O Senado da República entra hoje em recesso parlamentar. O senador Pedro Simon (PMDB-RS) fez para a coluna um balanço do primeiro semestre. Chamou a atenção para a reforma em curso do Código de Processo Penal e a discussão de um novo Pacto Federativo, que têm uma coisa em comum: apesar de acontecerem no Senado, nenhum senador faz parte delas. Esse fenômeno tem até um nome: terceirização. “O que eu achei interessante, já que foi uma escolha do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Ele que escolheu os nomes, sem passar pela Mesa, pelo plenário, para que pudesse permitir que, se fosse votada uma comissão de senadores, para serem suplentes dos notáveis”, ironizou Simon. O problema, segundo ele, é que os senadores pouco sabem o que acontece por detrás das portas da Comissão de Notáveis. “Fora o que apareceu no jornal, não sabemos o que está acontecendo nessas comissões. Pacto federativo, o que o Senado fez? Zero. Código Penal, o Congresso Nacional fez zero”, disse Simon.
CPMI foi um fiasco
No primeiro semestre de 2012, Pedro Simon destacou duas discussões bastante importantes: a reforma do Código Florestal e a CPMI do Cachoeira. E, para ele, enquanto uma delas foi uma “discussão bonita”, outra a foi um “fiasco”. Para ele, o debate em torno do Código Florestal foi um dos pontos altos do semestre no Congresso. “Foi uma discussão bonita. O que foi lamentável é que as posições se extremaram, os ruralistas se fanatizaram por algumas questões, e, cá entre nós, os defensores da natureza também”. Já a CPMI do Cachoeira, para ele, foi o fiasco do semestre. “A CPMI criada para discutir a questão do Cachoeira foi um fiasco, porque ela partiu de fatos já provados pela PF, e tentou esconder. Aquilo não é para apurá-los, é para que não sejam expostos”, criticou.
Quadro anárquico
Simon está pouco confiante em relação ao trabalho do Congresso Nacional no segundo semestre. Além do julgamento do mensalão, que chamará atenção a partir de agosto, o semestre será devotado às eleições em outubro. E as eleições vão ser complicadas, de acordo com ele. Primeiro, porque alguns partidos estão crescendo e, como consequência, os seus apetites. Segundo, porque outros partidos estão “morrendo” e se juntando a outros. E terceiro, porque a eleição vai ser muito mais focada nos candidatos do que nos partidos. “As influências são terríveis. Depois de o Lula entrar exageradamente em São Paulo, Dilma entrou firme em Minas Gerais. Há notícias de que o PMDB vai se fundir com seis partidos menores. O DEM, se o resultado for negativo nestas eleições, quer se fundir ao PMDB, o que é decretar a própria extinção. E o PSB está crescendo muito. O PMDB se esforça para manter Michel Temer na vice-presidência, mas o PSB quer colocar o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, lá. O quadro é anárquico.”