MARCELO G. RIBEIRO/JC
Cases de marcas de sucesso, como o da Havaianas, foram apresentados no seminário
Fazer moda é mais que design. Com este pensamento, um grupo de empresários, com o apoio do Sebrae, trouxe ao Estado, pela primeira vez, o seminário Negócio da Moda RS. Focado em business para o segmento, o evento promoveu nesta quinta-feira a versão do encontro realizado no Rio de Janeiro pela consultoria de empresas de varejo Azov. O seminário reuniu CEOs e especialistas das principais marcas de moda do centro do País, que apresentaram suas visões estratégicas de gestão de negócios, abordando cases de sucesso como a Alpargatas (Havaianas), Farm e InBrands (Ellus, VR, Richards e Herthcovich).
O especialista em e-commerce Flávio de Nijs destacou o “vertiginoso” crescimento on-line das marcas Richards e Ellus. Ele lembrou que focar no e-commerce como um canal adicional ao relacionamento com o cliente é um movimento que chegou ao Brasil apenas há três anos. “Moda não era uma categoria que aparecia neste ranking, mas em 2011 o segmento surgiu pela primeira vez e já ficou em quarto lugar”. O e-commerce já representa em torno de 8% das vendas das marcas do portfólio da InBrands. “Isso mostra uma tendência de mercado, as pessoas cada vez mais se comunicam com as marcas e produtos através da rede”.
No caso da Richards, que funciona com loja virtual desde 2004, o faturamento médio mensal é de R$ 1,5 milhão a R$ 2 milhões e a projeção é atingir R$ 17 milhões no final do ano. Entre as outras marcas do grupo, a Ellus implementou um canal virtual recentemente, apresentando faturamento relevante em curto período.
Na Farm, a meta é que até 2016, o e-commerce represente 50% do faturamento, projeta o sócio-diretor da marca carioca de roupas, Marcello Bastos. Ele lembrou que o fundamental para a construção de uma marca é ter um produto que gere desejo no consumidor. “Além disso, é preciso ser fiel à proposta. Isso cria um vínculo com o cliente.” Bastos justificou a tese com o exemplo de sucesso da Farm, que vende 140 mil peças por mês e possui 51 lojas próprias em 17 estados brasileiros. “Nosso caminho para estar entre as líderes do segmento foi o foco na construção da marca”, ressaltou.
Ouvir o consumidor e lançar novos produtos no mercado, com diversidades de modelos, foram os passos iniciais para que a marca de chinelos de borracha Havaianas, antes popularizada entre os consumidores brasileiros menos abastados economicamente, se desenvolvesse a ponto de chegar a ser usada por pessoas (incluindo celebridades) do mundo inteiro. “Mais do que conexão material, buscamos criar uma conexão emocional para conquistar os consumidores”, diz o diretor de comunicação do grupo Alpargatas, Rui Porto.
Além do território brasileiro, a Havaianas tem distribuição e operações próprias na Austrália, Estados Unidos, Itália, Filipinas, França, Portugal e Argentina. Recentemente, os produtos da marca acabam de entrar em mercados onde o crescimento da classe média é pujante, como a Índia, China e Indonésia. “Também consolidamos a marca no México, em 2011”, destaca. Implementada em 1962, a Havaianas tem registrado crescimento rápido também na América do Sul, Oceania e África. “E ainda temos muito mercado para explorar, incluindo no portfólio novas categorias, como tênis, acessórios e linha infantil”, observa.
Detentor da Havaianas, o grupo Alpargatas faturou no ano passado mais de R$ 1 bilhão. O posicionamento dos produtos passou por um período de busca por maior valor agregado, o que levou a marca a conquistar as classes A e B, sem perder a base de mercado. A investida deu certo: no ano passado, somente no Brasil, 954 entre mil consumidores compraram Havaianas.
Atuando no varejo há 36 anos, o consultor Luiz Antônio Secco, diretor da Azov, ressaltou a importância de pequenas e médias empresas aprenderem com cases de marcas renomadas, para “se profissionalizarem e se desenvolverem”. “Caso contrário, o futuro é o negócio quebrar”. Para o consultor de empresas de varejo, a fórmula para qualquer negócio em moda dar certo é unir talento e gestão. “Se um destes dois fatores faltar, não funciona.”