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Cinquenta tons de cinza, da londrina E.L. James, já vendeu 20 milhões de exemplares só nos EUA
De fanfiction (ficção criada por fãs a partir de obras de outros autores) a best-seller mundial. Com status de maior fenômeno editorial dos últimos anos, Cinquenta tons de cinza (Intrínseca, 480 págs.) chega hoje ao Brasil em formato impresso (R$ 39,90) e e-book (R$ 24,90). Primeira parte de uma trilogia escrita pela estreante E.L. James, o livro acompanha um romance repleto de sadomasoquismo e ganhou a alcunha de “pornô para mamães”.
A protagonista é Anastasia Steele, uma estudante de Língua Inglesa de 21 anos. Quando a amiga com quem divide moradia adoece e não pode realizar uma entrevista para o jornal da universidade, Anastasia vai em seu lugar. Virgem, inocente, insegura e sem interesse prévio por nenhum homem - tampouco por mulheres -, ela se surpreende com o encanto do entrevistado.
Nos poucos minutos em que estão juntos, Christian Grey, um multimilionário apenas um pouco mais velho do que a garota, mostra-se arrogante, controlador e curioso a respeito da vida da jovem. Ao mesmo tempo fascinada e intimidada (“nenhum homem devia ser tão bonito”, pondera), à medida que se encontra outras vezes com o magnata ela logo recebe a oferta de um contrato para um relacionamento nada convencional: Grey é um dominador e quer que Ana seja sua submissa. Dentre as excêntricas cláusulas apresentadas, estão inclusos itens como manter fidelidade, fazer exercícios físicos, e, principalmente, o dever de obedecer aos desejos sexuais de seu amo - com punições para as transgressões.
A partir daí, E.L. James dá margem para o drama existencial da personagem. Se por um lado sua consciência imaculada indica que ela poderia considerar-se uma prostituta, por outro Anastasia fica satisfeita por conhecer um lado seu que até então não sabia que existia - no início da obra, ela não nunca havia nem se masturbado. Tudo isso, claro, somado ao fato de a protagonista estar apaixonada.
Já o apelido pejorativo deve-se à descrição da intimidade do casal. Sempre narrada sob a ótica de Anastasia, sua inocência reflete-se no vocabulário utilizado. E. L. James utiliza “ali” e “lá embaixo” para referir-se ao órgão sexual da personagem, independentemente do grau da situação em que está envolvida, por exemplo. Enquanto isso, embora tenha suas preferências incomuns, Christian Grey passa longe do estereótipo de depravado vulgar. O ricaço mantém a elegância (ou breguice), chamando a protagonista tanto de srta. Steel quanto de baby, a educação (ao menos quando possível), e o mistério a respeito de sua história e personalidade - que varia em “cinquenta tons”.
Sucesso vampiresco
Ex-executiva de televisão, casada e com dois filhos, E.L. James foi eleita pela revista Time uma das 100 pessoas mais influentes do mundo. Começou na literatura sob um pseudônimo, escrevendo uma série de capítulos chamada Mestre do universo, baseada na dependência que Bella tem de Edward na trilogia Crepúsculo, e o resultado é Cinquenta tons. A partir do interesse de editoras, a trama foi repensada para uma série de livros eletrônicos, que logo ganhou versão física.
A trilogia representa 75% do mercado americano de ficção adulta, com 20 milhões de exemplares vendidos desde março nos Estados Unidos - movimentação que gerou direitos de publicação comprados por 41 países. No Brasil, o frenesi está se repetindo: a Intrínseca lança o primeiro volume com uma tiragem inicial de 200 mil exemplares - sendo que 70% deste número já foram adquiridos pelo público em pré-venda.
Cinquenta tons mais escuros, o segundo livro, chegará às livrarias em 15 de setembro, e Cinquenta tons de liberdade, o terceiro, em 1 de novembro. Todos os três títulos serão adaptados para o cinema pela Focus Features, da Universal Pictures. Os direitos para levar a vida dos protagonistas Anastasia Steel e Christian Grey para as telonas foram comprados por US$ 5 milhões.