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Saúde Notícia da edição impressa de 19/07/2012

Mulheres criticam despreparo profissional

Jessica Gustafson

JONATHAN HECKLER/JC
Barreiras enfrentadas independem de o tratamento ser pelo SUS ou particular
Barreiras enfrentadas independem de o tratamento ser pelo SUS ou particular

As diversas barreiras que as mulheres enfrentam desde o diagnóstico até a cura da doença foi um dos temas debatidos ontem no seminário Novas Tecnologias no Tratamento do Câncer de Mama, realizado pelo Instituto da Mama do Rio Grande do Sul (Imama). Seis mulheres relataram as suas experiências no processo de enfrentamento do câncer. Um dos principais problemas relatados foram os erros de diagnósticos recebidos e o despreparo dos profissionais da saúde em lidar de uma forma mais humanitária com as pacientes.

A oncologista Daniela Dornelles Rosa afirmou, durante o painel, que as mulheres enfrentam barreiras emocionais, físicas e socioeconômicas. Um dos agravantes citados por ela foi o tempo de espera para o início do tratamento – fator que influência tanto na doença quanto na questão emocional. “Quando essa pessoa faz os exames para verificar a existência do câncer, ela passa, até receber o diagnóstico, por momentos de muita incerteza. São frequentes as sensações de ansiedade, medo e depressão. Quanto mais rápido vier o resultado dos exames, menores serão estes sentimentos”, explica. Após o recebimento da confirmação, o início do tratamento também precisa ser ágil, para garantir mais chances de cura.

Hoje, existem diversos métodos para o tratamento do câncer de mama, que dependerão da avaliação de cada caso específico. Daniela diz que a indicação de cirurgia é necessária, contudo, dependendo do tamanho do nódulo e de suas especificidades, algumas mulheres são submetidas ao procedimento de mastectomia – que é a retirada total da mama. “Essa retirada afeta muito as pacientes, pois atinge diretamente na autoestima. Além disso, a mastectomia provoca a alteração da imagem corporal e também pode interferir na sexualidade da mulher”, relata.

Os outros procedimentos também comuns para o tratamento, como a quimioterapia e a radioterapia, provocam diversos efeitos colaterais. A oncologista lembra que os problemas socioeconômicos também são barreiras importantes. No entanto, Daniela acredita que eles são enfrentados por todas as pacientes, independente de serem tratadas no Sistema Único de Saúde (SUS) ou na área privada, pois a maioria dos planos de saúde, por exemplo, não cobre a quimioterapia por via oral. Em compensação, o SUS oferece gratuitamente esses remédios. 

Iara Maria Vasco passou um ano desconfiando que estava com câncer de mama. Contudo, ao chegar no posto de saúde, o médico realizou os exames e não encontrou nenhum nódulo. “Eu sentia muita dor, mas o médico me dizia que não era nada. Passado um ano, me encaminharam para um hospital onde me diagnosticaram com câncer. Como já estava mais avançado, perdi a mama”, conta. Esses erros de diagnóstico podem acontecer, segundo a oncologista, por causa da má qualidade da mamografia e porque muitos profissionais estão despreparados para interpretar os exames.

Cláudia Magnus, que descobriu um câncer de sete centímetros, afirmou que passou por cinco médicos até escolher qual a atenderia. “Falei com muitos profissionais que não se importavam com a questão emocional da doença. Eu não queria ser tratada por um desses. Além disso, fiz meu primeiro diagnóstico em uma clínica bem conceituada e recebi o primeiro exame mostrando o câncer. Passada uma semana, um novo laudo não mostrava o câncer. Eram diagnósticos contrários”, critica. Cláudia não desistiu e refez novamente o teste, que detectou precisamente o nódulo.

Para a vice-presidente do Imama, Maria Angélica Linden, o tempo de espera para a efetividade do tratamento realmente ainda é muito grande hoje. “De que adianta todas as tecnologias que estão chegando, se não existe uma gestão no SUS para favorecer a mulher?”, questiona. De acordo com ela, é fundamental também o atendimento da paciente de forma humanizada.

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