Porto Alegre, segunda-feira, 20 de outubro de 2014. Atualizado às 21h39.
Hoje é Dia do Poeta. Hoje é Dia do Arquivista.
PREVISÃO DO TEMPO
PORTO ALEGRE AMANHÃ
AGORA
16°C
23°C
12°C
previsão do tempo
COTAÇÃO DO DÓLAR
em R$ Compra Venda Variação
Comercial 2,4290 2,4310 1,33%
Turismo/SP 2,2900 2,6100 2,61%
Paralelo/SP 2,3000 2,6100 2,97%
mais indicadores
Página Inicial | Opinião | Economia | Política | Geral / Internacional | Esportes | Cadernos | Colunas
ASSINE  |  ANUNCIE  |  ATENDIMENTO ONLINE
» Corrigir
Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.
Nome:
Email:
Mensagem:
» Indique esta matéria
[FECHAR]
Para enviar essa página a um amigo(a), preencha os campos abaixo:
De:
Email:
Amigo:
Email:
Mensagem:
 
» Comente esta notícia
[FECHAR]  
  Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.  
  Nome:  
  Email:    
  Cidade:    
  Comentário:    
500 caracteres restantes
 
Autorizo a publicação deste comentário na edição impressa.
 
174740
Repita o código
neste campo
 
 
COMENTAR CORRIGIR ENVIAR imprimir IMPRIMIR
Teatro Antônio Hohlfeldt
a_hohlfeldt@yahoo.com.br

Teatro

Coluna publicada em 17/02/2012

Reencontro com a boneca Teresa

Tive a oportunidade de assistir à estreia de Boneca Teresa ou Canção de amor e morte de Gelci e Valdinete, em 1975, no Teatro de Arena. Trinta e sete anos depois, esta mesma peça recebe nova montagem, iniciativa das atrizes e diretoras Jordana de Moraes (Valdinete) e Larissa Gonzalez (Gelci). Num ambiente bastante sintético, criado por Nani Farias, figurinos das próprias atrizes, iluminação de Dionatan Rosa (um bom achado a troca de luzes quando as mulheres estão na delegacia) e som de Cícero Melo, o espetáculo é um dos bons momentos da mostra de verão deste ano.

Boneca Teresa é um dos grandes textos dramáticos de Carlos Carvalho. Através de uma situação concentrada em um contexto já clássico no teatro - personagens colocados por decisão de outrem em espaço fechado, uns frente aos outros - retoma, evidentemente, o conhecido trabalho de Jean-Paul Sartre Entre quatro paredes mas, ao contrário do dramaturgo e filósofo francês do existencialismo, a peça, embora crítica, não é cética e defende, sim, a possibilidade do humano mesmo entre criaturas reificadas e na mais absoluta solidão.

O tema da solidão foi uma constante na dramaturgia de Carlos Carvalho. Isso ocorre com Pt saudações ou em O pulo do gato, seu último trabalho (Carlos Carvalho faleceu enquanto preparava a estreia deste texto). O ser humano encontra-se sozinho diante dos demais. É neste sentido que a formação humanista de Carlos Carvalho encontra a justificativa de sua escrita: por mais abandonadas que estejam, as personagens ainda alcançam um sentido de humanidade que as redime. No caso desta peça - duas mulheres trancadas em um apartamento desconhecido, atraídas por um homem desconhecido -, não obstante seus problemas particulares, conseguem o diálogo e a mais íntima comunicação possível: mesmo desprezada pelos preconceitos de Gelci sobre sua pessoa, Valdinete, a prostituta, não consegue abandonar a eventual companheira que sofre das consequências de um aborto criminoso e acaba retornando para auxiliar a outra. O diálogo seco, contrastado entre a aparente insensibilidade de Valdinete e a ingenuidade de Gelci, permite ao espectador desenvolver toda uma reflexão sobre a condição humana que se traduz, sobretudo, na identificação de um ser com o outro, o que o leva a distanciar-se da condição alienada a que estaria condenado. É isso que salva Valdinete, filosoficamente falando, assim como salva Gelci, biologicamente referida.

O que é mais emocionante é que, quase 40 anos depois de sua estreia, o texto continua vivo e emocionante. Jordana de Moraes incorpora a figura de Valdinete, enquanto Larissa Gonzalez, com alguns problemas de postura corporal (pernas encolhidas ao longo de quase toda a encenação) não deixa de dar humanidade à figura de Gelci, pois tão maior é sua figura física, tão menor é sua força para enfrentar a adversidade, o que bem traduz em trejeitos e excelentes entonações. A pequena plateia da Sala Álvaro Moreira não respirou durante todo o espetáculo e ao final quase nem queria sair, como se precisasse emprestar sua solidariedade às duas personagens. Isso é raro no teatro e evidencia o quanto a encenação tocou o público.

É bom que, mesmo em meio à canícula que nos assola, felizmente diminuída com o ar-condicionado da sala, o Porto Verão Alegre não se restrinja a comédias. Nada contra, é claro, mas é sempre bom a gente se emocionar com um texto dramático, quase trágico como este. Mostra que o teatro ainda está vivo. 

COMENTÁRIOS
Deixe seu comentário sobre este texto.

DEIXE SEU COMENTÁRIO CORRIGIR ENVIAR imprimir IMPRIMIR
COLUNAS ANTERIORES
Aproximações e diferenciações
Como brasileiro, tive uma estranha reação ao chegar a Portugal, nestes dias, e assistir às grandes comemorações que marcam a passagem dos 40 anos da Revolução dos Cravos, o 25 de abril de 1974, quando acabou a ditadura do Estado Novo

 EDIÇÃO IMPRESSA

Clique aqui
para ler a edição
do dia e as edições
dos últimos
5 anos do JC.


 
para folhear | modo texto