Dois advogados do RS estarão na linha de frente da defesa de alguns dos principais réus do mensalão. Natural de Estrela, Luciano Feldens representará o publicitário Duda Mendonça e sua sócia Zilmar Fernandes Silveira. E o pelotense Luiz Francisco Corrêa Barbosa - ex-oficial do Exército, ex-delegado de polícia, ex-juiz estadual e ex-prefeito de Sapucaia do Sul (RS) - buscará a absolvição do ex-deputado Roberto Jefferson.
Feldens tem 12 anos de experiência como procurador da República, professor da pós-graduação em Ciências Criminais da PUCRS, aos 42 anos fará as defesas auxiliado por Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, advogado-celebridade na CPI do Cachoeira por representar o ex-senador Demóstenes Torres e o governador de Goiás, Marconi Perillo.
Barbosa, 68 anos, adepto de frases de efeito, promete apontar o ex-presidente Lula como um dos mentores do mensalão, além de criticar a atuação da Procuradoria-Geral da República, chamada por ele de “zaga do governo”.
Diferenças entre “houve” e “ouve”
Outras coisas se eternizam. “O juiz julga pelo que houve, não pelo
que ouve” - disse, em 1930, Kalil Gibran Kalil (1883/1931), ensaísta,
filósofo, prosador, poeta, conferencista e pintor de origem libanesa,
cujos escritos, cheios de profunda e simples beleza e espiritualidade,
alcançaram a admiração do público de todo o mundo.
Espera-se que a
máxima seja confirmada pelo STF, 79 anos depois, no julgamento do
mensalão, que começa na quinta-feira (2) e pode terminar quatro semanas
depois (dia 30).
A matemática do mensalão
Os números dão conta do ineditismo na história da Justiça brasileira. O processo é formado por quase 60 mil páginas, encartadas em 234 volumes e mais de 500 apensos. São 38 réus, denunciados por 98 crimes, defendidos por 33 equipes de advogados.
Cada um dos onze ministros do STF dará seu veredito sobre, uma a uma, as 98 acusações. Na prática, serão proferidas em um só julgamento 1.078 decisões. (AP nº 470)
Definição
O tempo passa, e, com ele, alguns costumes mudam. A língua, atenta, acompanha o vaivém da sociedade: uma das novidades é mensalão. O Aurélio só registra o trissílabo a partir da edição de 2010: “Esquema de propina, ou propina paga mensalmente a políticos que votem a favor dos governistas, ou que os favoreçam”.
Assim, todo e qualquer político ou operador que participou do lamaçal também ganhou nome. É mensaleiro!
“The god”
O mensalão, na reta final, deve aquecer o mercado de advogados. É difícil saber quanto vão embolsar, no total, os mais de 100 profissionais, de 33 bancas advocatícias diferentes, envolvidos no julgamento.
Defensor do Banco Rural no caso, um dos maiores honorários deve ser, naturalmente, de Márcio Thomaz Bastos, que, como se sabe, cobrou R$ 15 milhões para defender Cachoeira.
O ex-presidente da OAB nacional e ex-ministro da Justiça já está sendo chamado de “The god” por muitos de seus admiradores.
“The world we knew”
A ministra Cármen Lúcia, do STF, tentou diversas vezes justificar por que prefere não usar o carro oficial. “Gosto do som alto e não quero incomodar o motorista”, disse certa vez - lembra o jornalista Ricardo Boechat.
Em seguida, ela ouviu o contra-argumento - apresentado pela segurança - de que tem o direito de escolher a música e o volume dentro do automóvel. Sem saída, Cármen revelou o prazer que tem em cantar enquanto guia. O dueto preferido é com Frank Sinatra. “Às vezes é dele a primeira voz, às vezes a segunda” - disse sorrindo.
Com um parceiro musical assim, não surpreende que a ministra esteja afinada.
Calcinha na web
A família de Wando, falecido em 8 de fevereiro deste ano, está brigando na Justiça pelo domínio www.wando.com.br.
No registro.br, consta em nome de W One Editora Musical Ltda.
Candidato de si mesmo
Na semana passada, o presidente do TJ de São Paulo, Ivan Sartori, esteve em Brasília cabalando apoios.
Foi ao gabinete do vice-presidente da República, Michel Temer, com o argumento de que a vaga de Peluso deve ser preenchida pelo Judiciário paulista, do qual ele seria o nome mais representativo. Ouviu em resposta que Dilma Rousseff só fará a escolha no fim do ano. E que as recentes polêmicas em que ele se envolveu com o CNJ dificultam o seu nome.
Pelo sim e pelo não, convém lembrar que, se a opção for masculina, o gaúcho Rui Portanova é candidato.
Dose para cachorro!
- “A verba honorária, nos moldes como concedida, corresponde ao valor que pode servir para comprar ração mensal para um cachorro, não a um profissional da Advocacia.” (De uma petição de advogado, em recurso de agravo de instrumento)
- “A respeito da despropositada comparação entre a verba honorária fixada na origem e o preço de alimentação para cães, evoco Kalil Gibran, em O Profeta: ‘O trabalho é o amor feito visível. E se não podeis trabalhar com amor, mas somente com desgosto, melhor seria que abandonásseis vosso trabalho e vos sentásseis à porta do templo a solicitar esmolas daqueles que trabalham com alegria’.” (De um acórdão do TJRS)
- Farpas, ironias, ração e exageros à parte, a honorária sucumbencial ficou mantida em R$ 250,00. Canina, ou humana, é dose! (Proc. nº 70033136441)
Romance forense: Veneno na “intimidade”
“Em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher” - diz o ditado.
O leitor já deve ter lido sobre tentativas bizarras de tirar a vida do parceiro mundo afora, mas vai se surpreender com esta: uma paulista de São José do Rio Preto teria colocado veneno nas próprias partes pudicas para tentar intoxicar o marido.
O homem, que diz não ter caído na manobra, suspeitou de algo estranho, vestiu-se e correu para a delegacia. Ali, contou tudo ao plantonista.
Surpreso com o inusitado, o escrivão mandou chamar o delegado. Este mandou que o homem supostamente intoxicado fosse imediatamente periciado. Mais: que a mulher fosse buscada em casa, para submeter-se a uma perícia ginecológica.
Contrariando o ditado que inicia o romance de hoje, o ofício expedido ao médico de plantão no hospital definia: “fazer uma coleta na região genital supostamente intoxicada da mullher”. Em outras palavras, mandava “meter a colher”.
Obtido o material, ele foi enviado para São Paulo (capital), para ser examinado. Com o retorno e o relatório do inquérito, tudo foi remetido ao fórum.
Mas há segredo de justiça.