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CRESCIMENTO 22/05/2010 - 16h18min

Previsões para o PIB do ano remetem à época do milagre

Agência Estado

O forte crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no primeiro trimestre deste ano, que o indicador de atividade econômica do Banco Central (IBC-BR) mostrou que ficou próximo de 10%, traz à memória dos brasileiros o período do chamado milagre econômico, vivenciado pelo País no fim da década de 60 e início dos anos 70.

Mas os analistas econômicos consideram que o desempenho “milagroso” desse início do ano não vai perdurar, já que, além de ter sido influenciado pela base deprimida do primeiro trimestre de 2009, a economia brasileira não tem condições estruturais de manter um ritmo desses sem causar inflação e problemas nas contas externas. O período do milagre econômico brasileiro teve início no ano de 1967 e durou até 1973, ajudou a sustentar a ditadura militar e foi interrompido pelo primeiro choque do petróleo. O crescimento médio do País nesse período ficou na casa de 11%, com pico de 13 97% no ano de 1973, embora também tenha havido aumento da concentração de renda.

Segundo o professor de Economia da Universidade de São Paulo, Fabio Kanczuk, o milagre econômico brasileiro ocorreu em um contexto bem diferente do atual. Naquela época, o Brasil era um País muito pobre e o mundo estava tranquilo para financiar os pesados investimentos que começaram a ser realizados na área de infraestrutura. Para ele, os investimentos em infraestrutura no milagre representavam de 7% a 8% do PIB, enquanto hoje ficam entre 2% e 3%.

Outro aspecto salientado é que naquela época a carga tributária do Brasil era bem mais baixa, oscilando na casa dos 20% do PIB. Enquanto atualmente gira próxima dos 35% do PIB. “No milagre, o governo tirava pouco do setor privado e devolvia muito em investimento em infraestrutura. Muito diferente do que ocorre agora, em que a carga tributária é elevada e ainda há pouca devolução para o setor privado.”

COMENTÁRIOS
Eng. Pedro P. Kudlinski (MBA) - 22/05/2010 - 20h12
O milagre brasileiro ocorreu, especialmente no período de 1966 a 1980 ou 15 (quinze) anos de contínuos e, portanto, autossustentáveis e inigualados crescimentos do PIB Real com um máximo de 13,97% em 1973 e um mínimo 4,93% em 1977. Para que os presentes crescimentos da brasileira economia chegassem ao período do milagre teríamos que atingir um máximo no PIB Real de 21,7% - correspondentes a 13,97% - e um mínimo 6,7% - correspondentes a 4,93% Isso porque, em 2006/2007 mudaram, convenientemente, a metodologia de cálculo do PIB brasileiro. Para que se tenha a magnitude do brutal incremento ? só no papel ou na mudança de metodologia de cálculo ? em 2006 o PIB teve um crescimento de medíocres 2,9%. Pela nova metodologia de cálculo, de medíocres 2,9% atingimos ? no papel ? razoáveis, embora falsos, 4,5% no mesmo ano de 2006. Então, apliquem um regra de três e concluam pela verdade. Acrescente-se que, por coincidência ou pura lógica, tamanhos crescimentos ocorreram em razão das profundas e inusitadas reformas no sistema financeiro brasileiro implantadas em 1964 e que perduraram até 1979. Desde então são mais de três décadas perdidas. Eng. Pedro P. Kudlinski www.insiter.adm.br

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