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EXPOSIÇÃO Notícia da edição impressa de 20/01/2012

A Colômbia de Botero

Michele Rolim

MUSEU NACIONAL DA COLÔMBIA/DIVULGAÇÃO/JC
Obra Masacre en Colombia
Obra Masacre en Colombia

Uma das grandes referências em arte latino-americana, o colombiano Fernando Botero, 79 anos, está em cartaz em Porto Alegre na exposição Dores da Colômbia. A exibição acontece no Centro Cultural Erico Verissimo, a partir desta sexta-feira, com curadoria do próprio Museu Nacional da Colômbia, localizado em Bogotá. São 67 obras, produzidas entre 1999 e 2004, impressões do artista sobre os episódios de violência que atingiram o país, principalmente na década de 1980 e 1990. A mostra já passou por diversos países, e é a segunda vez que a coleção vem ao Brasil.

Recentemente um fato inédito aconteceu na Colômbia. No documentário Los pecados de mi padre (2010), Juan Escobar pediu perdão às vítimas do pai, Pablo Escobar, chefe supremo de uma das mais poderosas organizações criminosas do mundo e o foragido mais procurado da Colômbia. Mais de 15 anos após a morte de Escobar, abatido a tiros em Medellín em 1993, as forças de segurança continuam a combater traficantes de drogas que ocuparam o vazio deixado pelos grandes cartéis dos anos 1980 e 1990.

Milhares de pessoas morreram na violência desencadeada por seu cartel. Os abusos sofridos pelo povo colombiano como consequência da ação de grupos guerrilheiros, políticos e paramilitares, além de serem retratados em vídeo, foram documentados nas pinturas do colombiano, nascido em Medellín, Fernando Botero, 79 anos.

O artista, uma das grandes referências em arte latino-americana, é conhecido por seu traço sensual e figuras voluptuosas. Entre as suas obras mais populares estão as releituras bem-humoradas e satíricas de O casal arnolfini, de Jan van Eyck, e Mona Lisa, de Leonardo da Vinci.

A exposição Dores da Colômbia, que tem inauguração nesta sexta-feira, no Centro Cultural Erico Verissimo, com curadoria do próprio Museu Nacional da Colômbia, apresenta 67 obras, desenvolvidas entre 1999 e 2004, com suas figuras habituais. Elas revelam um testemunho visceral de um dos piores momentos da história da Colômbia.

No catálogo da exposição, Botero escreve: “Sou contra a arte como arma de combate, mas em vista do drama que sofre a Colômbia senti a obrigação de deixar um registro sobre um momento irracional de nossa história”. Segundo a representante do Museu Nacional da Colômbia, Natalia Bonilla, além de relacionar arte e política, o artista busca com estes trabalhos denunciar e representar a violência que o povo colombiano sofreu. Sobre o tema, Natalia recorda que ele também realizou, em 2005, uma série sobre a Prisão de Abu Gharib, baseada nas declarações de algumas pessoas que foram torturadas no local. “Esta série, assim como a sobre violência na Colômbia, busca marcar a memória de todos para recordá-los que acontecimentos como este não deveriam acontecer novamente”, opina Natalia.

São seis aquarelas, 36 desenhos e 25 pinturas que representam a violência vivida na Colômbia durante os anos 1990. Entre os destaques da mostra estão as diferentes temáticas trabalhadas. Há, por exemplo, obras de mulheres chorando, em que mães, esposas e irmãs lamentam a morte de seus entes queridos.

Outro tema também explorado são os sequestros, mostrando pessoas em cativeiro, prisioneiros da dor física e moral que a situação os impõe. Um assunto bastante representativo são os artefatos utilizados na guerra do narcotráfico, como carros, bombas, armas etc, assim como os atores da guerra: guerrilheiros, civis, sicários etc. Também chamam atenção pinturas de caveiras, que representam a paisagem da Colômbia como o país da morte.

Para Natalia, “as obras retratam distintos fatos tristemente acontecidos”. Ela cita como exemplo o quadro Carro bomba (1999), uma mostra precisa de como se utilizam automóveis para levar artefatos explosivos até um ponto da cidade; El desfile (2000), representação de um enterro coletivo que acontece nos povoados colombianos depois de grandes massacres nos quais morrem centenas de pessoas; e ainda a pintura Sicario (2002), representação dos matadores de aluguel contratados pelos traficantes para executarem alguém.

Apesar de não residir na Colômbia há mais de 40 anos, Botero disse várias vezes que se sente muito próximo de seu povo. A sua obra tem características próprias que refletem, de uma ou outra maneira, o povo colombiano, mas que, ao mesmo tempo, são universais. Em 2011, por exemplo, algumas obras do artista colombiano estiveram em leilões da Sotheby’s Christie’s, uma delas vendida por mais de um milhão de dólares.

Independentemente da temática, Natalia explica que as cores que ele sempre utiliza têm uma relação direta com os matizes dos povos colombianos. “Cores fortes, vivaces, que remetem às ruas, cidades, montanhas e paisagens em geral que temos em nosso país”, diz a representante do Museu.

Dores na Colômbia

Do artista Fernando Botero
Centro Cultural Erico Verissimo (Andradas, 1.223)
Curadoria: Museu Nacional da Colômbia
Visitação: de 21 de janeiro a 8 de março de 2012, de terça a sexta, das 10h às 19h, e nos sábados, das 11h às 18h
Entrada franca

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