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ARTES VISUAIS Notícia da edição impressa de 26/01/2012

O traçado íntimo do nu artístico

Priscila Pasko

Fotos JOÃO MATTOS/JC
Interessados em aperfeiçoar desenho da figura humana se reúnem semanalmente na Casa de Cultura
Interessados em aperfeiçoar desenho da figura humana se reúnem semanalmente na Casa de Cultura

Logo é dado à luz, o indivíduo expõe sua nudez crua, frágil, delicada e desprovida de qualquer pudor, que, aos poucos, lhe será acrescido como um ônus a sua ousadia de estreia na vida. Com o passar dos anos, aprende-se que a intimidade do corpo deve permanecer quase cauta, levando o olhar a estranhar qualquer manifestação de nudez mesmo que dela se tenha originado.

A arte, talvez, tenha executado a função de refil, creditando a exposição pública de algo que ainda causa certo embaraço. Revela ao observador detalhes, curvas e saliências, que, mesmo se tratando de indivíduos distintos, conservam a semelhança do gênero ou da alma que ali se mostra no nu artístico. Revelar tais nuances também se torna um desafio para a fotografia. Nela, o resultado da imagem exibida precisa atingir a medida certa para que não se fuja da intenção inicial. “Eu levei algum tempo para entender a diferença do nu artístico para o convencional, sem graça ou exagerado. Mas percebi que o detalhe estava na sutileza, no ângulo. O olhar faz muita diferença na fotografia”, conta Edgar Neumann. Ele ministra de hoje até 7 de fevereiro aulas de nu artístico na fotografia. A oficina, realizada no estúdio da escola Câmera Viajante (24 de outubro, 507/10), orienta os interessados sobre técnicas de iluminação, produção, direção de modelo, tratamento de imagem, entre outros detalhes que influenciam de forma significativa o resultado final.

Edgar também atua com contratos, quando a cliente - ele não fotografa homens - deseja produzir um book pessoal ou para presentear o marido ou namorado. Tudo começa quando a futura modelo envia por e-mail imagens nas quais gostaria que Edgar se baseasse. É então que ele avalia que tipo de foto a cliente deseja.  O motivo pelo qual as mulheres solicitam este tipo de serviço não está na ponta da língua de Edgar, mas arrisca: “A mulher se olha no espelho o tempo todo. A foto faz com que ela se veja de maneira um pouco diferente. Tem um cenário, uma posição... Por causa disso, se acha mais bonita”.

Artistas de meados do século XIX como Toulouse-Lautrec, Modigliani ou Egon Schiele pintaram a nudez com tanto desembaraço quanto algumas obras apresentadas hoje, em pleno século XXI. “O nu existe desde o início da civilização. E é bonito, senão teria deixado de existir, o que nunca aconteceu”, aponta a coordenadora dos Cursos Integrados de Arte da Pucrs, Tânia Bian. Ela conta que os primeiros registros datam da pré-história, quando as mulheres nuas e grávidas eram retratadas em rochas, pois não se entendia como o corpo se transformava.

Tânia ainda destaca que o nu dentro da arte tem vital importância. “Não existe desenhista de figura humana que não tenha começado no nu. Toda a história da proporção vem dele, como as proporções gregas, por exemplo.” Mesmo quando as normas de comportamento de determinada época impediam que senhoras da alta sociedade se expusessem, os artistas lançavam mão de alternativas viáveis. “O pintor neoclássico escolhia alguém anatomicamente similar e fazia o desenho nu. Depois a modelo era ‘vestida’ com a aparência da dita senhora.”

Para Tânia e algumas pessoas que conhecem ou trabalham com a arte, a adjetivação que o nu recebe não se faz tão necessária. “O nu artístico é aquele visto com olhos de magia, de fantasia, de equilíbrio, bom gosto e estética. É o nu trabalhado por um artista. Mas nu é sempre nu, não interessa se é artístico ou não.” A professora explica, por exemplo, que o da exposição sexual também pode ser considerado artístico, desde que haja cuidado com iluminação, acessórios, cenografia. “As revistas masculinas nos mostram um nu sexual, mas se existe toda esta preocupação, então é artístico. Só não é artístico se for casual”, conclui.

A transparência do corpo

Avani, aluna de desenho nu artístico, prefere os traçados mais ágeis
Em uma sala do segundo andar da Casa de Cultura Mario Quintana, 10 pares de olhos, posicionados em semicírculo, estão voltados para o mesmo ponto. Os ruídos se limitam aos carros que passam na rua e aos lápis que riscam em ritmos variados. No papel, seios, pernas, nuca, ventre e pés. Deitada no centro da sala está Natália Chaves Bandeira, a modelo que empresta a sua nudez à prática do riscado dos artistas. Ela deixa próximo ao seu corpo o celular, que vai cronometrando o tempo em que deve - ou permite - ficar em determinada posição, geralmente, não ultrapassando 20 minutos.

Estudante de Artes Visuais na Ufrgs, Natália já esteve do outro lado desenhando modelos nus, por isso, já consegue sugerir com mais desenvoltura posições e impor o tempo que o seu corpo suporta. “Senão fico muito escrava do ritmo de cada um”, conta ela.

Natália integra um time de modelos que se revezam a cada mês na oficina. São atores, atrizes, artistas que se oferecem à Casa em troca de um cachê.

Uma das artistas mais antigas que frequenta a oficina, Avani Schier diz que a troca é muito positiva para quem desenha, já que treina diferentes traços. “Cada pessoa tem sua história, traço e jeito. E cada um desenha a sua maneira. A figura humana é o que mais me atrai porque o artista pode passar a vida inteira desenhando, mas cada modelo, a cada vez que você for desenhar, sempre será diferente. Tudo depende da expressão dele e de como estamos.”

Para a experiente Avani, o artista deve estar “preparado, presente para desenhar. Entregar-se ao desenho e ao momento que se desenha, o registro está além das linhas do corpo”. Está na alma, muitas vezes, a parte mais crua e transparente do ser.

COMENTÁRIOS
Marcia - 26/01/2012 - 11h39
Eu espera mais da reportagem.Espera que aparece todos desehos e incuive a exposição que o grupo participou

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