Mais um relatório internacional e outra condenação ao modelo de saúde, pública e privada, segundo consta, do Brasil. No exterior fazem os relatórios não se sabe baseados em que entidades e os divulgam. Pois, novamente, fomos execrados na saúde que é ofertada. Na Constituição de 1988, foi colocado que a saúde era um direito de todos e dever do Estado. Para muitos, trata-se da maior conquista da Carta Magna. É a maior cobertura social e o presidente Barack Obama também ampliou a assistência dos planos de saúde. Mas um pequeno detalhe foi esquecido em nosso País, a fonte de recursos para bancar as altas despesas com a saúde, em que a urgência e a emergência são, pela própria denominação, as mais caras. Passados 22 anos, melhorou no Sistema Único de Saúde (SUS), porém a demanda aumentou além da capacidade de atendimento. Além disso, a municipalização da saúde colocou as prefeituras em uma situação de mais despesas, sem a contrapartida dos recursos.
Em decorrência, é quase mensal a ida de caravanas de prefeitos para Brasília em busca da aprovação de verbas da hoje famosa Emenda 29, pela qual seria criada uma contribuição específica para a saúde. Ora, um dos maiores obstáculos à organização, ao progresso e à realização das metas públicas, mesmo entre os bons administradores, é, geralmente, o seu próprio orgulho ou presunção. Evidentemente não se pode colocar um hospital de grande complexidade em municípios entre 20 mil e 50 mil habitantes. Por isso é fundamental que prefeitos e governo do Estado se organizem em recursos humanos e financeiros e criem polos de atuação. Unidades de pronto atendimento, postos de saúde, hospitais de pequena, média e grande complexidade em regiões que aglutinem um determinado número de pessoas. Está na hora de ser feito um planejamento nesse sentido. Estamos administrando a saúde por crise, o que é lamentável. A prefeitura tem o Sistema de Informações Hospitalares e seu módulo ambulatorial garantindo mais agilidade no atendimento e gerenciamento dos serviços. Implantado há oito anos no Hospital de Pronto Socorro (HPS) e no Pronto Atendimento Lomba do Pinheiro, há quatro no Hospital Materno Infantil Presidente Vargas (Hmipv) e há dois no Pronto Atendimento Cruzeiro do Sul (Pacs), o sistema foi desenvolvido pela Procempa e, até o final do ano, será implantado no Pronto Atendimento Bom Jesus. Porto Alegre tem uma boa infraestrutura hospitalar federal, estadual e municipal, mesmo com o fechamento de hospitais menores.
O Grupo Conceição é o exemplo mais capacitado. O Hospital de Clínicas é referência no ensino e ainda temos na Capital o Hospital Ernesto Dornelles, dos servidores públicos e conveniado com o Instituto de Previdência do Estado, mais o Hospital de Pronto Socorro, mantido pela prefeitura, que mesmo com 65 anos de existência ainda é o mais completo na emergência traumática e o único que mantém sempre todas as 24 especialidades médicas de plantão 24 horas por dia. Vamos aprender com a experiência passada e a dos outros, uma vez que as lições que a nossa própria vida dá geralmente são muito caras. Hoje, 50% dos que estão nas emergências dos grandes hospitais não precisariam delas caso houvesse atendimento básico anterior.