FREDY VIEIRA/JC
Afastada desde 2010 da tevê, Palmirinha estreia novo programa ao lado do inseparável Guinho
São quase 10h quando o aroma de pão caseiro se espalha pelos corredores da produtora Zeppelin, em Porto Alegre. Dentro de um dos estúdios, equipe de filmagem, imprensa e convidados estão concentrados, aguardando a atração principal iniciar sua fala. “Um, dois, três, gravando!”, comanda a diretora Fernanda Rotta. “Oi, minhas amiguinhas”, saúda para as câmeras Palmirinha, a vovó-mor dos programas de receitas. Afastada desde 2010 da televisão, ela está de volta, a partir de hoje, às 22h, no Canal Bem Simples, da Fox. Ao todo, serão 26 episódios nesta primeira temporada. “Eles sabiam o meu gosto. Quando cheguei aqui foi um carinho só, entrei no cenário e fiquei apaixonada! Tem tudo o que tem na minha casa. Não tive que me preocupar com nada”, contou, emocionada.
O nome pode não soar familiar para parte do público gaúcho, já que os programas de Palmira Onofre foram exibidos apenas em São Paulo, na TV Gazeta, entre 1999 e 2010. Por outro lado, não foram raros os vídeos divulgados no Youtube, entrevistas e menções a esta senhora de 81 anos, conhecida por seu inquestionável carisma e, também, por sua falta de memória. Àqueles que não compreendem a complexidade de se mexer a massa do pão, ficar atento aos ingredientes e medidas da receita, conversar com um boneco e ainda olhar para a câmera, restam as migalhas do desprezo das “amiguinhas“ de Palmirinha, que, por sua vez, ri de si mesma sem constrangimentos.
Cada bloco foi pensado para que a apresentadora tivesse mais identidade e liberdade. No primeiro, ela conta alguma história, relacionada à sua vida, em um clima bem intimista com os espectadores. Em seguida, passa para a cozinha, na qual prepara suas gostosuras. No bloco em que fecha o programa, ela e o boneco Guinho dão dicas e exibem vídeos da internet. A descontração é tamanha que a própria diretora resolveu inserir no programa efeitos sonoros como forma de acentuar os deslizes. “A gente usa o fato de a Palmirinha ter ficado conhecida nacionalmente pelas trapalhadas. Perguntamos se ela estava de acordo com o formato e ela comprou a ideia, que é fazer brincadeira de forma saudável, sem expô-la”, destaca Fernanda.
Ao lado de Palmirinha está o seu companheiro inseparável, o boneco Guinho, que a auxilia - soprando algo que está previsto no roteiro -, e também empresta um clima mais lúdico ao programa. Abaixo da apresentadora, longe das câmeras e sofrendo de escoliose, está Anderson Clayton, que há 12 anos sustenta e manipula o boneco, e acompanha Palmirinha desde o início de sua estreia na TV Gazeta. “Quando entro no estúdio, eu sinto o cheiro da casa da vovó, tamanho o conceito dela. Mas é uma vovó moderna, alegre, espontânea, tanto que 90% do que é dito é ela que improvisa”, conta Anderson, também assessor de imprensa da apresentadora. “Fico muito feliz de estar com o meu menininho ao meu lado. Porque eu só iria para outro programa se ele fosse junto. Sem o Guinho não é a cozinha da Palmirinha”, enfatiza a apresentadora.
Anderson conta que, antigamente, a imagem da Palmirinha era trabalhada como uma culinarista, aquela senhora que faz receitas para a televisão. No novo formato do programa, ela já é vista como uma apresentadora. Conforme a equipe de produção, por muito tempo a figura da Palmirinha era atrelada à terceira idade - que continua sendo o público fiel. No entanto, de três anos para cá, a apresentadora também alcança o segmento jovem, por isso, a inclusão de músicas mais descontraídas e uma postura mais irreverente da senhora que adota o vocativo “amiguinhas” em seu discurso.
Se o público já sentia falta de Palmirinha, ela também. E, mesmo reconhecendo a importância da televisão em sua vida, a apresentadora diz não se intimidar, caso fosse preciso deixar de vez a telinha. “Se eu tivesse que sobreviver sem os programas, voltaria à rua para vender sonho de porta em porta”, diz. Não será preciso, Palmirinha!