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De Olho na tevê Carlos Pires de Miranda
carlos@piresdemiranda.com.br

De Olho na tevê

Coluna publicada em 24/11/2010

Inédita?

Aos estatísticos caberia descobrirem se essa campanha do Grêmio no returno tem antecedentes, desde que começou o sistema de pontos corridos no Brasileirão. Lembro de episódios heroicos, como a recuperação do Fluminense em 2008 com Renê Simões, em 2009 com Cuca – ambos conseguiram livrar o clube do quase inevitável rebaixamento. No caso de Renato Portaluppi, foi preciso vencer o descrédito do time junto à torcida e à maioria dos cronistas (este, modéstia à parte, esteve sempre entre as exceções), tirar o time do Z-4 e alçá-lo à disputa aberta pela vaga à Libertadores.

Armações ilimitadas

Semana passada viram um pênalti indiscutível sobre Ronaldo como prova de armação a favor do Corinthians. Desde domingo, quando Héber Roberto Lopes expulsou injustamente Xandão e Richarlyson do São Paulo e resolveu um jogo encrespado, fala-se que tudo está acertado para o Flu ser campeão. Tudo isso me parece campanha aberta contra o campeonato por pontos corridos – o diabo é que é bem aí o furo do sistema.

Dupla mediocridade

Acho legal que Inter e Grêmio possam disputar a mesma Libertadores em 2011. Imagine só, a maior rivalidade futebolística do Brasil transposta para o plano continental... Só tem uma coisa: por que precisa existir a tal gangorra, detectada há séculos por Lauro Quadros e reafirmada a cada ano? Com estruturas, torcidas e associados que tem, a dupla deveria manter lugares cativos na competição sul-americana.

Inconformidade

A nota anterior é só o começo desta inconformada constatação: o Inter, que se jacta de ser campeão mundial Fifa, há 31 anos não ganha o Brasileiro. Imaginem o número de jovens colorados que jamais presenciaram essa conquista – quem tiver 30 anos de idade ou menos, é preciso que os pais contem como foi.  E o Grêmio, desde 1996 na fila? Somados, os dois disputaram 45 campeonatos sem sequer uma vez trazerem a taça para casa.

Pensando longe

Irão dizer: o Palmeiras prioriza a Sul-Americana, o Inter traz o Mundial na cabeça o tempo todo. Está bem, então podem perder à vontade no Brasileirão, ficar distantes do título, não tem problema. O que eu duvido é que, se os planos não tiverem êxito, suas torcidas engulam caladas essas hoje desprezíveis derrotas. Tudo entrará na conta de Felipão, Roth e diretorias – “por que poupar-se no Brasileirão?” Ainda bem que as probabilidades são boas para ambos, seus rivais lá e cá não assustam.

Pitacos

•    As possíveis explicações para os inaceitáveis números de Inter e Grêmio quanto a títulos do Brasileirão, tentarei repassar em outro momento.

• No cerne da questão, penso estar essa repetitiva alternância no futebol gaúcho. Ou é um ou é outro – os dois não cabem.

• Viram o Muriel contra o Botafogo? Estou falando, há mais de um ano que ele merecia uma chance. Não era adivinhação: quem jogou na posição, conhece.

• Muita gente considera o Grêmio no grupo que estará na Libertadores. Esquecem que será preciso, além de se manter na quarta posição, secar Palmeiras (ou Goiás) na Sul-Americana.

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