Porto Alegre, domingo, 23 de novembro de 2014. Atualizado às 00h12.
PREVISÃO DO TEMPO
PORTO ALEGRE AMANHÃ
AGORA
20°C
32°C
16°C
previsão do tempo
COTAÇÃO DO DÓLAR
em R$ Compra Venda Variação
Comercial 2,5200 2,5220 0,90%
Turismo/SP 2,4300 2,7300 0,72%
Paralelo/SP 2,4400 2,7400 0,72%
mais indicadores
Página Inicial | Opinião | Economia | Política | Geral / Internacional | Esportes | Cadernos | Colunas
ASSINE  |  ANUNCIE  |  ATENDIMENTO ONLINE
» Corrigir
Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.
Nome:
Email:
Mensagem:
» Indique esta matéria
[FECHAR]
Para enviar essa página a um amigo(a), preencha os campos abaixo:
De:
Email:
Amigo:
Email:
Mensagem:
 
» Comente esta notícia
[FECHAR]  
  Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.  
  Nome:  
  Email:    
  Cidade:    
  Comentário:    
500 caracteres restantes
 
Autorizo a publicação deste comentário na edição impressa.
 
497729
Repita o código
neste campo
 
 
COMENTAR CORRIGIR ENVIAR imprimir IMPRIMIR
A Voz do Pastor Dom Dadeus Grings
mitra.poa@terra.com.br

A Voz do Pastor

Coluna publicada em 01/07/2010

A capela do Hospital de Clínicas

Capela é uma igreja destinada à devoção particular. Tem seu centro no tabernáculo, onde se guarda o Santíssimo Sacramento, e é ornada de algumas imagens, modelos e protetores dos devotos. Sua ereção requer a autorização do bispo local, mediante um ofício, solicitando este benefício. Reveste-se, por isso, de oficialidade.
O Hospital de Clínicas de Porto Alegre obteve, há mais de 30 anos, o privilégio de uma capela. Naquela ocasião, ofereceu um recinto apropriado para favorecer a devoção de seus usuários. Em junho, correu voz de que a direção do hospital teria mandado desativar este lugar sagrado, privando-o da característica cristã. Até hoje, porém, a direção não fez chegar um documento oficial neste sentido. Portanto fica tudo apenas na notícia jornalística. A única pessoa competente para desativar a capela católica, erigida sob sua direção, a pedido da direção do hospital de então, é o arcebispo.

Portanto, se a atual direção do hospital julgasse inoportuna a permanência da capela, não lhe caberia mandar aos seus funcionários desativá-la. Deveria dirigir um ofício à Mitra Arquidiocesana expondo suas razões para um eventual diálogo. É o que não foi feito. A capela é de competência do arcebispo. Mandar descaracterizá-la, tirando-lhe sua característica própria, sem consultar a Mitra, constitui uma afronta.

O fato de substituir, no hospital ou em qualquer repartição pública, o Cristianismo, que plasmou nossa nacionalidade, com seus símbolos, por uma religião oriental, conhecida por Nova Era - em inglês, New Age - não é nem democrático nem coerente. Na verdade, não se trata de conceder liberdade religiosa, que não está em questão, mas de privilegiar uma religião praticamente inexistente entre nós e que em nada influiu nossa cultura.

Se a direção tivesse notificado a Cúria de que não há mais católicos interessados neste recinto sagrado, concedido há mais de 30 anos, e quisesse disponibilizá-lo para outra religião, com mais adeptos, não haveria reação. Mas privar os católicos de sua capela, oficialmente credenciada há tanto tempo, para cedê-la a uma religião sem rosto, que não se quer revelar publicamente, soa como desaforo. A população porto-alegrense criou um laço de afeto por aquele lugar. Despojá-la tão arbitrariamente só pode causar mágoa.

A Constituição garante liberdade religiosa. Também para os católicos. Diálogo é reconhecer a identidade de cada religião, na proporção de sua população e de sua influência na cultura brasileira. O Hospital Moinhos de Vento, de propriedade luterana, por exemplo, acolheu, com muito carinho, em sua capela, a presença da eucaristia para poder ser levada aos enfermos católicos ali baixados. Isto é gesto de hospitalidade ecumênica!

O acordo entre o Brasil e a Santa Sé, assinado no dia 13 de novembro de 2008, pelo presidente do Brasil, Luiz Inácio da Silva, e pelo Papa Bento XVI, em Roma, e ratificado em 2009 pelo Congresso Nacional, plenamente dentro dos princípios da Constituição brasileira, garante à Igreja Católica, no artigo 8, o direito de assistência espiritual a seus fieis internados em estabelecimentos de saúde, assistência social, educação e em penitenciárias. Pelo art. 7, proporciona proteção aos lugares de culto, assegurando que não demolirá nem ocupará edifício, dependência ou objeto de culto católico. No art. 14, empenha-se pela destinação de espaços físicos para fins religiosos. Este acordo agora foi desrespeitado!

Não se trata de privilégios para a Igreja, mas de um reconhecimento da obra benemérita que realiza em prol dos cidadãos. Sabe-se que a religião constitui fator fundamental de uma boa convivência humana, de saúde e de bem-estar social. O que se concede à Igreja Católica, pelo acordo, não redunda em prejuízo para as demais confissões religiosas. Não se pretende fazer prosélitos, mas atender adequadamente aos próprios fiéis, que são cidadãos brasileiros.

O que mais dói no caso do Hospital de Clínicas não é o desrespeito para com a Igreja Católica, nem a exclusão das imagens, mas a expulsão de Cristo, presente no sacrário, do seu recinto. Isto não pode deixar ninguém insensível!

COMENTÁRIOS
Erick Fishuk - 01/07/2010 - 09h46
Olá! Achei esta notícia ao pesquisar sobre o final da contenda e após pensar um pouco sobre o assunto. Realmente acho inútil tirar a capela católica em prol de um espaço de "espiritualidade laica" (conceito estranho) não demandado nem mesmo por pacientes de outras religiões. Estes, aliás, aparentemente não se sentiam incomodados com a presença dos trabalhos católicos, mas apenas indiferentes. Entretanto, o uso do nome "Nova Era" nesse contexto demonstra tanto desconhecimento da Nova Era quanto da filosofia ateia e de alguns secularistas que dão importância demais a símbolos religiosos. Aliás, mais importância do que a devida à QUALIDADE DO ATENDIMENTO HOSPITALAR, essa, sim, questão mais premente. Sobre o acordo Brasil-Vaticano, em particular, parece-me, sim, uma forma de privilégio à religião católica, quando o Estado, laico não deveria subvencionar NENHUMA religião. Quem busca serviços espirituais católicos, procure as paróquias, os padres etc., e não exija isso do Estado. E sim, temos uma cultura essencialmente católica, mas com a pluralidade de crenças que temos hoje, não dá mais para associar automaticamente catolicismo e brasilidade: o pentecostalismo, por exemplo, cresce a um ritmo assustador e constitui um perigo maior à laicidade do Estado. Abraços e paz!


Paulo Orth -
01/07/2010 - 10h33
Stalin fez isso e Hitler também. Eram ateus. Um comunista e outro nacionalista. E nossa igreja católica está cheia de comunistas enrustidos. Inclusive padres e bispos. Daí chega um governo ateu e atoa e faz isso. Um desrespeito a Cristo Jesus e aúnica Igreja por ele fundada. Paulo


Marcelo Mito -
04/07/2010 - 12h00
Concordo inteiramente com nosso arcebispo. Infelizmente, em nome de uma laicidade, certos setores da sociedade se perdem em seu próprio discurso. Evocam uma liberdade religiosa agindo sob a égide de um autoritarismo. Vejo algo de semelhante entre este caso e a questão do cruxifixo na Itália que está sob julgamento na União Européia. Nossa cultura, nossa história que foi e é altamente marcada pelo cristianismo não pode ser apagada, simplesmente por que é impossível. Devemos respeitar todas as manifestações religiosas, inclusive a católica. Devemos evocar sim, o bom senso da Direção do Hospital de Clínicas, para que dê lugar a liberdade e não ao autoritarismo que exclui e destrói.


Edgar Alonso Petry -
05/07/2010 - 12h59
A Constituição Pátria assegura liberdade de culto para todos os brasileiros. Nada mais justo que criar um espaço, no hospital de Clinicas, para que as pessoas de todas as religiões possam cultivar a sua religião. Além disso, a Constituição Federal de 1988 está acima de qualquer tratado que o Brasil celebre com outro país ou instituição internacional. Por fim, o Hospital de Clinicas não vai destruir o espaço católico, e sim, apenas criar um espaço para que outras pessoas possam exercer as suas religiões .

DEIXE SEU COMENTÁRIO CORRIGIR ENVIAR imprimir IMPRIMIR
COLUNAS ANTERIORES
Tempo de celebração e reflexão
A Igreja está celebrando os 50 anos da abertura do Concílio Ecumênico Vaticano II
O novo arcebispo de Porto Alegre
Na Voz do Pastor da semana passada, procurei olhar para trás, destacando alguns marcos do caminho percorrido
A Arquidiocese de Porto Alegre
Em 1848, três anos após o término da Revolução Farroupilha, Porto Alegre foi elevada à categoria de diocese, desmembrada do Rio de Janeiro
Democracia e teocracia
Distinguem-se fundamentalmente dois sistemas de governo: um a partir do povo, com o nome de democracia; e outro a partir de Deus, chamado teocracia

 EDIÇÃO IMPRESSA

Clique aqui
para ler a edição
do dia e as edições
dos últimos
5 anos do JC.


 
para folhear | modo texto