Há tempos, a turma do Piquete Chão Missioneiro, de Porto Alegre, planejava uma viagem cultural às missões. O difícil era organizar tudo: encontrar um fim de semana em que todos estivessem livres, arranjar condução, fazer a programação.
Naquela noite, há cerca de seis meses, o pessoal - cerca de 20 pessoas entre homens e mulheres do grupo tradicionalista - estava reunido no Galpão do Patrão, um espaço na zona Sul de Porto Alegre que por vezes toma emprestado para encontros. Entre um naco de carne e uma cerveja, conversavam sobre planos para o Acampamento Farroupilha, o plano frustrado da viagem e outras questões ligadas ao tradicionalismo. Até que alguém teve a ideia, parodiando o ditado de Maomé: se não conseguiam ir até as Missões, por que não trazê-las até Porto Alegre?
Brincadeiras à parte, de uma certa forma, foi isso o que fizeram. Quem passa pela frente do espaço do Piquete Chão Missioneiro no Parque da Harmonia surpreende-se com uma fachada temática - a única do Acampamento Farroupilha -, reproduzindo as ruínas de São Miguel das Missões. A exemplo do resto do galpão, a entrada é feita com madeira de costaneira, mas recebeu uma pintura especial, feita artesanalmente. “O pessoal para aqui na frente, pede para tirar foto, elogia”, conta o patrão do Piquete, Kiko Oliveira.
O investimento para construir todo o espaço ficou em R$ 18 mil, dos quais 80% foram pagos pelos integrantes do grupo tradicionalista e por duas empresas apoiadoras. Oliveira calcula que, se não houvesse a fachada, esse valor ficaria em torno de R$ 8 mil a R$ 10 mil. Mesmo assim, considera que valeu a pena gastar para inovar. Primeiro, porque chamou a atenção para a região à qual o Piquete dedica seus estudos e projetos culturais. Segundo, porque considera uma forma de atrair os turistas. Para Oliveira, cada vez mais o Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) terá de olhar para os visitantes que vêm de fora, de forma a divulgar a cultura gaúcha e atrair visitantes para o Estado.
“Já começamos a pensar na Copa de 2014, em mostrar o Rio Grande para o turismo, recebendo o turista com mais elegância. Imaginamos que as coisas deveriam encaminhar-se para esse lado, com ações temáticas”, afirma Oliveira.
Em tempo: o patrão do Chão Missioneiro garante que o fato de “as missões terem ido ao Parque” não significa o abandono da ideia original de visitar in loco os sítios históricos da Fronteira-Oeste. Mas enquanto o projeto não se concretiza, as missões estão nos projetos - como a atual pesquisa sobre o payador missioneiro Jayme Caetano Braun - e, claro, na fachada do Piquete.