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Editorial Notícia da edição impressa de 07/03/2012

Menos juros e tributos para um PIB maior em 2012

Repete-se há anos, mas o otimismo e a esperança – em 2012 teremos crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) entre 4% e 4,5%, segundo Guido Mantega – sempre arranjam uma desculpa. O fato é que o PIB de 2,7% foi decepcionante, chegando a R$ 4,143 trilhões em 2011. Juro recorde, real sobrevalorizado, déficit nas contas públicas e carga tributária asfixiante fizeram acontecer o esperado, PIB de parcos 2,7%. Geralmente, o medo provém da experiência e da falta dela. O Brasil passou maus momentos por conta do descontrole das contas públicas que geraram altos déficits e inflação escorchante dos salários e impeditiva de obras de infraestrutura.

Pois nesta quarta-feira, na segunda reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central em 2012, temos uma polêmica nos analistas financeiros. Alguns economistas e o mercado de juros futuros se apoiam no argumento de que o tsunami monetário - frase usada pela presidente Dilma Rousseff na Europa - esteja atingindo o Brasil atraído pelo diferencial de juros. A Selic, atualmente em 10,5%, continua na lista das taxas mais altas do mundo. Daí a aposta em um corte de 0,75 ponto percentual, diminuindo o poder de a taxa atrair moeda estrangeira. O fato é que, desde a semana passada, os operadores estão trabalhando com uma queda de 0,75 ponto percentual no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). Então, os juros no Brasil cairiam dos atuais 10,50% para 9,75% ao ano.

Para a Força Sindical, o crescimento de 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado é um resultado “pífio, resultado da equivocada política econômica do governo”. A Força Sindical classifica o resultado como “pibinho” e destaca que é um número “decepcionante para toda a economia brasileira”. Antes da injeção de capital do Banco Central Europeu, do qual a presidente Dilma muito reclamou em Hannover, as apostas eram de corte de 0,50 ponto percentual. Mas o Banco Central trabalha com um conjunto de fatores, como a percepção de risco no caso de moedas como o real, preço de commodities e tendência do dólar americano contra outras moedas. O fato é que os produtos brasileiros estão perdendo competitividade há dois anos, por conta do real valorizado, dos tributos internos e da insistência em vendermos sem valor agregado.

Por isso, Dilma Rousseff disse que o governo brasileiro estuda novas medidas para proteger o câmbio. O objetivo é evitar a valorização excessiva do real diante da entrada de dólares causada pela injeção de recursos por países desenvolvidos para estimularem suas economias. Mas a presidente negou haver estudo para a imposição de uma quarentena, que estabeleceria um prazo mínimo de permanência do capital estrangeiro no País. Segundo ainda Dilma Rousseff, “está em andamento uma forma concorrencial de proteção de mercado na Europa que é o câmbio, uma forma artificial de proteção do mercado. Somos uma economia soberana. Tomaremos todas as medidas para nos proteger”, sustentou a presidente. Então, seja de 0,5 ou de 0,75 ponto percentual, a Selic terá nova baixa hoje. A indústria agradecerá.

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