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Portos Notícia da edição impressa de 01/03/2012

Tecon Rio Grande aposta na qualidade para superar concorrência

Jefferson Klein

MARCELO G. RIBEIRO/JC
Mais seis guindastes RTGs (sobre pneus) chegarão à estrutura, que completa 15 anos de operação hoje.
Mais seis guindastes RTGs (sobre pneus) chegarão à estrutura, que completa 15 anos de operação hoje.

O porto do Rio Grande está localizado em uma posição privilegiada dentro do Conesul, mas nem por isso deixa de registrar uma forte competição com outros complexos instalados próximos como, por exemplo, os de Santa Catarina. Para superar o desafio, o terminal de contêineres Tecon Rio Grande pretende investir em novos equipamentos e serviços.

Somente neste ano, mais seis guindastes RTGs (sobre pneus) chegarão à estrutura, que completa 15 anos de operação neste 1 de março. O diretor-presidente do Tecon Rio Grande, Paulo Bertinetti, destaca a ideia de mudança de concepção do manuseio de contêineres no pátio. “É uma forma de provocar menos remoções, de ter uma operação mais segura e com tecnologia mais moderna”, comenta o dirigente. Recentemente, o terminal também finalizou a implantação de dois dolphins (estacas de concreto para atracação) e está aprofundando o seu calado de 12 metros para 15 metros. A dragagem, que terá um custo de aproximadamente R$ 3 milhões, deverá ser concluída ainda neste mês.

No dia 14 de março será feita uma comemoração de aniversário, que deverá contar com a presença do diretor-superintendente do Grupo Wilson, Sons (empresa controladora do Tecon), Cezar Baião, na Ilha da Pólvora, tradicional ponto turístico da cidade. Bertinetti, que acompanhou o desenvolvimento do terminal desde sua origem, lembra que cerca de US$ 100 milhões foram investidos no empreendimento até agora. O dirigente defende que os objetivos da privatização do terminal de contêineres foram alcançados. Ele comenta que a meta era melhorar a relação capital e trabalho, gerando empregos, mais investimentos, ganho de volume e transparência nas operações portuárias. Soma-se a isso uma estrutura com três berços de atracação, totalizando 900 metros de cais, e uma capacidade para movimentar 1,25 milhão de TEUs (unidade equivalente a um contêiner de vinte pés) anualmente.

Com essas condições e novas melhorias o foco é crescer nos próximos anos. “Estamos trabalhando para trazer carga para o porto, com mais mercadorias sendo conteinerizadas”, diz Bertinetti. Ele relata que madeira, celulose e a soja, para listar alguns itens, podem seguir o modelo do arroz que cada vez mais é transportado dessa forma. Além disso, o dirigente sustenta que é possível atrair produtos dos países vizinhos - Argentina e Uruguai - e fidelizar a carga gaúcha.

Apesar de o Tecon ter movimentado 639.126 TEUs em 2011, contra 666.242 em 2010, Bertinetti argumenta que a queda deve-se a fatos pontuais da economia mundial. Ele acrescenta que, apesar da redução do volume total, alguns segmentos apresentaram crescimento, como a cabotagem, com 23% de incremento.

Martini Meat inaugura estrutura para carga refrigerada

Uma forma de expandir o volume de cargas transportadas pelo Tecon é a formação de parcerias e aprimoramento de serviços. Uma dessas iniciativas está sendo desenvolvida com a companhia Martini Meat. A inauguração do armazém frigorificado da empresa em Rio Grande acontecerá nesta primeira quinzena de março.

A unidade terá capacidade para armazenar até 13 mil toneladas. O grupo investiu cerca de R$ 45 milhões no empreendimento. O gerente de operação da Martini Meat, Adilson Eduardo Assunção, detalha que a estrutura permitirá a atração para Rio Grande de clientes que trabalham com cargas frigorificadas. “Muitas fábricas gaúchas levavam essas mercadorias para Santa Catarina”, informa. Assunção afirma que, com a utilização da unidade da Martini Meat e do Tecon, o custo logístico para essas companhias será menor. O complexo fica localizado no Distrito Industrial do município, a cerca de três quilômetros do terminal.

As principais cargas que deverão usar o complexo serão carnes de frango, suína e bovina. Assunção adianta que a intenção é absorver cargas do Rio Grande do Sul e de fora do Estado que terão como destino, principalmente, a exportação. Ele relata que o projeto prevê, com a confirmação da demanda crescente, dobrar a capacidade do armazém em 2013.

Antes da operação do armazém, o Tecon já oferecia o serviço de reefer intelligence (canal de atendimento aos clientes do segmento de cargas refrigeradas). Outra ferramenta usada pelo Tecon é o ImportDesk. Trata-se do relacionamento direto da empresa com o importador. Profissionais especializados em comércio exterior acompanham os processos em momentos decisivos para o bom andamento da movimentação da carga, em função de toda a documentação envolvida no processo.

Meta é desenvolver alternativas de movimentação

O maior uso da hidrovia e da ferrovia é defendido pelo diretor-presidente do Tecon Rio Grande, Paulo Bertinetti, como uma maneira de aumentar a operação com contêineres na região. Há cerca de quatro anos, o Tecon chegou a mencionar a intenção de implementar um cais específico para barcaças. Porém, o fim das atividades com contêineres do Terminal Santa Clara (localizado ao lado do Polo Petroquímico de Triunfo e com acesso ao rio Jacuí), atrapalhou esse planejamento.

O Terminal Santa Clara seria o ponto de ligação de cargas com a estrutura de barcaças do Tecon em Rio Grande. No entanto, o complexo parou de operar com essa modalidade de transporte no início de 2009, para se adaptar ao recebimento de etanol que é empregado pela empresa Braskem para a fabricação do chamado plástico verde. Apesar desse contratempo, Bertinetti não abandonou os planos.

“O terminal de barcaças é como aquela namorada de colégio que queríamos andar de mão dada, é um grande sonho”, brinca o dirigente. Ele afirma que mais do que um negócio, trata-se de uma estratégia de facilitação para que cargas oriundas do centro do Estado cheguem a Rio Grande, a um custo baixo. Entretanto, para um empreendimento como esse ser viável, é preciso desenvolver e estimular o aproveitamento da hidrovia gaúcha. “Somos parceiros de qualquer companhia que se interessar por esse projeto”, adianta Bertinetti. Ele explica que uma dificuldade a ser enfrentada é o volume de carga a ser transportada para viabilizar o investimento.

O executivo lembra que se transportou em torno de 19 mil contêineres por barcaças na hidrovia gaúcha no ano de 2003, recorde dentro do Estado. Em janeiro de 2009, durante as últimas movimentações antes do término das operações do Terminal Santa Clara, foi registrada uma movimentação de 566 contêineres por barcaças. Para o diretor-presidente do Tecon Rio Grande, existe espaço na Região Metropolitana de Porto Alegre para a instalação de um novo terminal de contêineres. Ele calcula que há mercado para o deslocamento de cerca de 25 mil contêineres ao ano.

Se o uso das barcaças é uma iniciativa ainda a ser trabalhada, a utilização do modal ferroviário para o deslocamento de contêineres está intensificando-se. De acordo com Bertinetti, a estimativa é de que neste ano cheguem e saiam do Tecon Rio Grande, através de trens, em torno de 14 mil contêineres. No ano passado, o número foi de aproximadamente 11 mil unidades. Um dos motivos para esse cenário, aponta o dirigente, foi a parceria com a Brado Logística. A empresa criada pela ALL (que detém a concessão da malha férrea no Rio Grande do Sul) para atuar no segmento de contêineres, teve origem no final de 2010 e imediatamente realizou a fusão com a Standard Logística, companhia com experiência em cargas frigorificadas, com base intermodal.

“A gente tenta entender a necessidade do dono da carga e aproximamos o cliente de quem pode resolver o problema dele”, destaca Bertinetti. O executivo sustenta que uma maneira de aprimorar o acesso de cargas ao porto de Rio Grande por esse modal, seria construir uma ferrovia que ligasse diretamente a região de Caxias do Sul até o município.

Dirigente defende igualdade nas condições de concorrência

Uma preocupação dos terminais gaúchos é a disputa com outros portos brasileiros que contam com benefícios locais, como os complexos catarinenses que podem usufruir do programa Pró-Emprego. Apesar do ICMS incidente sobre as importações em Santa Catarina ser de 17%, o mecanismo permite que na prática esse percentual caia para 3,4%. Já o Rio Grande do Sul adota essa medida apenas quanto a alguns produtos específicos, como matéria-prima de medicamentos destinados ao combate da Aids.

O diretor-presidente do Tecon Rio Grande, Paulo Bertinetti, enfatiza que essa guerra fiscal é uma dificuldade enfrentada pelo Estado. “Só queremos as mesmas regras”. E acrescenta que o grande volume de carga no Estado está concentrado no Norte e Nordeste e o porto encontra-se no outro extremo. Ou seja, a distância dos portos catarinenses para algumas empresas gaúchas é praticamente equivalente a de Rio Grande.

Outra questão que onera o aproveitamento do porto do Rio Grande são os pedágios entre a cidade e Porto Alegre. Bertinetti adianta que será discutido com o governo estadual um incentivo para as transportadoras optarem por Rio Grande ao invés de Santa Catarina.

Quanto à infraestrutura, Bertinetti admite que as duplicações das rodovias BR-116, entre Eldorado do Sul e Pelotas, e a da BR-392, entre esse município e Rio Grande, são benéficas para o acesso ao porto. No entanto, ele acredita que a duplicação da BR-101, de São José do Norte até Capivari do Sul, com a construção de uma ponte entre São José do Norte e Rio Grande, sobre a Lagoa dos Patos, ajudaria mais a região. “Precisamos de um apoio maior do Estado e da União, para promover o desenvolvimento e não somente o crescimento”, diz.

Polo Naval representa uma nova fonte de demanda

Para quem tinha a preocupação de que a atividade de construção naval em Rio Grande pudesse gerar dificuldade quanto à operação portuária, o que se verificou até o momento prova o contrário. O diretor-presidente do Tecon Rio Grande, Paulo Bertinetti, recorda que a Quip, quando montou a primeira plataforma de petróleo no Estado, a P-53, chegou a ser a sexta maior cliente do terminal com a importação de peças. Ele argumenta ainda que o Tecon também será beneficiado com o seu novo “vizinho”, o estaleiro da Wilson, Sons. O empreendimento construirá pequenas e médias embarcações para apoio marítimo e portuário para atender às demandas da indústria de petróleo e gás. Outro possível cliente para o Tecon provém do setor de papel e celulose. A empresa CMPC Celulose Riograndense já adquiriu área em São José do Norte para instalar um terminal destinado a escoar celulose, porém, agora, Rio Grande aparece como opção para receber o empreendimento. Se confirmada a troca do local para a implantação da estrutura, provavelmente ela ficará próxima ao Tecon.

Além da perspectiva de mais cargas, o Tecon e o porto do Rio Grande terão que atender a novas demandas. O instrutor de Operações do Tecon, Dinarte Touguinha, detalha que é uma necessidade devido ao tamanhos dos navios. Uma prova disso foi a chegada em fevereiro do maior navio porta-contêiner já registrado em águas brasileiras, o Cosco Vietnam. Com bandeira de Hong Kong, tem 334 metros de comprimento, 42,8 de boca (largura máxima), calado de 14,5 metros em máxima carga e capacidade de armazenar 8.208 TEUs.

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