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Teatro Antônio Hohlfeldt
a_hohlfeldt@yahoo.com.br

Teatro

Coluna publicada em 10/01/2012

A cidade em dia com a cena internacional

ELENIZE DEZGENISKI/DIVULGAÇÃO/JC
Montagem de Tio Vânia resultou em espetáculo burocrático
Montagem de Tio Vânia resultou em espetáculo burocrático

Os espetáculos que nos visitaram, ao longo de 2011, de modo geral, foram bastante significativos. Para isso, colaborou o fato de que, além do Porto Alegre em Cena, tivemos a realização da sexta edição do festival Palco Giratório, do Sesc, entre nós e, surpreendentemente, recebemos um Festival do Teatro Brasileiro patrocinado pela Petrobras, com espetáculos oriundos de Minas Gerais e produzidos nos últimos anos, e que passaram pelo Sul do País, para além, evidentemente, da temporada desenvolvida na ribalta do Theatro São Pedro.

As coisas começaram a se movimentar, de fato, a partir de maio, graças ao Sesc. Aí tivemos uma série de espetáculos que se apresentaram em diversas casas da cidade, como a produção de Trilhas sonoras de amor perdidas, do Paraná; Concerto de Ispinho e Fulô, de São Paulo; O julgamento do macaco, baseado no conhecido texto de Kafka - Informe a uma academia - Frankenstein, de São Paulo, e assim por diante. Assisti ao extraordinário R&J de Shakespeare - Juventude interrompida, com direção de João Fonseca, sem dúvida um dos mais criativos e bonitos espetáculos que nos visitaram durante a temporada. Em compensação, o texto Felizes para sempre, do dramaturgo paulista Mário Bortolotto foi um espetáculo que revelou três textos curtos do jovem dramaturgo, que mais adiante viria a Porto Alegre, inclusive. Particularmente, achei os textos repetitivos e com uma virulência que, se remete a Plínio Marcos, não tem a naturalidade e a organicidade dos textos daquele grande dramaturgo dos anos 1970. De qualquer modo, foi importante conhecer este trabalho, uma vez que o teatro brasileiro anda necessitado de novos autores: desde o final da ditadura, e lá já se vão quase três décadas, praticamente não descobrimos nenhum grande nome para o teatro brasileiro, o que é preocupante.

No mesmo mês de maio recebemos, ainda, a Cia.Wupperthal de Dança, criada pela falecida Pina Baush, e que nos apresentou um de seus últimos trabalhos, Ten Chi, inesquecível e profundamente emocionante: foi, sem dúvida, o grande momento da temporada, que teria, não obstante, outros significativos espetáculos na agenda, como se verá a seguir.

O Festival do Teatro Brasileiro ocorreu em junho, trazendo uma dezena de produções mineiras de anos recentes. A primeira grande surpresa foi Coreografia de cordel, da Cia. de Dança do Palácio das Artes, de Belo Horizonte. Para quem, sugestionado pelo título da obra, imaginasse um espetáculo folclórico, ficou a decepção: ao contrário, o grupo apresentou um trabalho profundamente contemporâneo, em que a experimentação é tão radical que nem trilha sonora existiu!

Foi frustrante, em compensação, a encenação de Tio Vânia, de Tchekov, pelo Grupo Galpão, que se limitou a um espetáculo burocrático, sem qualquer emoção, compensado pelo provocativo e oportuno Hamelin, do espanhol Juan Mayorga, com direção de André Paes Leme, a respeito de pedofilia e do desafio de os pais enfrentarem tais dificuldades. Um momento difícil mas inesquecível do teatro nesta temporada, fez calar a plateia e emocionou a todos, especialmente pelo seu final.

A dança voltou a chamar a atenção em outubro, quando o grupo de Antonio Gades revisitou Porto Alegre, trazendo, mais uma vez, Carmen, só que desta vez sem a sua grande estrela que viveu a personagem, tanto no filme de Carlos Saura quanto na montagem que nos visitou, anos atrás.

É evidente que, em setembro, todos nos dedicamos a usufruir das atrações extraordinárias do Porto Alegre em Cena. Muita coisa poderia ser destacada, é claro, mas eu fico com alguns poucos espetáculos que fugiram ao corriqueiro, como a Flauta encantada de Peter Brook, Krapp’s last tape, texto de Beckett, na versão de Bob Wilson, e o extraordinário Medéia, na performance do grupo de Burkina Faso, sob a direção de Jean-Louis Martinelli. Do Uruguai, há que se citar, obrigatoriamente, Ella, de Susana Torres Molina, e da Argentina, Dolor exquisito, em torno de dois homens duplamente traídos por uma mesma mulher. Do Brasil, por motivos diferentes, destacaria Pterodátilos, com a extraordinária interpretação de Marco Nanini, e A lua vem da Ásia, a partir do romance de Campos de Carvalho. Na área da dança, sem dúvida alguma, Out of context, do belga Alain Platel, foi a grande e desnorteante novidade a que pudemos assistir nesta temporada.

O Porto Alegre em Cena culminou nos primeiros dias de dezembro, com a vinda do Théâtre du Soleil, que se apresentou em espaço cedido pela prefeitura municipal de Canoas, mostrando o extraordinário trabalho de Os náufragos da louca esperança, encenação de quase cinco horas de duração, que deixa marcas profundas em todos aqueles que tiveram a oportunidade de assistir àquela encenação.

Não vivemos, contudo, só de festivais, e, assim, ainda recebemos, entre outros trabalhos, o tocante e sensível Fragmentos do desejo, da Cia. Dos à deux, de dança e de teatro, com o que, pode-se dizer, tivemos uma bela temporada em relação a grupos que nos visitaram neste ano.

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