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Livros Jaime Cimenti | jcimenti@terra.com.br

Livros

Notícia da edição impressa de 20/07/2012

Abrindo a mente, filosofando e vivendo melhor

Depois destas confusões e crises econômicas globais, há quem diga que, se filosofar desse certo, a Grécia não estaria aí desse jeito. Brincadeira à parte, desde o grego Sócrates, o pai da filosofia mundial, pensar e refletir são caminhos que os seres humanos trilham há milênios, buscando entender melhor, ao menos um pouco, suas mentes e o mundo. Nas últimas décadas, o estudo da filosofia voltou a ser sucesso em livros, filmes, peças de teatro e voltou a muitos currículos de escolas. Uma breve história da filosofia, do professor Nigel Warburton, titular de filosofia na Open University e mantenedor de um site e de um podcast (Philosophy Bites), justamente atende às necessidades dos leitores de conhecerem, de modo simples e prazeroso, o mundo do pensamento. Nigel ministra também um curso sobre arte e filosofia na Tate Modern e é autor de diversos livros de introdução à filosofia, entre os quais Free speech :A free speech: A very short introduction, O básico da filosofia e do Pensamento crítico de A a Z, ambos publicados no Brasil. A obra de Nigel apresenta os grandes pensadores da filosofia ocidental a partir de Sócrates, e explora com clareza e objetividade suas principais ideias sobre o mundo e sobre a melhor maneira de viver nele. Em quarenta capítulos o autor, que também é filósofo, traz dados interessantíssimos sobre a vida e o pensamento de Kant, Marx, Maquiavel, Freud, Sêneca, Nietzsche, Hannah Arendt e Peter Singer, entre outros, e apresenta inquietantes e instigantes perguntas éticas que até hoje são alvo da filosofia. Bem como ensinou nosso mestre caxiense Gerd Bornheim: filosofar é, acima de tudo, perguntar. O livro tem sido considerado um pequeno clássico e destina-se a inspirar pensamentos e reflexões e a auxiliar os leitores a falar, escrever e argumentar melhor. A partir das breves biografias dos grandes nomes do pensamento, o autor nos leva a uma viagem divertida e ilimitada pelos caminhos do conhecimento. Viagem bem importante para nós todos, num mundo que nunca mostrou tantos caminhos, tantas perplexidades e tanta doideira. Pois é, a filosofia pode não ter resolvido alguns problemas da Grécia e de outros pontos do mundo, mas segue charmosamente a nos convidar para uma vida mais rica, ao menos do ponto de vista espiritural. Como se sabe, tem gente que é tão pobre que só tem dinheiro. L&PM Editores, 264 páginas, R$ 42,00, tradução de Rogério Bettoni.

E palavras...

Águas passadas movem o Moinhos, Cine Coral e etc

Sábado passado eu e a torcida do Moinhos de Vento estivemos em frente ao  ex-Cine Coral, em movimentação alto-astral promovida  pelo grupo do Facebook Amigos do Moinhos de Vento, liderado pelo designer e artista plástico Clayton de Araújo. O grupo já conta com mais de 1,2 mil amigos e o jornalista e escritor Carlos Augusto Bissón, autor da já clássica obra Moinhos de Vento - Histórias de um bairro de Porto Alegre (que vai para a terceira edição), fez bela divulgação do encontro, que foi um sucesso bem fotografado. Os amigos do Moinhos pedem a instalação de um teatro e de outros equipamentos culturais no prédio do antigo cinema, que é um dos tantos espaços não aproveitados da cidade. Se eu fosse proprietário dos preciosos 1,4 mil m2 no coração do bairro, tentaria, para lucrar muito, com a permissão dos condôminos do edifício, instalar, de manhã, uma escola particular bem fina, de tarde, a sede de alguma igreja e, de noite, uma casa noturna. Claro que estou brincando e aproveitando a piada. Quero mais é cultura! Torço para que, no local, seja instalado um centro cultural, com teatro, cinema, livraria, cafeteria, oficinas culturais e tal.  Aceitaria, com prazer, muuuuito prazer, uma filial do Moulin Rouge, do Lido ou de algum teatro da Broadway. Tá bom, tá bom, pode ser até de um daqueles off-Broadway. Tudo menos aquela área nobre vazia, escura e silenciosa. Os porto-alegrenses e o bairro pedem e merecem. O Moinhos deve ser, como pretendem os amigos, um bairro conceito, autossustentável e deve continuar a ser um orgulho e uma alegria para Porto Alegre e um local de saúde e lazer para nós todos. Sou completamente a favor da proteção do patrimônio histórico, das tradições, das pessoas e das histórias do Moinhos. Quero mais é que o bairro mantenha sua elegante e europeia fisionomia. Mas também penso que águas passadas devem, sim, mover o Moinhos e não deixá-lo estagnado. É preciso harmonizar preservação do patrimônio histórico-cultural com estruturas e mudanças que permitam que o bairro permaneça para sempre, com seu charme, sua força, sua história, sua qualidade de vida e que conte um futuro digno. O Moinhos é patrimônio de todos, é um dos bairros com mais história da cidade e precisa ser muito bem cuidado. A manifestação de sábado passado, a atuação da Associação dos Moradores do Moinhos - Moinhos Vive e o carinho e o respeito que a cidade tem pelo bairro vão ajudar. O espetáculo tem de continuar. Não podemos deixar o samba, a MPB, a música erudita e o all that jazz do Moinhos morrer. Viva o Moinhos!  (Jaime Cimenti)

Lançamentos

  • Do direito à segurança à segurança do Direito é fruto da dissertação de mestrado de Eduardo Pazinato, secretário da Segurança de Canoas. O autor analisa a municipalização da segurança, as gestões locais e as políticas públicas, entre outros aspectos relevantes. Editora Lúmen Juris, 166 páginas.
  • Minhas tudo, do jornalista, escritor, dramaturgo e roteirista mineiro Mario Prata, fala de peito de mulher, Dostoievski, tipos de ladrões, mulheres que o Frank Sinatra pegou, frases de noite de Natal, carpaccio, formadores de opinião, Montevidéu e outros lances, em crônicas deliciosas. Editora Planeta, 224 páginas.
  • Ao aboio do tempo, romance do artista plástico, escritor e produtor rural Ricardo P. Duarte, com prefácio de Benhur Bortolotto e ilustrações do autor, registra a cultura e o homem do campo do pampa sul-rio-grandense, histórias familiares e mostra que o gaúcho segue vivo no imaginário e na realidade. Proa, www.edicoesproa.com.br, 208 páginas.
  • Parteiras, benzedeiras e benzeduras - uma cultura tradicional, da escritora, professora e pesquisadora gaúcha Elma Sant’Ana, com introduções de Humberto Ciulla Goulart, Maria Rita de Assis Brasil, Suely Carvalho e Taísa Lewitzki, traz dezenas de depoimentos de parteiras, benzedeiras e homenagens a pessoas e entidades. Alcance, 128 páginas, www.editoraalcance.com.br.

E versos

Roda do tempo

as pás
do velho moinho de água
giram a roda do tempo
e trazem à tona antigas lembranças

na beira do rio da minha infância lembro de ti e algo em mim diz que neste momento
posso escrever o meu mais belo poema de amor

inerte na beira do rio, no ir e vir
das pás do velho moinho
com a água aos poucos,
vi passar minha vida,
lembrança por lembrança,
e sofri mais uma vez a dor
de todas as perdas
ao vê-las desaparecerem
na curva do rio

impotente
vi todas as minhas palavras
substituírem as águas no morrer das velhas pás e lembranças
e uma a uma irem me escapando não sobrando nenhuma para escrever o poema
que você sempre quis ouvir de meus lábios entre os nossos lençóis

Ademir Antônio Bacca em Amar Verbo Atemporal -100 poemas de amor Editora Rocco, organização de Celina Portocarrero

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