Hoje é o dia D para o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), que terá o processo de cassação julgado pelos seus pares por supostamente ter usado o mandato para favorecer o contraventor dos jogos ilegais Carlinhos Cachoeira. Pela sétima vez, Demóstenes subiu à tribuna do Senado, cumprindo a via crucis que se impôs desde que o parecer do Conselho de Ética recomendando a sua cassação foi aprovado, no final do mês de junho. Sim, a metáfora sacra se justifica, pelo menos, na convicção do senador. Ele se considera um “inocente sendo sacrificado”, a “vítima da vez”, o alvo de “um massacre”. Pobre Demóstenes!
No Conselho de Ética, como o voto foi aberto e a sessão transmitida pela TV Senado, os senadores não se sensibilizaram e votaram unanimemente a favor do parecer pela cassação. Na Comissão de Constituição e Justiça, idem, votação unânime contra Demóstenes. Mas no plenário do Senado, o resultado pode ser diferente. A votação será secreta, conforme determina a Constituição federal. E aí é que tudo pode acontecer. Como se comportarão os senadores? Sob o sigilo da votação, tudo pode acontecer. Até porque alguns senadores, que nos órgãos técnicos da Casa votaram pela cassação, já dão sinais de recuo.
Para se livrar da perda do mandato, Demóstenes precisa convencer pelo menos 41 dos 81 senadores. Ele mantém o discurso de bom moço, apesar de tudo o que já foi revelado das escutas telefônicas realizadas durante a investigação da Polícia Federal sobre a vinculação de Demóstenes com Cachoeira. “Resisti e chego à véspera da votação com a cabeça erguida e a convicção de que a verdade prevalecerá”, disse Demóstenes, ontem, em mais um apelo aos colegas senadores. Resta saber se os seus pares o mandarão à degola ou lhe consentirão a salvação.
Salários I
A folha de pagamento da Assembleia de julho poderá ser consultada na internet. A Mesa Diretora e os líderes dos partidos decidiram, por unanimidade, liberar as informações, seguindo o modelo proposto pelo CNJ. Ou quase. O nome dos servidores não será exibido. A Casa entende que não há segurança jurídica porque liminares determinaram que outros poderes retirassem do ar os contracheques.
Salários II
Até que existam decisões mais claras sobre o tema, o nome será substituído por um código quando se consultarem os vencimentos de cada servidor do Parlamento estadual. O site da transparência vai mostrar o salário básico, acréscimos por tempo de serviço, funções gratificadas, descontos obrigatórios e remuneração líquida.
Delegados
Embora tenha dito que não estava na Assembleia para fazer lobby, o presidente da Associação dos Delegados do Estado, Wilson Muller, chegou a entrar no plenário para conversar com deputados. Entre as propostas na ordem do dia de hoje, está o projeto de lei que concede aumento aos delegados. “O governo entendeu que fizemos um esforço para ceder e também fez um esforço de sua parte”, resumiu.