ANTONIO PAZ/JC
Estrelas da feira, os caminhões com motorização Euro 5, tiveram negócios fechados ou encaminhados
A TranspoSul – 14ª Feira e Congresso de Transporte e Logística, realizada no centro de exposições da Fiergs, entre os dias 4 e 6, serviu para revelar uma perspectiva otimista das empresas transportadoras para este segundo semestre. O evento, encerrado na sexta-feira da semana passada, também serviu para fazer um amplo debate sobre a nova Lei 12.619/2012, que regulamenta as atividades inerentes à profissão de motorista.
“Os expositores saíram bem satisfeitos, apesar da crise que perdura, a TranspoSul foi uma demonstração de força do setor de transportes e da economia, que não quer parar”, enfatiza o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Estado do Rio Grande do Sul (Setcergs), José Carlos Silvano. Ele admite que a chuva durante os dias da feira e congresso atrapalhou um pouco a presença de público. No entanto, ele acredita que os negócios finalizados ou apenas iniciados durante os três dias da feira devem totalizar mais de R$ 120 milhões.
O dirigente relata que apenas uma revenda comercializou mais de 1,1 mil pneus. Outra empresa de tecnologia fechou um contrato de venda de 400 equipamentos de biometria, utilizados para medir a jornada de trabalho do motorista, combinando com o sistema de rastreamento. Silvano acrescenta que, pela primeira vez no Brasil neste ano, as montadoras, em conjunto, mostraram caminhões com motorização Euro 5 (padrão europeu de emissões). Até então, ainda estavam sendo vendidos uma grande quantidade de modelos Euro 3 que estavam estocados desde o final de sua produção no fim do ano passado.
De acordo com Silvano, as companhias aproveitaram a feira gaúcha para realizar promoções e atrair os consumidores. Ele projeta que algumas dessas promoções deverão ser mantidas pelos próximos dias. Quanto ao congresso técnico realizado paralelamente ao evento, o destaque ficou por conta da discussão sobre as consequências da nova legislação que regulamenta a profissão de motorista.
A Lei 12.619/12 estabelece que o motorista deverá exercer uma carga diária de trabalho de até oito horas, com no máximo quatro horas dirigindo sem interrupções, admitindo-se a prorrogação da jornada por até duas horas. Ainda determina um intervalo de repouso diário de onze horas a cada 24 horas e descanso semanal de 35 horas.
Silvano afirma que ficou preocupado com a questão. Ele acredita que os maiores problemas deverão se concentrar nas fiscalizações feitas pelo Ministério do Trabalho. O dirigente sindical explica que o órgão tem sido radical no cumprimento das leis da CLT. A nova normatização altera alguns pontos da lei até então vigente, verificando uma flexibilização em termos da jornada de trabalho, o que pode não ser aceito pelos fiscais que ainda se apoiarem nas regras da CLT. “A intenção do segmento de transporte, que era dar segurança jurídica, parece que fica prejudicada com as interpretações sinalizadas pela justiça e pelo Ministério do Trabalho”, expõe Silvano.
Ele adianta que os transportadores tentarão buscar opções políticas e jurídicas para equalizar essa situação. “Claro que queremos cumprir a lei, mas queremos também que quem fiscalize conheça a nossa forma de trabalho, tem que ter um ponto de parcimônia, pois uma lei não pode prever tudo”, defende Silvano. Ele revela que será pleiteado pelas entidades que representam o setor um prazo maior para a adaptação à legislação.
O presidente do Setcergs teme que os motoristas acabem sendo autuados por excesso de jornada, devido a não existência de estruturas adequadas para a realização das paradas para descanso definidas pela lei. Silvano comenta que um caminhão que precisa atravessar a cidade de São Paulo, muitas vezes, devido ao trânsito, pode ultrapassar a carga horária prevista na lei. “Só se fala no setor dessa mudança que dificultará bastante as operações de transporte e trará uma perda de competitividade para o segmento”, conclui o dirigente.