O governo da Espanha aprovou um novo e duro pacote de ajustes que se justificou pelos momentos dramáticos vividos pelo país. Para as autoridades, são medidas necessárias e inadiáveis, uma vez que o país vive um dos momentos mais difíceis e dramáticos da sua história, de déficit gigantesco. Haverá aumento do Imposto sobre o Valor Agregado (IVA), que taxa os bens de consumo, de 18% para 21%, a partir de 1 de setembro, a redução do auxílio aos desempregados e a eliminação do bônus de Natal deste ano para milhões de funcionários públicos.
Isso é para permitir à Espanha receber uma ajuda de € 65 bilhões via aumento de receitas e redução de despesas. Porém, não há mais remédio para tapar o buraco das contas públicas, segundo alguns ministros afirmaram claramente. Como é comum e provavelmente verdadeiro no caso da Espanha, o atual governo repetiu o argumento de que a responsabilidade sobre a atual situação cabe ao governo anterior, que deixou um déficit público três pontos acima de 6% do PIB. A miséria na Espanha alcançou 26,4% da população. Foi um aumento de 15,5% em cinco anos, pois em 2007 era de 10,89%. Isso tornou ainda mais impopular o governo do primeiro-ministro Mariano Rajoy. Mas são ações ditadas por Bruxelas, sede da União Europeia (UE). Mais sacrifícios impostos pelo governo aos servidores públicos – cujos salários haviam sido reduzidos em 5%, em média, no final do governo socialista - levaram boa parte da categoria a ir às ruas para promover protestos. Policiais e bombeiros se manifestaram em Madri, na turística e emblemática Porta do Sol.
A crise na UE não tem fim. A receita germânica de Angela Merkel, realística, de que só menos gastos e austeridade geral podem reverter a situação, hoje não é mais vista com agrado, principalmente depois que François Hollande foi eleito presidente da França. Nos países onde a receita alemã foi aplicada, os protestos se repetem. É o caso dos médicos portugueses, que realizaram greve de 48 horas. O governo de Lisboa precisa reduzir gastos na saúde como parte dos cortes de orçamento prometidos em troca da ajuda de € 78 bilhões fornecida pelos outros países europeus em 2011. Ao mesmo tempo, e sendo o epicentro da crise na Europa, a taxa de desemprego da Grécia atingiu em abril um novo recorde, com 22,5%, ante 22% no mês anterior, no quinto ano de recessão. As receitas do governo caíram com a queda na arrecadação de impostos, causada por reduções salariais e pela grave situação do mercado de trabalho. Os trabalhadores ativos e aposentados tiveram seus ganhos achatados. Os jovens são os que mais sofrem com a falta de postos de trabalho, e não existe solução próxima. Pelo contrário, há quem diga que o fundo do poço não está sequer visível. A “marolinha” de 2008 andou quilômetros pelo mar, mas acabou chegando às costas brasileiras. Estamos com um Produto Interno Bruto (PIB) recuando, e a presidente Dilma olha para o lado. Sobre o ministro Guido Mantega, é difícil entender por que ele insiste em crescimento de 3,5% em 2012, se nem os órgãos do governo projetam este índice há pelo menos dois meses. A situação piorou. De vez.