A humanidade não se divide, primariamente, em indivíduos, mas em famílias. O indivíduo humano, por mais real que possa parecer, não é senão uma abstração. É visto isolado de sua realidade existencial. Deste modo não consegue viver. Na verdade ele é fundamentalmente família, com amplo parentesco. Depois é comunidade e, por fim, sociedade.
No contexto cultural, o ser humano vem sendo classificado pelo gênero: masculino e feminino. Homem e mulher. Para distingui-los basta ver a compleição física que caracteriza o homem e a mulher, com funções específicas inconfundíveis. A cultura elabora ulteriormente estas características, de modo a não deixar dúvidas. Destaca-as pelo vestuário, pelo perfume, pelo corte de cabelo, pelo sapato, pelas atividades domésticas...
A distinção masculino-feminino, infelizmente começa a ser questionada. Chega a ser eliminada pela tendência unissex e pela homossexualidade. Chegará o dia em que não se distinguirá mais o gênero? Será isto vantagem para a humanidade? Ficará toda ela homogeneizada? Não é, certamente, esta a tendência natural e, muito menos, o plano do Criador. Por isso não é por aí que a pessoa se realiza. Homem e mulher são relações complementares. Criam uma sociedade extremamente diferenciada e rica. Não apenas bipolar, mas multirrelacional: de esposo e esposa; de pai e filha; de mãe e filho; de irmãos e irmãs, de avós e netas; de primos e primas... Eliminar esta riqueza seria o fim da humanidade.
No plano ético costuma-se dividir os seres humanos em bons e maus. Englobem os comportamentos. Quem pratica o mal chama-se malfeitor, e o que faz o bem é benfeitor. Como ninguém é totalmente bom nem totalmente mau, cada um tem algo de um e de outro. Portanto jamais, aqui na terra, se conseguirá acabar com os maus nem a uma unanimidade em torno do bem.
Quanto aos hábitos, temos distinção dos fumantes e não fumantes com tratamento diferenciado. Para se viajar era preciso enquadrar-se numa destas categorias. Os fumantes começaram a constituir perigo para os demais, a ponto de serem confinados e discriminados. Sinto-me feliz por não pertencer a esta categoria!
No plano do esporte não há dúvida quanto a uma clara distinção entre gremistas e colorados. Alguém quererá suprimir esta discriminação ou eliminar estas torcidas?
Lembremos ainda a divisão de raças, caracterizadas pela cor: negra e branca. Trata-se de uma distinção visível, que nem sempre leva a uma convivência pacífica. Será necessário eliminá-la no plano da cor ou do preconceito, ou será preciso aprender a conviver com ela?
Em linha semelhante se encontra a distinção entre nativos e adventícios. No tempo de migrações acentuadas, esta distinção se torna problemática, corroborada especialmente pela xenofobia. Mas logo se pergunta: nativos pessoais ou ancestrais? Imigrantes atuais ou dos antepassados? Como criar convivência entre as pessoas que se distinguem pela origem?
Não é preciso lembrar as distinções ideológicas que foram fatídicas entre comunistas e capitalistas; as distinções religiosas entre crentes e descrentes; entre trabalhadores rurais e trabalhadores urbanos...
A pergunta é se estas distinções devem ser respeitadas ou superadas? A convivência humana, na verdade é feita por meio delas e as acata, respeitando as diferenças. A paz está exatamente na harmonia dos diversos, que assim formam uma sinfonia.