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A Rússia e a China vetaram nesta quinta-feira a resolução para impor sanções contra a Síria se o presidente Bashar al-Assad não interromper o uso de armamentos pesados. A resolução foi apresentada no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, pelos países ocidentais.
Essa é a terceira vez em nove meses que Moscou e Pequim valeram-se de suas prerrogativas como membros permanentes do conselho para barrar medidas contra a Síria. Foram 11 votos a favor, dois contra e duas abstenções.
Prevista para acontecer na quarta-feira, a votação foi adiada após não ter sido possível um acordo entre as nações ocidentais e a Rússia. A grande questão que impede um acordo sobre a Síria é a exigência do Ocidente por uma resolução que ameace o país com sanções não militares, que é atrelada ao capítulo 7 da Carta da ONU, que poderia eventualmente permitir o uso da força para encerrar o conflito. A Rússia, aliada da Síria, se opõe de forma inflexível às sanções e a qualquer menção ao capítulo 7.
As discussões acontecem em meio ao aumento da violência na Síria. Rebeldes conseguiram se infiltrar no centro do poder do governo na quarta-feira, detonando uma bomba durante uma reunião de alto nível realizada em Damasco, que matou três líderes do regime, dentre eles o cunhado de Assad e o ministro da Defesa.
Os Estados Unidos criticaram a decisão russa e chinesa de vetar a resolução, chamando-a de “lamentável” e “muito infeliz”. O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, disse a jornalistas que um novo regime na Síria é um fato inevitável, e que os Estados Unidos vão “continuar a fornecer assistência humanitária para o povo sírio e assistência não letal à oposição” na medida em que trabalha com “uma série de países” para pressionar Assad a deixar o poder. Já a embaixadora dos EUA nas Nações Unidas, Susan Rice, afirmou que o Conselho de Segurança “fracassou totalmente” na Síria, e que o governo do presidente Barack Obama irá trabalhar fora do conselho para enfrentar Assad. “Vamos intensificar nosso trabalho com uma gama diversificada de parceiros fora do Conselho de Segurança para exercer pressão sobre o regime e levar assistência aos necessitados”, disse. O fracasso da resolução significa que o mandato da missão de observação da ONU na Síria acaba na noite desta sexta-feira.
Forças do governo da Síria atacaram rebeldes com helicópteros e bombardeios em Damasco nesta quinta-feira, em retaliação à audaciosa operação que matou três figuras chaves do regime do presidente Assad. Milhares de sírios atravessaram a fronteira com o Líbano para fugir do quinto dia seguido de confrontos na capital.