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ambiente Notícia da edição impressa de 08/06/2010

Cortez quer debater conceito de desenvolvimento
Para cientista social, crise ambiental é resultado do sistema fordista

Maurício Macedo

Ana Paula Aprato/JC
Cortez prega disseminação de informações para mudar a sociedade.
Cortez prega disseminação de informações para mudar a sociedade.

"As pessoas não podem ser responsabilizadas pelo que elas não conhecem." Com essa frase, o cientista social Henrique Cortez introduziu a palestra Crise Ambiental ou Civilizacional. Na visão dele, é preciso aprofundar o debate sobre o modelo de desenvolvimento que queremos para preservar a vida na Terra. "Nunca tivemos tantos meio de informação na História da Humanidade. Ao mesmo tempo, nunca tivemos tanta desinformação", afirma.

A palestra de Cortez marcou a abertura da 1ª Semana Interinstitucional do Meio Ambiente, evento promovido em conjunto por órgãos do Poder Judiciário e pelo Ministério Público gaúcho para discutir a situação do planeta e as formas de atingirmos a tão sonhada sustentabilidade. O palestrante coordena o portal Ecodebate(www.ecodebate.com.br), um dos mais visitados da área na internet. Além disso, atua como subeditor da revista Cidadania e Meio Ambiente, publicação bimestral com tiragem de 30 mil exemplares.

"Vivemos uma época de crises. Crise ambiental, financeira, de alimentos. O que pouca gente percebe é que elas estão associadas e fazem parte desse processo capitalista fordista, que começou com o sistema de produção introduzido por Ford (Henry, criador da fábrica de automóveis que leva seu sobrenome e criador do sistema de ‘montagem em série')", explica.

Cortez destaca que a base desse modelo é a produção plena para o consumo pleno. "A ideia seria fantástica se vivêssemos em um planeta de recursos ilimitados. Só que a conta não fecha."

Além disso, ele argumenta que, para manter a roda girando, quando o consumo não cresce o esperado, é preciso que haja o desperdício. "Tudo o que é produzido atualmente é feito para ficar obsoleto o mais rápido possível. Por isso geramos tanto lixo", constata.

O maior exemplo de desperdício no mundo, segundo ele, são os Estados Unidos. "A lógica dos EUA é que move o modelo. No entanto, são 258 milhões de pessoas que consomem como se fossem 500 milhões". "Seriam necessários 4,5 planetas para dar conta desse tipo de consumo norte-americano", acrescenta.

Entre os pontos de "desinformação" que circulam na sociedade, Cortez cita um que classifica como mito: "Falam que tem gente demais na Terra e que, por isso, temos que produzir mais para alimentar a todos. A produção atual seria capaz de garantir a alimentação de nove bilhões de pessoas, que é a população estimada para 2050. Entretanto, hoje temos um bilhão passando fome. E por que isso acontece?", questiona, para depois ele mesmo responder. "Porque o modelo cria uma espécie de apartheid social, onde uma parcela da humanidade tem que ser excluída para garantir o consumo e o desperdício proporcionado pela maioria."

Mas então como mudar esta realidade, quer saber a reportagem do Jornal do Comércio? Cortez exalta as ações pontuais que vêm sendo promovidas por grupos de pessoas e entidades. E aponta um caminho simples. "É um novo modelo dos 3 Rs: respeito a si próprio, respeito pelo outro e responsabilidade pelo que se faz. Isso poderá levar a humanidade a um sistema sustentável", conclui.

A 1ª Semana Interinstitucional do Meio Ambiente prossegue até sexta-feira com uma extensa programação. Mais informações podem ser obtidas na internet, através do site do Tribunal de Justiça: www.tjrs.jus.br.

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