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Editorial Notícia da edição impressa de 19/03/2012

As reformas que o Brasil aguarda e jamais chegam

Será mesmo que o gaúcho sofre no paraíso?  As incongruências, as situações antagônicas, os discursos empolados que pouco se traduzem em ações e a comédia bufa da reforma do estádio Beira-Rio. Nada contra o clube, nem em favor da troca de estádio. Mas o fato está aí, e contra fatos não há argumentos. O então prefeito Telmo Thompson Flores, de 1969 a 1975, lembrava as piadas que ele e outros simpatizantes colorados ouviam quando o Internacional lançou o Beira-Rio. “Vão vender boia cativa”, dizia ele aos jornalistas no tradicional encontro das 18h. Mas o Beira-Rio saiu, como, antes, o Olímpico. Ambos, à época, empreendimentos magníficos. Mesmo com os percalços econômicos, o dólar na gangorra do sobe e desce, a grita por proteção contra os produtos importados e as rusgas com a Fifa, tivemos algo para comemorar. É que o saldo líquido de empregos criados com carteira assinada no País foi de 150.600 em fevereiro. No primeiro bimestre de 2012 foram criados 293.987 empregos formais.

Ao mesmo tempo, com a aprovação da previdência complementar para os que entrarem no serviço público federal a partir de agora, o Brasil terá eliminado – mas apenas em 30 anos – um dos maiores gargalos financeiros e que estrangula o orçamento público para investimentos na sua infraestrutura. São cerca de R$ 60 bilhões de déficit anual no setor, ou seja, a diferença entre o que é arrecadado nos contracheques dos servidores e o que é pago para cerca de um milhão de inativos e pensionistas da União. Enquanto isso, o INSS paga 27 milhões de segurados e o seu déficit, com teto máximo que ronda os R$ 4 mil, é bem menor, algo em torno de R$ 35 bilhões. Enquanto isso, falta dinheiro para saúde, educação e segurança.

Porém, não vamos nos iludir: o grande problema que temos é a desigualdade social. E ela é fruto de um somatório de situações, como a falta da família, a má educação, quando existe, o desemprego e a depressão psicológica que se abate sobre os seres humanos quando eles não têm perspectivas de vida. Sonhos de melhoria, de consumo, de prazeres, mesmo que os prazeres, a disciplina e os deveres devam caminhar juntos. No Brasil de agora há uma execrável liderança, pois somos o país em que ocorrem mais homicídios. A reza que se faz, diariamente, quando um ente querido sai de casa para o trabalho, o estudo ou o lazer, é que Deus não consinta que sejamos o carrasco que sangra as ovelhas nem uma ovelha nas mãos dos bandidos algozes à espreita. Devemos dizer sempre a verdade, e a transparência pessoal, empresarial e nos serviços públicos está, felizmente, entrando na moda. Os brasileiros não devem temer bradar a verdade na presença dos poderosos e dizer mentiras para receber os aplausos dos fracos. Mesmo que alcancemos a riqueza, que não percamos a sabedoria de distinguir o certo do errado. A sensatez deve balizar o trabalho dos políticos, dos parlamentares e dos juízes, que não devem perder a modéstia. Vamos conservar a esperança, à espera das reformas que demoram para serem discutidas e aprovadas, mesmo com o senso comum de mais de uma década de que elas são inadiáveis. Precisamos ter somente o orgulho da dignidade. Faltam-nos gestão, metas, persistência e planejamento estatal. Então, basta. Que venham as reformas.

COMENTÁRIOS
orlando - 19/03/2012 - 18h27
Que texto vazio... Pelo jeito, a reforma que resolverá os problemas do país é a privatização da previdência do setor público. Foi a única coisa atacada objetivamente no texto.

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