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Teatro Antônio Hohlfeldt
a_hohlfeldt@yahoo.com.br

Teatro

Coluna publicada em 17/07/2009

Quando ser feio até pode virar charme

Costuma-se dizer que o fato de se brincar com a própria tristeza é uma competência rara do ser humano. Ela constituiria o que se denomina, geralmente, de humor. Pois o poeta Fabrício Carpinejar brinca com o que qualifica como “a própria feiúra”, que seria ele mesmo, ao escrever Filhote de Cruz Credo, que o diretor Bob Bahlis adaptou para o teatro e dirigiu. Trata-se de uma peça classificada enquanto infantil, mas que precisa sempre de um senão: é infantil, sim, mas nem tanto. Dirige-se, evidentemente, a uma criança de idade um pouco mais avançada, talvez a partir dos dez anos, e certamente agradará também a adultos. Em síntese, Filhote de Cruz Credo é a história de um menino feio, que dá a volta por cima. Ele é tão feio que, ainda no hospital, enfermeiras e médicos desfilavam pelo quarto de sua mãe só para conhecê-lo e examiná-lo, enquanto “fenômeno” da natureza.

O simples tema me atraiu a atenção. E a assinatura, tanto do escritor quanto do diretor, ampliaram meu interesse. Assistir ao espetáculo não trai a expectativa, embora confesse ter esperado um resultado mais equilibrado. A encenação de Filhote de Cruz Credo tem alguns bons achados, como a narradora que, desde logo, avisa que não se trata de história de fadas nem daquelas narrativas tradicionais, de gente boazinha e de gente má. Daniele Fogliatto, aliás, até abusa da antipatia que deve provocar na plateia. Mas dá ritmo ao trabalho, pontuando as trocas de cena, e isso é que importa.

O texto e o espetáculo são sintéticos. Depois do nascimento, já nos encontramos com o menino crescido, sendo enganado pelo irmão mais velho (Marcelo Naz), de bom desempenho. Depois, na escola, enfrenta seus colegas, especialmente a menina Alice (Rafaela Cassol) que, não obstante, lá pelas tantas, acaba se rendendo ao anti-herói. Aliás, uma das coisas boas do texto é que não existem nem bandidos nem mocinhos constantes. Assim como Alice e o colega de Fabrício (que é o nome do personagem principal, tal como o escritor) às vezes se comportam negativamente, também em outros momentos se apresentam sob uma perspectiva positiva, mostrando que a vida sempre tem este duplo aspecto, quando vivida realmente. Laura Medina interpreta a mãe e a professora, rendendo bem em ambos os casos, sobretudo no segundo, quando é exigida com maiores sutilizes, porque, embora simpática ao menino, não pode aderir ao seu sonho de namoro.

A encenação é simples. Com alguns adereços, no palco nu, Bob Bahlis faz o espetáculo andar ritmadamente. Aqui e ali, algum elemento cênico mais consistente, idealizado pelo próprio diretor, facilita a compreensão do enredo. Mas o que vale, mesmo, é a palavra das personagens e, de passagem, a trilha sonora, que introduz ou comenta situações.

É no desdobramento do enredo, contudo, que nem sempre as coisas andam bem. Talvez pela pressa em desdobrar a narrativa, pois um espetáculo de teatro tem tempo certo para começar e para terminar, algumas situações ficam confusas, não são bem desenvolvidas ou geram interpretações ambíguas. De qualquer modo, o simples fato de se ter optado pelo tema e a maneira de enfocá-lo, assumindo, desde logo, a relatividade de tudo o que se vai colocar em cena, é uma grande conquista da encenação, dirigida, como disse, a crianças maiores.

Vale destacar, enfim, os figurinos de Rô Cortinhas: caracterizam bem cada um dos personagens, com o cuidado por penteados e pequenos adereços. E a direção musical de Bruno Suman, que garante boa entonação e a perfeita sincronia entre o ator, cantando ao vivo na cena e o playback gravado anteriormente.
Em tempo: Gutto Szuster é um perfeito Fabrício. Tem comportamento compatível com uma criança sempre posta em situações-limite, por suas condições, e incorpora à perfeição a personagem.

COMENTÁRIOS
bob bahlis - 17/07/2009 - 13h12
Gosto das críticas do professor, pq mostra a verdade que não vemos, pois envolvidos no trabalho, nos cegamos muitas vezes. Aprendo sempre! do leitor, Bob Bahlis!


marcelo naz -
28/02/2012 - 11h50
concordo.aprimorar sem ofender.

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