Junho de 1984, governo João Figueiredo. Era uma manhã modorrenta como tantas outras em Brasília. Sol a pino e baixíssima umidade relativa do ar.
Em um escritório acanhado no Setor Comercial Sul, estava instalado o Diretório Nacional do PDS (Partido Democrático Nacional), partido oficial do regime militar como sucessor da Arena.
Naquela manhã, as salas do diretório estavam “bombando”. O partido iria discutir o nome de Paulo Maluf, que seria levado ao Colégio Eleitoral, como candidato oficial à presidência da República.
O presidente do PDS era o senador José Sarney. Tão logo iniciou a discussão, o então deputado gaúcho Emídio Perondi, malufista roxo, tentou embananar o processo. Deu bate-boca incontrolável entre os defensores e os adversários da candidatura Maluf.
De repente, surpreendentemente, José Sarney deu um murro na mesa e anunciou: “Assim não é possível. Renuncio à presidência”.
Sucederam-se na renúncia, os vice-presidentes Aureliano Chaves e Marco Maciel e o primeiro-secretário Jorge Bornhausen. Sob vaias, os quatro se retiraram do recinto.
No mesmo dia se soube de uma articulação visando à criação, por esse grupo, do Partido da Frente Liberal (PFL). Criado, o PFL se jogou nos braços do PMDB para apoiar o nome de Tancredo Neves como adversário de Paulo Maluf no Colégio Eleitoral.
Foi um acordo articulado por Aureliano Chaves, pelo PFL, e Tancredo Neves, pelo PMDB. O resto se sabe. Tancredo concorreu e venceu no Colégio Eleitoral, formando chapa ao lado de José Sarney, como candidato a vice-presidente da República.
Hoje, a sina da dissidência persegue o Democratas, sucessor do PFL, que surgiu do PDS, substituto da Arena. O “Democratas” debate-se numa crise sem precedentes. Vários de seus nomes mais importantes ameaçam deixar o partido.
O governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, e o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, dois dos democratas de maior visibilidade, estão articulando suas saídas. Muitos filiados podem acompanhá-los.
O “Democratas”, que por aqui minguou, está se mantendo nos estados do Nordeste. No Rio de Janeiro, o partido é comandado pelos “Maias” - César e Rodrigo Maia - pai e filho, que se valem dele para se manter na mídia e na política.
Há um grande número de Democratas que, embora permaneça no partido, é dissidente do comando nacional. Os desentendimentos entre as alas comandadas por Jorge Bornhausen e Rodrigo Maia se agravaram.
A corrente capitaneada por Bornhausen pretende antecipar as eleições partidárias para maio. Ele trabalha para eleger José Agripino Maia - que não pertence ao clã do Rio - e tirar o partido do comando dos “Maias” cariocas.
Depois disso, Bornhausen abandona a política. Já terá feito um serviço a seu partido.
Adiado
Foi adiado o encontro dos vereadores da CPI da Juventude com o superintendente da Polícia Federal, delegado Ildo Gasparetto. A reunião, que seria nesta quinta-feira, foi transferida para o dia 10 de fevereiro. Parlamentares esperam ter acesso ao inquérito do ProJovem.