Um semestre bastante ativo com um final dramático. Assim a senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS) resumiu a primeira metade de 2012 no Senado. De acordo com ela, foram muitas deliberações, e o toque “dramático” foi a cassação do ex-senador Demóstenes Torres. “Não foi uma situação nem um pouco prazerosa para o Senado. Ao contrário, foi uma decisão muito triste e também constrangedora para todos nós.” Mas, para a senadora, a decisão não foi de todo ruim. “É claro que o que restou daquele episódio, de algum modo, consola, porque nós conseguimos aprovar em dois turnos a emenda constitucional segundo a qual, a partir de agora, passa a vigorar a votação aberta em casos de cassação de mandato” afirmou. Mas ela prefere que as sessões de cassação de mandato não sejam frequentes. “Espero que não tenhamos que repetir a dose tão cedo, porque isso é muito ruim, fragiliza a instituição que nós representamos.”
Atenção à agropecuária
No primeiro semestre, Ana Amélia deu atenção especial à agropecuária. “O setor agropecuário, ou o setor da produção de alimentos, vem garantindo números positivos na balança comercial. Mereceu de minha parte uma atenção especial, afinal, sou representante do Rio Grande do Sul e o meu Estado já sofria com a seca, que acabou por derrubar a safra de verão, quebrando a produção de milho, arroz e soja, por exemplo, em algumas regiões do Estado, em até 80%”, comentou a senadora. Segundo ela, a primeira metade de 2012 foi muito mais voltada a negociações com o governo, em especial com o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro. Mesmo assim, de acordo com Ana Amélia, o governo deu pouca atenção ao setor, tanto que o PIB gaúcho registrou queda de 1,8% no primeiro trimestre deste ano.
Cruzando a fronteira
Na área internacional, a senadora chamou atenção para os problemas que assolam o Mercosul. “Ao cruzar a fronteira, temos que resolver problemas no Mercosul. Além da crise econômica, que tem apresentado desafios econômicos ao bloco, os países parceiros do Mercosul precisam encontrar um equilíbrio nas relações e resolver as questões políticas impostas pela crise no Paraguai”, comentou. Segundo ela, o Brasil não está respeitando a decisão do parlamento paraguaio, ao mesmo tempo em que acelera o ingresso da Venezuela no bloco.
Que solidariedade é essa?
Outro problema que foi bastante acentuado no primeiro semestre, de acordo com Ana Amélia, foram as barreiras comerciais impostas pela Argentina. “As notícias de hoje não são animadoras nesse sentido. A Argentina está substituindo o Brasil pela China nas importações. Ora, que solidariedade é essa? Que autoridade tem o governo argentino para impor ao Brasil algumas regras que não são nem um pouco benéficas para o bloco?”, questiona. Na opinião da senadora, o Brasil precisa ser mais pragmático dentro do Mercosul.