressa para realizar “qualquer coisa” para a Copa; os projetos apressados, equivocados ou mal elaborados contratados “notoriamente” ou, muito pior, “doados” pelos empreiteiros ou futuros concessionários dos serviços; a inexistência de participação efetiva da sociedade nas discussões anteriores aos projetos; e a arrogância e prepotência de alguns setores da administração são alguns dos motivos que justificam os diversos “reajustes”.
Por outro lado, paradoxalmente, o mundo inteiro derruba viadutos enquanto Porto Alegre constrói (e ainda parecem equivocados, feios e desnecessários). Algo está errado? Ou com o mundo ou com Porto Alegre? Tentamos (mal) copiar os resultados de sucesso, ou os “cases da moda” como as pontes estaiadas, sem entender que estes bons resultados, em outras cidades, são fruto de um processo inteligente de participação e planejamento efetivo realizado por toda a sociedade, técnicos, administradores e agentes organizados. Não precisamos ser arquitetos e urbanistas para nos darmos conta da importância de Porto Alegre construir um “Projeto de Cidade”, como fizeram os municípios que se desenvolveram com qualidade nas últimas décadas.
Presidente do Instituto de Arquitetos do Brasil/RS