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Governante criou gabinete para fiscalizar ações do novo governo
O presidente deposto do Paraguai, Fernando Lugo, disse ontem que pretende voltar ao poder, buscando o apoio de aliados no país e no exterior para forçar o Congresso a reverter a votação que o derrubou na semana passada. Lugo, que classifica seu impeachment como um rompimento com a democracia, criou um gabinete paralelo, atacou a legitimidade do novo governo e disse que defenderá sua causa na cúpula do Mercosul, que acontece na sexta-feira em Mendoza, na Argentina.
A Suprema Corte paraguaia rejeitou um pedido de apelação de Lugo contra sua deposição. O processo fora aberto com a alegação de que lhe foi negado o direito de um julgamento justo, como garantido pela Constituição. Mas o painel de três juízes rejeitou o pedido, sem fazer comentários, aparentemente encerrando as vias legais para o ex-presidente retornar ao poder.
Lugo também pediu que seus partidários no país, que até agora têm se mantido relativamente calmos, aumentem a pressão contra o novo governo. “Eu quero resistir até reconquistarmos o poder, porque aqui houve um golpe parlamentar”, disse ontem. “Eu peço às pessoas do interior, aos jovens e a todos os cidadãos que resistam até voltarmos ao cargo que tivemos de deixar injustamente.”
Até agora, o apoio local a Lugo tem sido contido. Milhares de pessoas protestaram do lado de fora do Congresso durante a semana. Na capital, várias pessoas participaram de um longo protesto no qual se revezavam num microfone, denunciando a deposição do presidente.
O Congresso paraguaio derrubou o ex-presidente na semana passada num processo extremamente rápido, que teria como justificativa um confronto entre a polícia e trabalhadores sem-terra, no qual 17 pessoas morreram. O Senado declarou Lugo culpado por mau desempenho de suas funções, uma cláusula da Constituição do país que dá ampla margem para interpretação. O então vice Federico Franco deve seguir na presidência até agosto de 2013.