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A Voz do Pastor Dom Dadeus Grings
mitra.poa@terra.com.br

A Voz do Pastor

Coluna publicada em 13/10/2011

O desafio do mal

A tendência humana leva, naturalmente, a perceber uma presença da divindade em tudo, particularmente naquilo que transcende sua compreensão e desperta sua admiração. Mas há um desafio que, ao penetrar os umbrais da razão, sacode esta tendência e põe em cheque seu objeto. É o problema do mal. Todos concebem a divindade como realidade boa por natureza. Consequentemente se firma a convicção de que só faz o bem. Não pode, em hipótese alguma, fazer o mal. De onde vem, pois, o mal? E mais radicalmente, se existe o mal - e sua constatação é contundente - não pode existir Deus. Ele, todo poderoso e bondoso, não poderia admiti-lo.

Desde tempos antigos, com o protagonismo dos maniqueus, se pensa em duas realidades supremas: uma do bem e outra do mal. Como esta divisão bipartida dificilmente se consegue conciliar com as exigências da razão e da fé, procura-se outras explicações mais coerentes. O fato, porém, é que o mal existe e incomoda. Mas também alicia. Não basta dar-lhe uma explicação filosófica, dividindo-o na tríplice categoria: metafísico, representando o limite dos seres finitos; físico, caracterizado pelas deficiências em seres que carecem de alguma propriedade que faria parte de sua natureza; e moral, como ação livre, desviada de seu objetivo. Dizer que o mal, a rigor, não existe, porque é ausência de um bem, não convence a quem se sente envolvido por ele.

O mal no mundo se torna escândalo dentro da cultura humana. É quando se constata que há gente que faz do mal seu meio de vida. Vive fazendo o mal. Isto equivale a dizer que se entrega ao mal e faz dele sua meta. É, numa palavra, seu deus.

Que há no mal que possa atrair tamanha atenção e proporcionar tal força, que leve a empenhar toda a vida? Sacrificam-se mais vidas e mais energias em holocausto ao mal do que para as realidades numinosas, que representam divindades. Certamente não se trata do mal enquanto mal, mas do mal enquanto proporciona benefícios. Dificilmente alguém cultua o diabo ou algum princípio do mal em si. São raras as religiões satânicas.

Apelar para forças extra-humanas para fazer o mal visa aos outros: pela vingança, concorrência, corrupção, falsidade... Ninguém, a rigor, procura o mal para si. E quando se "submete" a ele, o faz para obter algum favor, normalmente não inferior ao que os fieis procuram em suas religiões.

Mas, quando alguém procura o mal para os outros, de fato, se está submetendo ao mal. Mahatma Gandhi dizia, com muita propriedade: "se nos matarem, viveremos para sempre. Mas se formos nós a matar, não viveremos jamais". Há um modo de submeter-se ao mal, tentando fazer mal aos outros. Há outro modo de vassalagem, ao se procurar benefício próprio, fora da normalidade. Em vista do prazer, do poder, da riqueza, usam-se certos meios que, no final de contas, acabam com a vida. Basta o exemplo das drogas, dos vícios, da corrupção... para se convencer disso.

Já vem dos antigos a expressão que o Deus dos transviados é o estômago. Nele se incluem as buscas de todos os prazeres. Vivem em função deles. Seu destino é a morte, não só no futuro, mas também no vazio do presente. Não têm com que preencher o tempo, porque o que os anima, na verdade, não é vida. É morte prematura.

Goethe se admirava de que os homens tivessem tanta dificuldade de encontrar Deus. Garantia que isto não seria difícil se eles não o rejeitassem. Não querem saber dele, porque têm outra preocupação, o que equivale a afirmar que, na verdade, fizeram-se outros deuses. O pior deles é o próprio mal, que ocupou o lugar da divindade. Sendo seus escravos, escravizam muitas pessoas, pela violência, pelo roubo, pela sexualidade, pela corrupção...

COMENTÁRIOS
Hugo Leo Kircher - 25/10/2011 - 16h23
Senhor D. Dadeus.Inicialmente quero cumprimentá-lo pela abordagem de um tema - o mal - que intriga e angustia os seres humanos desde imemoráveis tempos. Permita-me contudo fazer uma crítica, pois o artigo publicado no Jornal do Comércio, não lança maiores luzes para todos os que procuram entender o universo, a vida e o próprio Deus. Einstein disse certa vez que sua maior dúvida não era saber se Deus existe ou não, mas saber se Deus teve alternativas para criar o Universo.Haveria a possibilidade de criá-lo com ausência do mal? Agradeço a atenção que a presente merecer. Hugo Leo Kircher

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