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Cinema Hélio Nascimento
hr.nascimento@yahoo.com.br

Cinema

Coluna publicada em 16/03/2012

A chave

O diretor Stephen Daldry tem conseguido destaque com os quatro filmes que realizou até agora: Billy Elliot, As horas, O leitor e este Tão forte e tão perto. O primeiro deles, sobre um menino filho de operários e que entra em conflito com o pai ao desejar estudar balé, pode ser o mais famoso, mas é o terceiro, sobre outro menino, que tem sua iniciação sexual com uma mulher que havia trabalhado para os nazistas num campo de extermínio, o melhor de todos, principalmente pelos seus minutos finais, que resumem todo o drama. O atual, mesmo que não acrescente qualidade à filmografia do cineasta, é um trabalho coerente com os títulos anteriores. No primeiro, o conflito entre filho e pai, finalmente resolvido com uma espécie de voo libertador no último plano; no segundo, até por focalizar os momentos finais da vida de Virginia Woolf, a palavra, como agora, exercia papel importante; no terceiro, outra vez a palavra tinha papel mais do que relevante porque era algo essencial; e em Tão forte e tão perto todos os temas antes abordados estão reunidos. Não há dúvida de que Daldry, mesmo trabalhando sobre fontes literárias diferentes, é um autor, um verdadeiro diretor de cinema, portanto.

O mais recente filme do cineasta, baseado em livro de Jonathan Safran Foer, adaptado por Eric Roth, tem por tema, mais uma vez, o relacionamento entre pai e filho, desenvolvido de forma a conferir à palavra o papel mais destacado. Mas não estamos diante de mais um exemplar de cinema literário. Daldry, que começou no teatro, sabe perfeitamente que no cinema, embora fundamental para a criação de personagem, a palavra não é o ponto final. Ele a utiliza, provavelmente pensando em mestres como Mankiewicz, Visconti, Kazan e alguns outros mais, colocando-a a serviço da narrativa, nunca como elemento que a conduz. Em O leitor, uma das mais belas homenagens quer o cinema prestou à literatura, o emprego da palavra fazia a ação retroceder até o momento em que a leitura revelava seu ponto mais importante: o encontro indispensável de seres humanos. Tão forte e tão perto tem como protagonista um menino atormentado pela perda do pai, uma das vítimas do atentado de 11 de setembro de 2001, o pior dos dias como ele define aquela data. Mas o supremo ato de violência daquele dia não é o tema principal do filme. O que interessa a Daldry é a imensidão de uma perda e as dificuldades para compensá-la.

Trata-se, basicamente de uma busca, na qual uma chave parece ser a solução, mas é apenas a abertura para um caminho. O menino não consegue controlar sua emoção e a transforma em palavras que agridem e formam uma muralha protetora. Os enigmas e as pesquisas propostas pelo pai o encaminham certamente para a harmonia e a libertação, como está expresso no último plano, praticamente o mesmo de Billy Elliot. Se o menino fala em excesso, o velho, testemunha de outro horror, a destruição de Dresden, permanece mudo todo o tempo. Mas não abdica da palavra, que surge em sua forma escrita. Na cena final, como se as duas gerações anteriores se reunissem é através da palavra escrita que o pai se comunica, pela última vez, com o filho. O desespero ao telefone se transforma na serenidade do bilhete. A paz é então reencontrada. Daldry, narrando fatos relacionados ao 11 de setembro, não se deixa levar por nenhum gênero de revolta superficial. A dor maior fica centralizada na figura do filho, perdido na grande cidade, que ele percorre como se fosse um explorador, na busca de um reencontro para ele essencial. O cineasta procura fazer de seu novo filme um prolongamento dos anteriores. Esta reconstituição da figura paterna, presente também no último plano de O leitor, é um olhar para o equilíbrio perdido. A angústia do menino passa a ser assim um símbolo e um resumo de uma humanidade em busca de valores perdidos, algo presente também nos personagens visitados pelo protagonista durante sua jornada até o cenário revelador de uma infância e de uma alegria sufocada pela realidade.

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