Diante da crise - Materiais para uma política de civilização, do filósofo, escritor e ex-ministro da Educação da França Luc Ferry, é um relatório de 115 páginas elaborado a partir dos trabalhos e textos do Conselho de Análise da Sociedade (CAS), convocado pelo governo francês para pensar a sociedade e esclarecer as escolhas e as decisões do governo no tocante aos efeitos sociais. O conselho é composto de universitários, artistas, cientistas e representantes da sociedade civil e publica uma coleção de ensaios - Pensar a Sociedade - cujos textos analisam questões que se tornaram focos de debates. São textos simples, acessíveis e destinados a todos. Luc Ferry, autor do clássico A Nova Ordem Ecológica e de outros 14 livros traduzidos no mundo inteiro, é o presidente do conselho e elaborou Diante da crise partindo de uma intervenção de Patrick Artus, que referiu com brilho que a atual crise não é uma crise financeira, mas sim uma crise econômica, o que torna a coisa ainda mais grave. Para Ferry, a tese de economias separadas, boas e más, séria e cassino, está superada pelo fato de que o descontrole da crise dos subprimes foi originado por questões de economia real e não pela atitude de alguns financistas cupidos e loucos. Ferry relata sobre a primeira globalização, que teria iniciado com a revolução científica e que culminou no Iluminismo, permitindo à ciência moderna levar o mundo ao desenvolvimento e ao progresso. Na segunda globalização, a do século XX, houve mudança dos rumos da busca da felicidade, do progresso e do desenvolvimento social. Mercados financeiros e tecnologias de comunicação determinaram uma competição mais acirrada, cada vez mais desprovida de sentido e direção. Mercantilização do mundo, irrelevância da política, impotência de ideologias, fim dos valores, consumo desvairado e outras questões são abordadas, na tentativa de conseguirmos recuperar valores humanos que ficaram para trás. Difel, 128 páginas, tradução de Karina Jannini, mdireto@record.com.br.
E PALAVRAS...
Tom cobriu o Brasil
Muita gente descobriu o Brasil, desde antes dos índios, do seu Cabral e muitos ainda descobrem, pública ou anonimamente, no dia-a-dia destes vários Brasis e inúmeros brasileiros. O Brasil é de todos, de todos os tempos e lugares e é território dos infinitos sonhos, fantasias e imaginações de nós todos. Nós somos os donos do campinho brasileiro. Todos nós. Antônio Carlos Brasileiro de Almeida Jobim, Tom Jobim, não tinha brasileiro só no nome. Tinha na alma, na genialidade, na bonomia, no talento que se ouve em quase todas as esquinas do mundo, ao som de algum cantor, violonista, saxofonista, gaiteiro, bandonionista ou mesmo apenas na voz ou no assovio de alguém. Tom não precisou sapatear no túmulo de ninguém nem virar flor de cemitério para criar e encantar o mundo com suas canções. Ao contrário, ele estudou música erudita e popular, nacional e estrangeira, reverenciou Pixinguinha, Cole Porter, Gershwin e tantos outros e, à sua maneira, e com companheiros do porte de João Gilberto e Vinicius de Moraes, mostrou ao mundo nossa inteligência e sensibilidade cidadã e musical. Ninguém cria do nada e é preciso unir passado, presente, futuro, tradição e novidade para ir adiante. Isso em todos os campos, especialmente na política, arte milenar e infinita. É bom lembrar que a arte é longa e a vida é curta. É bom lembrar que estamos de passagem, que pessoas vão e países e instituições ficam. Faz tempo, muito tempo, que algum humilde tatatataravô descobriu a roda, a energia elétrica, o telefone e outras coisas que, na real, foram sendo descobertas aos poucos, com o esforço e a criatividade de sucessivas gerações. Nada, ninguém é perfeito e acabado; e sem pelo menos um pouco de carinho e leite de mãe ninguém sobrevive. A descoberta do Brasil deve ser tarefa coletiva, democrática, diária e com base em educação, civilidade, ética e outros elementos. Tom Jobim não descobriu o Brasil, ele o cobriu de glória. Saudades do Tom, de seu exemplo, de seu sorriso e de suas frases. A vida de Tom até foi meio curta, mas sua arte é longuíssima e nos anima a pensar que falta muito ainda para o fim do caminho. A música de Tom nos anima a respeitar os que vieram antes, os que estão aí, meio maduritos, e os que estão nascendo agora. A arte de Tom inspira a reverenciar as mães, os pais, os irmãos, os filhos e os netos da Pátria, sem vaidades, disputas, egos, propagandas, palavras e atos exagerados, que ao fim e ao cabo não servem para nenhum mortal.
Lançamentos
• Geração Y - O nascimento de uma nova versão de líderes, do consultor, palestrante e expert em conflito de gerações Sidnei Oliveira, fala de jovens nascidos após 1980 e que estão aí nas empresas, ONGs, clubes e, em breve, em países, assumindo os comandos. Integrare, 152 páginas, www.integrareeditora.com.br.
• Deus no Divã - confissões do demônio sobre as peripécias de dois fiéis antagonistas, da dramaturga, teatróloga e produtora cultural Taty Ades, narra sobre Diabo, Deus, Bem, Mal e outras eternidades. A obra faz parte da coleção Novos Talentos da Literatura Brasileira. Novo Século, 144 páginas, www.novoseculo.com.br.
• A potência de existir, do professor e escritor francês Michel Onfray, apresenta um manifesto filosófico hedonista, na linha de Nietzsche e outros pensadores libertinos. Onfray fala de sua adolescência e no internato de padres onde esteve e onde começou a ser hedonista. WMFMartins Fontes, 148 páginas, www.wmfmartinsfontes.com.br.
• Administração Espiritual do Tempo, do monge Ansel Grün e do consultor empresarial Friedrich Assländer, desafia a lidar com o tempo de modo novo, diverso, de forma mais simples. Vários exercícios e dicas são apresentados. Vozes, 260 páginas, telefone 3226-3911.
E VERSOS
li o livro,
vi o vidro,
minha sola absorveu o chão.
fui o que deseja
(o que quer que seja).
agora sou o mundo
que me inunda só.
minha sola absolveu o solo
Arnaldo Antunes, em n.d.a, Iluminuras,
www.iluminuras.com.br