A TV estatal síria confirmou ontem que pelo menos três autoridades de primeiro escalão ligadas às atividades de defesa e segurança do regime morreram em um atentado em Damasco. O ministro da Defesa, general Dawoud Abdelah Rayiha, o vice-ministro, general Assef Shawkat (cunhado do presidente Bashar al-Assad), e o general Hassan Turkmani, chefe do grupo governamental encarregado da crise, morreram no ataque, reivindicado pelo ELS (Exército Livre Sírio), formado por desertores e civis armados.
Um homem detonou um cinturão de explosivos dentro do prédio da Segurança Nacional em Damasco, onde se desenrolava uma reunião com ministros e várias autoridades governamentais.
Outras personalidades políticas importantes também ficaram feridas, como o ministro do Interior, Mohammed al- Shaar. Não há informações imediatas sobre a gravidade dos ferimentos.
Assad já nomeou o substituto do ministro Rayiha. Em seu lugar, assume o general Fahd Yasem al Freich, chefe do Estado-Maior. Rayiha, de 65 anos, era o mais graduado oficial cristão do governo sírio. Assad o indicou para o posto no ano passado.
Trata-se da primeira vez, desde o início das revoltas populares, que autoridades do primeiro escalão são atingidas pelos insurgentes, num conflito em que mais de 15 mil pessoas (segundo estimativas da oposição ao regime) já morreram, entre civis e militares.
Após o atentado, o secretário de Defesa dos EUA, Leon Panetta, afirmou que a situação da Síria está “fora de controle”. “A comunidade internacional deve pressionar ao máximo para que Assad faça o correto: abandonar o poder e permitir uma transição pacífica”, afirmou Panetta, em uma reunião com a imprensa no Pentágono, em Washington.
Aliada de longa data do regime sírio, a Rússia acusou a comunidade ocidental de incitar os grupos de oposição sírios, que há 17 meses se insurgiram contra Assad. “Em vez de acalmar a oposição, alguns dos nossos parceiros estão incitando-a a ir longe”, disse o chanceler russo Sergey Lavrov. “Apoiar a oposição síria é um beco sem saída, porque Assad não vai deixar o poder voluntariamente”, acrescentou.