Com uma bandeira rio-grandense ao fundo e diante de uma câmera de vídeo, os visitantes pegam a cuia com a mão esquerda, sorvem o mate apenas uma vez e a repassam com a mão direita. O gesto repete-se dezenas de vezes ao dia no galpão do Departamento de Tradições Gaúcha do Banrisul, e também em outros pontos do Estado. O objetivo de todos é um só: formar a maior roda de chimarrão do mundo. Virtual, claro.
Em parceria com o banco, a agência Onze Comunicação Digital adaptou à tradição local ideias de ações virais na rede como o Eternal Moonwalk - por meio do qual vídeos de internautas fazendo a dança criada por Michael Jackson sucediam-se criando uma interminável corrente. No caso da iniciativa gaúcha, o princípio é o mesmo: o público grava no galpão do Banrisul ou manda de casa seus vídeos para o site www.amaiorrodadechimarrao.com.br, dando a impressão de que um passa a cuia para o outro.
“Estávamos há tempos buscando desenvolver uma interação digital para fazer com que os gaúchos pudessem mostrar o orgulho de suas tradições. Pensamos em fazer algo para conectar todos, por isso a ideia do chimarrão que é sempre um elo entre as pessoas”, conta Gustavo Sperb, gerente de projetos da Onze Comunicação Digital.
Ele ainda revela que não existe uma meta de internautas a ser atingida e acrescenta que o site deve ficar no ar até o dia 27 de setembro, pelo menos.
Ao ficar sabendo da iniciativa de formar a “maior roda de chimarrão do mundo”, Sônia Couto, do Piquete JP de Tradição, de Viamão, logo quis integrar-se. Adentrou o galpão do Banrisul e recebeu uma pequena aula sobre como a gravação ocorreria. “Tu finges que está pegando a cuia de alguém e, no fim, parece que é uma roda mesmo. Dá para fazer de casa também”, explicou a monitora responsável por receber os candidatos e imediatamente colocar os vídeos no ar. Vestida de bota, bombacha e um blazer repleto de broches com motivos gauchescos, Sônia esticou a mão esquerda para pegar a cuia estrategicamente deixada em um balcão, fora do alcance da câmera, deu uma longa sugada na bomba e fingiu repassar com a mão direita para alguém. Feita a cena, permaneceu sentada no banco para, agora de verdade, terminar de tomar o mate. “Vou avisar a família e meus amigos do orkut para eles olharem”, disse.
À frente do DTG do banco, uma tela mostra constantemente as gravações que estão na internet, chamando a atenção dos passantes. Sônia já está lá. É só realizar uma busca no site, que será apresentado o vídeo dela ou de quem quer que o internauta esteja interessado em ver.