A economia brasileira ficou estagnada em maio. Dados do Banco Central mostram que a atividade de empresas e indústrias teve ligeira contração de 0,02% ante abril. Apesar da falta de reação às medidas de incentivo ao crescimento tomadas pelo governo, a presidente Dilma Rousseff minimizou a importância do dado que mede o tamanho da economia. “Uma grande nação deve ser medida por aquilo que faz para as suas crianças e adolescentes, não pelo PIB”.
Após ligeiro crescimento visto em abril, o Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br) - considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB) - perdeu força e voltou a patinar. Nos últimos seis meses, de maneira intercalada, três tiveram crescimento e três amargaram queda. No fim do sobe e desce, o índice está praticamente estacionado desde dezembro do ano passado.
Sem a tão esperada reação, Dilma Rousseff relativizou a importância dos números. Durante a 9ª Conferência Nacional dos Direitos da Criança e Adolescente, a presidente disse que é mais importante observar “a capacidade de o País, do governo e da sociedade de proteger o seu presente e o seu futuro”. Defendeu que é preciso olhar para outros rankings e não apenas para aquele que mede o crescimento dos países. “Vamos disputar o que é a economia moderna, que é a economia do conhecimento, aquela que agrega valor”, afirmou à plateia formada, em sua maioria, por adolescentes.
Longe do Palácio do Planalto, no mercado financeiro, o indicador do BC foi recebido com mais cautela. Em maio, a ligeira acomodação do IBC-Br foi melhor do que o esperado. Analistas ouvidos pelo AE Projeções estavam mais pessimistas e previam contração de 0,20%. “A estabilidade de maio, contrariando sinais mais negativos vindos do desempenho mais fraco do consumo e da indústria, limita, por ora, leituras menos favoráveis para as estimativas do PIB do segundo trimestre”, citou o Bradesco em relatório.
Mesmo com o desempenho que surpreendeu positivamente, não há otimismo entre economistas. A LCA Consultores, por exemplo, reconheceu que o dado veio melhor do que o previsto em maio e que o indicador deve ter alta em torno de 1% em junho. A reação do mês passado é motivada especialmente pelo segmento de veículos que teve impostos reduzidos e crédito facilitado.
“Ainda assim, o avanço do PIB no segundo trimestre deve ter ficado em torno de 0,5%, uma aceleração modesta”, citou a LCA Consultores. O Bradesco tem prognóstico idêntico. Anualizado, esse desempenho aponta para crescimento em torno de 2% ao ano.
O número está muito aquém das intenções do governo e reforça a leitura de que a economia vai crescer menos que no ano passado.
O fraco crescimento do PIB brasileiro foi tema até para o presidente do Goldman Sachs Asset Management, Jim O’Neill. Para o criador do termo “Bric”, o Brasil precisa recuperar um ritmo de crescimento mais forte no decorrer da década, sob o risco de perder o posto no seleto grupo dos emergentes mais promissores.
