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Livros Jaime Cimenti | jcimenti@terra.com.br

Livros

Notícia da edição impressa de 27/07/2012

Um poderoso trio de advogados, trapalhadas, humor, um processo gigante

Os litigantes é o mais recente romance de sucesso do consagrado advogado e escritor norte-americano John Grisham. O autor já escreveu 23 livros que venderam mais de 250 milhões de exemplares no mundo e foram traduzidos para 29 idiomas. Em Nova Iorque, ele é um dos diretores da Innocence Project, organização que defende prisioneiros inocentes. É também presidente do Innocent Project do Mississipi, sediado na faculdade de Direito do estado. Grisham vive em Virgínia e no Mississipi e, desde 1998, com Tempo de matar, emplaca um sucesso atrás do outro na lista do The New York Times. Na narrativa de Os litigantes, os sócios da Finley&Figg gostam de anunciar que possuem um “escritório-boutique” - elegante, seletivo e próspero. Na real, a especialidade dos dois advogados é fazer de divórcios rápidos a ações de indenização por acidentes de trânsito.

O escritório fica no sudeste de Chicago. O veterano Oscar Finley e o sócio-júnior Wally Figg, ambos a seu modo, convivem com o fracasso profissional, que os levou a sugar dinheiro da vala comum das indenizações por danos físicos. Na vida pessoal, os dois igualmente estão fracassados. Finley vive há anos um casamento falido e Figg, recém-saído de seu quarto divórcio, desdobra-se para se livrar do vício do álcool. Depois de 21 anos juntos, a sorte finalmente chega para eles. O jovem advogado David Zinc, desempregado depois de se decepcionar com uma firma renomada, entra para a Finley&Figg e os três assumem um processo enorme contra uma empresa gigante do ramo farmacêutico. Eles entram de sola numa ação coletiva milionária contra a megaempresa. A microempresa de advocacia finalmente poderá decolar para o sucesso com o rumoroso caso em que se envolve.

Os três causídicos farão de tudo para tirar a sociedade de advogados da falência. Lances de humor e trapalhadas não faltam no romance. Os três advogados vão usar suas experiências e todas as manhas possíveis para melhorar de vida. Será uma luta bonita entre Davi e Golias. John Grisham mostra, novamente, porque é o rei das ficções que envolvem advogados, processos, crimes, grandes empresas, juízes e tribunais. Ele tem sido apontado como o escritor mais lido dos Estados Unidos, país que, como se sabe, é famoso por clientes ávidos, advogados espertos e policiais, juízes e tribunais implacáveis. Prazer garantido para seus fiéis leitores e novas visões do mundo dos tribunais. Editora Rocco, 448 páginas, R$ 34,50, tradução de Maira Parula.

E palavras...

Velhas palavras, curiosidades bem-humoradas, língua nem tão morta

Nós, brasileiros, somos, tipo assim, campeões em inventar palavras, criar gírias, gerar expressões e apelidos. A cada geração enterramos milhares de vocábulos e fazemos nascer outros tantos. Nem sempre a morte de pessoas, objetos ou hábitos sepulta certas palavras. O adorável livro Dicionário Brasileiro da Língua Morta - Palavras que sumiram do mapa, do jornalista e escritor mineiro Alberto Villas, publicado pela Editora Globo, traz uma interessante arqueologia das palavras de algumas décadas atrás que ninguém usa mais. O verbo impingir, por exemplo, quem ainda usa? Quem ainda impinge alguma coisa? Alguém ainda chama alguém de broto ou diz que uma mulher é bonita pra chuchu? E lembram da expressão prafrentex? Desde abafar, que queria dizer fazer sucesso, até ziriguidum, que queria dizer traquejo, e zombar, que significava sacanear, o autor fez um garimpo fantástico de termos que são do tempo do pó de mico - o pó que só provocava coceira e nada tem a ver com o famoso pó que anda por aí nessas noites e dias turbinados. Antigamente quem tinha classe tinha gabarito e categoria, quem era engraçado era gaiato, e palerma era o idiota, o tolo, o lerdo. Nos tempos que se lavava a égua, nos 45 minutos do segundo tempo, os jogadores de futebol que estavam ganhando o jogo ou queriam empatar ficavam embromando, empurrando com a barriga, mas sem ficarem empanzinados, termo que queria dizer com a barriga cheia demais. Pois é, na época de pessoas embatucadas, caladas, mudas, silenciosas e encucadas, havia uns pamonhas que ficavam parados esperando as coisas acontecerem. Pimpolhos, quem lembra? Eram bebês rosados, bochechas enormes, sorrisos abertos, os que hoje, nesses dias de rock, a gente chama de bebê ou baby. “Hoje é dia de rock, bebê!”, disse a Torloni. Pessoa alcoolizada era pinguço, hoje bebum ou gambá. E a gonorréia, heim? Doença sexualmente transmissível que, como se dizia, perto das doenças de hoje, era pinto, coisa pouca. Estou quase chegando no fim desse papo, lembrando as avançadas  garotas papo-firme e procurando levar esta crônica tipo assim no papo, ou no gogó. Quem já não ganhou uma garota ou um garoto no gogó?  Quem não ganhou era porque era um goiaba, ou, hoje, um mané, professor. E vou caindo de banda, indicando o livro do Villas, que é supimpa para que todos fiquem barra-limpa. (Jaime Cimenti)

Lançamentos

  • História do rádio no Brasil, da jornalista, radiomaker e professora paulista Magaly Prado, mostra tudo o que o leitor queria saber sobre a história do rádio no Brasil e não sabia onde encontrar. Noventa anos da trajetória do rádio são apresentados. A obra é de referência, entretenimento e formação. Editora Boa Prosa, 480 páginas, www.livrosdesafra.com.br.
  • Os santos mais populares do Brasil, do professor, redator e revisor de textos Sandro Gomes, fala de Santo Antônio, São Judas Tadeu, São Jorge, Santa Clara, Santa Edwiges e outros e, ainda, de “quase santos”, como Irmã Dulce, Padre Cícero e Escrava Anastácia. Nova Terra, 280 páginas, www.editoranovaterra.com.br.
  • Linguagem, poder e ensino da língua, do professor, poeta e jornalista José Hildebrando Dacanal, narra sobre o que se deve ensinar na sala de aula em termos de língua portuguesa. Dizem as pesquisas que 75% dos brasileiros são analfabetos funcionais. O que houve com as escolas? Para que servem as teorias? Leitura XXI, 118 páginas, leituraxxi@terra.com.br.
  • Sombras da noite - A vingança de Angelique, da escritora norte-americana Lara Parker, um romance de amor erótico e obsessão, assombroso e cult, baseado na famosa série de TV que, por sua vez, inspirou o filme com Johnny Depp. Foram mais de 200 telefilmes da ABC, mostrando amores, desamores e tudo mais da geração 1960/1970. Geração Editorial, 552 páginas, www.geracaoeditorial.com.br.

E versos

Fênix

Esse manto da tarde incendiado,
água onde o sol do olhar se põe refém
restaura o manuscrito de um julgado
que vem de Ovídio e de Virgílio vem.

Levanta voo o pássaro sagrado,
de aroma e ouro cingido, e se detém;
arrebatando auroras, como a um prado
virgem, as cores forma seu harém.
Alude a carnaval, entre palmeiras,
com que mantém madura sociedade,
em ninho de perfumes. As primeiras

horas na noite chegam, sugerindo
que o espetáculo da imortalidade
nasce da asa do pássaro se esvaindo.

Florisvaldo Mattos, Em Poesia Reunida e Inéditos, Escrituras, www.escrituras.com.br

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