Porto Alegre, sábado, 19 de abril de 2014. Atualizado às 21h11.
Hoje é Dia Nacional do Índio. Hoje é Dia do Diplomata.
PREVISÃO DO TEMPO
PORTO ALEGRE AMANHÃ
AGORA
22°C
24°C
17°C
previsão do tempo
COTAÇÃO DO DÓLAR
em R$ Compra Venda Variação
Comercial 2,2340 2,2360 0,26%
Turismo/SP 2,1200 2,3600 0%
Paralelo/SP 2,1400 2,4100 0%
mais indicadores
Página Inicial | Opinião | Economia | Política | Geral / Internacional | Esportes | Cadernos | Colunas
ASSINE  |  ANUNCIE
» Corrigir
Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.
Nome:
Email:
Mensagem:
» Indique esta matéria
[FECHAR]
Para enviar essa página a um amigo(a), preencha os campos abaixo:
De:
Email:
Amigo:
Email:
Mensagem:
 
» Comente esta notícia
[FECHAR]  
  Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.  
  Nome:  
  Email:    
  Cidade:    
  Comentário:    
500 caracteres restantes
 
Autorizo a publicação deste comentário na edição impressa.
 
172105
Repita o código
neste campo
 
 
COMENTAR CORRIGIR ENVIAR imprimir IMPRIMIR
Cinema Hélio Nascimento | hr.nascimento@yahoo.com.br

Cinema

Coluna publicada em 24/07/2009

Retrato do pai

PROCULTURA/DIVULGAÇÃO/JC
Paulo Gracindo – O Bem-Amado.
Paulo Gracindo – O Bem-Amado.

A figura paterna pode assumir diante do filho somente o papel do disciplinador, do representante das exigências da civilização. Como tal, ele também pode se transformar no agente das forças repressivas que costumam atuar como elementos destinados a preparar o ser humano para a obediência e a aceitação das regras do mundo exterior. Mas ele pode ser também, como mostra Ingmar Bergman na sua versão de A Flauta Mágica, um elemento destinado a armar os filhos para os combates da vida. Pode ser, também, fonte de conhecimentos indispensáveis ao equilíbrio emocional do futuro adulto. E se articular diante do filho como exemplo e farol. Afinal, a civilização não necessita apenas de seres obedientes e disciplinados: precisa de indivíduos criativos e capazes de se impor diante da realidade como portadores daqueles sinais capazes de criar novos caminhos. O ator Gracindo Jr. não esconde em nenhum momento, no seu documentário Paulo Gracindo – O Bem-Amado, que está realizando um filme-homenagem, uma espécie de poema cinematográfico a seu pai, um ator extraordinário que se expressou no rádio, no cinema, no teatro e na televisão. Mas não faz um filme marcado pelo tom da exaltação familiar. Mesmo que nos créditos finais o realizador não esconda e até destaque a participação de parentes seus na realização do trabalho, o documentário de Gracindo Jr. está longe de qualquer ingenuidade que tal gênero de proposta pudesse gerar.

O novo documentarista, também ele ator, mostra desde as primeiras cenas que tem acompanhado o gênero, no qual, aliás, o cinema brasileiro tem, nos últimos anos, mostrado aquele vigor raramente presente nas obras de ficção aqui realizadas. Ao narrar a juventude do personagem, utiliza trechos de filmes de ficção realizados em tal período para ilustrar a sua trajetória. Não é o único momento em que cenas e trechos de outras obras são utilizados com inteligência para realçar algumas características do biografado. Assim, a fim de transmitir ao espectador a irreverência e a perseverança do protagonista, o realizador recorre à cena final do Falstaff de Verdi, aquela fuga na qual é pintado um quadro bastante irônico sobre o mundo, ao realçar a predominância da burla. Ao mesmo tempo, sendo obra de um octogenário, a ópera é lembrada pelo protagonista como um exemplo para quem deseja terminar seus dias em pleno trabalho. E esses dois temas são colocados no filme através de uma cena de uma série de televisão enobrecida pela presença do ator. Outro exemplo que não deve ser esquecido é a citação de O Caso do Vestido, de Drummond, quando fica claro que não estamos diante de um filme destinado a pintar um ingênuo quadro familiar.

Mas o filme de Gracindo Jr., sem dúvida alguma, mesmo sendo uma demonstração de sensibilidade, vale, sobretudo, pelas homenagens que presta a Paulo Gracindo, que só não é maior porque a emissora que teve o mérito de encomendar uma novela a Jorge Andrade não preservou, como deveria, a integridade de Os Ossos do Barão, na qual o autor também utilizou elementos de A Escada, sendo assim tal novela uma reunião de dois momentos da história do teatro brasileiro. Mas o trecho que o realizador utiliza é uma evidência das qualidades de Paulo Gracindo como intérprete, servindo também para ilustrar uma irônica observação de Lima Duarte sobre a televisão dos dias de hoje. Basta ver o que aparece naquele breve momento para concordar com o outro ator. E numa época em que tudo parece necessitar de repetição para ser entendido, para Gracindo Jr. basta uma lembrança de Erico Verissimo e uma citação de Mario Quintana para que o retrato do biografado tenha mais relevância. Algumas recordações de amigos e colegas poderiam ser suprimidas e substituídas por outros exemplos da arte de Paulo Gracindo, mas este documentário de um filho sobre um pai não deve deixar de ser visto pelos que se interessam pelo teatro; tanto aquele que se concretiza num palco como aquele que, imitando a vida, se manifesta diante de um instrumento destinado a captar imagens.

COMENTÁRIOS
Deixe seu comentário sobre este texto.

DEIXE SEU COMENTÁRIO CORRIGIR ENVIAR imprimir IMPRIMIR
COLUNAS ANTERIORES

 EDIÇÃO IMPRESSA

Clique aqui
para ler a edição
do dia e as edições
dos últimos
5 anos do JC.


 
para folhear | modo texto