Semana passada recebi uma dezena de mensagens de indignados gremistas, simplesmente por ter escrito que o jogo do Inter fora de casa seria mais fácil do que o do Grêmio no Olímpico. Depois de os tricolores perderem para o Palmeiras e os colorados vencerem ao São Paulo, apenas um daqueles leitores escreveu novamente – brincalhão, pedindo palpites para Mega-Sena. Não é impossível acertar – no esporte, é claro, não no sorteio milionário. Basta ver o futebol com olhos de analista, não de torcedor.
Explicação
É previsível neste Brasileirão a estratégia dos times médios e pequenos. Em casa, quando pensam que irão encarar alguém do seu tamanho – ou ao seu alcance – eles tentam jogar para vencer. Então apanham feio, como o Avaí ao se arriscar contra o Grêmio no domingo. Mas quando esses times medianos entendem que o adversário é mais forte, que está no pelotão de cima na tabela, se encaramujam em seu próprio campo e passam a viver dos contragolpes, estratégia que muitas vezes dá resultado.
E hoje?
Não é matemático, ou não seria futebol. O Atlético-PR arrancou espetacularmente rumo ao G-4, mas o Inter voltou forte depois da Copa – jogo difícil, tendência para empate com gols. No Olímpico, o dilema gremista: ataca a frágil defesa do Flamengo e se expõe às estocadas de Renato, Diogo e Deivid ou espera, testa a paciência da torcida e busca racionalmente a vitória? Uma oportunidade para Renato Portaluppi mostrar novamente sua veia de estrategista, derrotar seu antecessor (Silas) e embalar no Brasileirão.
Cadê a agenda?
Nos tempos em que o Juventude garimpava desconhecidos, com eles montava bons times e ganhava até Copa do Brasil, falava-se de um diretor que possuía uma prodigiosa agenda, capaz de lhe fornecer os nomes certos para as posições carentes. Hoje, o clube é a imagem do fracasso, construído nas quatro últimas temporadas, sofrendo goleadas vexatórias no Gauchão, cumprindo péssimas campanhas no Brasileiro, que o fizeram desabar para a Série D. O diabo é que o caminho de volta é muito mais lento e doloroso.
Pitacos
• Amigos da Bola: assim eles foram batizados pelo então comentarista (de jogo) Lauro Quadros. Um deles era Gaspar (ex-Inter e Corinthians). E quem mais? Repostas ao e-mail desta coluna.
• Antonio Lopes, o técnico preferido de Romeu Masiero, foi o 22º demitido neste Brasileirão.
• O presidente do Palmeiras estava hospitalizado ontem. Além dele, no ano passado os maus resultados haviam derrubado Luxemburgo e Muricy Ramalho.
• Agora a irregularidade do time sacode Felipão, que dispara contra as arbitragens e limita drasticamente a ação dos repórteres. O nome disso é crise estrutural, começa desde a portaria do Parque Antarctica e passa pela parceira do clube.
• Márcio Rezende de Freitas, odiado pelos colorados desde o Brasileirão de 2005 – que o Inter entregou ao Corinthians, ao perder na última rodada para o rebaixado Coritiba – hoje é comentarista de arbitragem da Globo em Minas.