O documento final da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, com 59 páginas, intitulado “O Futuro que Queremos”, é um tratado de reconhecimentos. Nele, a palavra “reconhecemos” aparece 171 vezes, o que denota o seu caráter de passividade em relação ao dilema central que consiste em conciliar desenvolvimento com preservação do meio ambiente. Construído com base num tripé problemático, nos seus âmbitos econômico, social e ambiental, o documento apresenta, logo no seu parágrafo segundo, a pobreza e a fome como os maiores problemas que assolam o mundo na atualidade. Atrelar a erradicação da pobreza e da fome à busca de maiores oportunidades para todos e a melhoria dos níveis de vida básico, por certo irá privilegiar o desenvolvimento econômico em detrimento da busca de soluções para os problemas ambientais.
Assim o futuro que queremos, segundo o documento final da Rio+20, é um futuro de desenvolvimento pleno e para todos e a perder de vista, a real necessidade de preservar e proteger os recursos naturais do planeta. Não foi à toa que os ecologistas reclamaram do relatório final, uma vez que ele não abordou novos e emergentes problemas dos ecossistemas, originados exatamente da busca pelos resultados econômicos – aqui o social aparece como desculpa esfarrapada e a economia verde também – deixando de fora o foco essencial na problemática ecológica.
Para aqueles que colocam nas costas do capitalismo a causa de todo tipo de miséria, o documento é um prato cheio. De fato, ele privilegia o desenvolvimento econômico, ainda que com um viés mais verde, como compromisso e solução única para superar as dificuldades atuais. Os problemas emergentes estão mais vinculados aos PIBs do que ao ambiente e, com isso, dão consistência e razão aos protestos dos ambientalistas. Reconhecemos, nós também, o problema, mas não temos uma solução concreta para apresentar no momento.
Filósofo