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Teatro Antônio Hohlfeldt
a_hohlfeldt@yahoo.com.br

Teatro

Coluna publicada em 04/03/2011

O decênio de 1980 no palco de Porto Alegre

A atriz Lourdes Eloy, a quem devemos excelentes trabalhos de interpretação, hoje vinculada à Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre, acaba de produzir o livro Memória da cena - 1980-1989, editado pela Coordenadoria de Artes Cênicas daquela secretaria. Este trabalho é um autêntico serviço público aos pesquisadores e interessados em geral e, sobretudo, à memória da cidade. Tendo vivido e registrado todos esses anos, confesso que foi com um misto de nostalgia e de alegrias que passei as páginas do volume - quase 250 - e fui reencontrando espetáculos que deixaram boa memória.

É importante lembrar que este decênio está marcado pela ditadura de 1964 – especialmente pelos seus execrados frutos do AI-5 de 1968 - mas, ao menos tempo, registra os esforços de resistência e da posterior abertura. Assim, encontramos trabalhos como School’s out, dirigido por Pedro Santos, e os polêmicos trabalhos de Júlio Zanotha Vieira, como As cinzas do general, a vitalidade do grupo dirigido por Irene Brietzcke, com Salão grená, dentre outros espetáculos.

Muita gente estava começando, como o João Pedro Gil de Amarelinha; Dilmar Messias, de Banana, espetáculo dos dramaturgos alemães Rainer Hachfeld e Reiner Lucker, do Grips Theater, então eram “descobertos” no Brasil, graças ao Goethe Institut; ou os trabalhos sempre interessantes de Sérgio Ilha, como Por que a terra parou? Naquele tempo, o dramaturgo Ivo Bender ainda trazia textos novos, como O cabaré de Maria Elefante, num espetáculo dirigido por Arines Ibias.

Na dança, tinha-se o concurso de Valério Césio, que durante algum tempo animou a cena porto-alegrense com uma bonita montagem de Carmina Burana, de Carl Orff, com a Terra Cia. de Dança, o grupo mais premiado naquele ano. Maria Helena Lopes e o Grupo Tear, por exemplo, nos encantavam com a montagem de Os reis vagabundos, durante anos sucessivos relembrado e citado. Júlio César Conte assinava Não pensa muito que dói, e Cláudio Cruz, que daqui a alguns dias lança um livro sobre seu trabalho teatral, dirigia Esperando Godot.

Confesso que, em 1983, tive um choque ao assistir No Natal a gente vem te buscar, de Naum Alves de Souza, espetáculo de Irene Brietzcke. Era a primeira vez que eu me relacionava com um texto de Souza, a quem jamais deixaria de acompanhar. Mas o grande acontecimento do ano ficou com Julio Conte e seu Bailei na curva, inesquecível e desde então sempre citado. Julio Conte falava em voz alta tudo o que a gente sentia, e isso marcou, graças, inclusive, à incrível trilha sonora de Flávio Bicca Rocha e a iluminação de Hermes Mancilha. Também Caio Fernando Abreu marcou o ano com Pode ser que seja só o leiteiro lá fora, em espetáculo dirigido por Luciano Alabarse.

No teatro infantil, 1983 foi o ano de A menina das estrelas, do Grupo Teatro Novo, texto de Jurandy Pereira e direção de Ronald Radde. Naquele ano, ainda, aconteceu evento importante: a encenação de Patética, de João Ribeiro Chaves Neto, por Sapiran Brito. O texto era uma denúncia sobre o assassinato do jornalista Vladimir Herzog. Fui do júri daquele concurso de dramaturgia do SNT - Serviço Nacional de Teatro, ao lado de Fernando Peixoto e Maria Helena Kühner. O concurso ficou suspenso durante um ano, enquanto o SNT negociava com os militares a liberação do texto. Houve uma primeira encenação em São Paulo, que ajudei a trazer a Porto Alegre, e mais tarde Sapiran Brito dirigiu um novo espetáculo.

Enfim, poderíamos citar muitos e muitos trabalhos daquele decênio. O que é importante, no livro organizado por Lourdes Eloy, é que, por ele, podemos avaliar a dinâmica cultural da cidade e o modo pelo qual a cultura participava do debate contextual do período. Por isso mesmo, recomendo, com emoção, o trabalho.

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