Brasília - “Nunca antes na história desse País” um presidente (a) havia beijado a bandeira brasileira ao passar em revista as tropas posicionadas em sua homenagem, no dia da posse.
A ex-guerrilheira Dilma Rousseff, “a presidenta de todos os brasileiros”, beijou. Foi um gesto emocionado e de profundo simbolismo! Minutos antes, no plenário da Câmara dos Deputados, perante o Congresso Nacional, Dilma havia feito um vigoroso discurso.
Foi uma verdadeira carta de princípios, entremeada de sonhos como ela reconhece: “Sonhar e perseguir os sonhos é romper o limite do possível”, explicou mais tarde, no discurso feito do Parlatório presidencial, para mais de 30 mil pessoas, que se reuniram em frente ao Palácio do Planalto para ouvi-la.
No Congresso, a chegada da presidente foi tumultuada. Os parlamentares, na ânsia de cumprimentá-la, arranharam o protocolo, deixando o pessoal do cerimonial ouriçado. Vestindo um impecável “tailleur” branco e bem penteada, La Rousseff ficou toda amassada e com os cabelos em desalinho, tal o número de apertos e beijinhos que recebeu, da “tiurma” pouca afeita às coisas do protocolo.
Gafes, muitas gafes!
Mas o discurso foi tudo de bom. Levados à risca, os compromissos assumidos pela presidente farão do Brasil a “Pátria dos Sonhos”.
Dona Dilma abriu seu discurso dizendo que, “pela primeira vez a faixa presidencial cingirá o ombro de uma mulher”, para em seguida comunicar - com a voz embargada - que vai proteger os mais fracos e governar para todos. Prometeu reformas: política e tributária, antecipando que vai perseguir a erradicação da pobreza extrema e criar oportunidades para todos.
Dilma Rousseff não se esqueceu da imprensa, tão ameaçada com a volta da censura. Ela repetiu a promessa feita na campanha política: “Eu prefiro o barulho da imprensa livre do que o silêncio das ditaduras”.
Um momento forte do discurso da presidente no Congresso, repetido no Parlatório, foi quando “en passant” tocou no lado delicado de seu passado de guerrilheira.
Disse emocionada: “Minha geração lutou pela liberdade em tempos escuros - lágrimas -, não me arrependo. Foi a nossa contribuição para as futuras gerações. Muitos companheiros tombaram nessa luta. A eles, minha comovida homenagem e minha eterna lembrança”.
No Parlatório, antes de receber os cumprimentos das delegações estrangeiras, ela reconheceu que a alegria de sua posse se confundia com a tristeza da despedida de Lula. Lula que sumiu do Parlatório, desceu a rampa do Planalto e voltou para os braços do povo.
Como queria!
A vez de Sofia
Em meio ao rescaldo da posse de Dilma Rousseff na presidência da República e de Tarso Genro no Palácio Piratini, ministros e secretários de Estado participam de cerimônias de transmissão do cargo hoje. Também será a vez de a vereadora Sofia Cavendon (PT) assumir a presidência da Câmara Municipal de Porto Alegre. A solenidade acontece às 14h, no plenário do Legislativo da Capital.