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Teatro Antônio Hohlfeldt
a_hohlfeldt@yahoo.com.br

Teatro

Coluna publicada em 27/04/2010

Encontro com a tradição celta

A civilização celta tem origem em torno de dois mil anos antes de Cristo. Origina-se no Oeste europeu mas se espalha, ao longo dos séculos seguintes, chegando até a atual Inglaterra. Daí os resquícios que encontramos nos mitos do Santo Graal e na Távola Redonda, por exemplo, ou nos gigantescos e enigmáticos monumentos presentes em todo o território anglo-saxão. A cultura celta desaparece muito rapidamente, em torno do século I antes de Cristo, submetida pelos romanos.

Mas os traços e as referências remanescentes permanecem ainda hoje, ampliadas ou modificadas, como as crenças nos druidas, seus antigos sacerdotes, a música ritmicamente marcada - e que chegou aos Estados Unidos através dos pioneiros da conquista do Oeste, sendo massificada nos movimentados e quase sempre violentos bailes entre caubóis que o cinema registrou. Em Portugal e Espanha encontram-se ainda fortes traços remanescentes dos celtas, sendo que hoje em dia cresce o interesse por aquela cultura, ainda que bastante modificada.

Isso tudo justifica o interesse provocado, no domingo passado, pela apresentação do Celtic Legends, grupo de 17 figuras, entre cinco músicos e bailarinos (5 homens e 7 mulheres), no Teatro do Sesi, trazido pela Branco Produções, que entra em seu 16º ano de atividades em Porto Alegre.

O espetáculo dura cerca de duas horas, com intervalo de dez minutos. Música e dança o compõem, desde música instrumental a solos, passando por conjuntos coreográficos marcados pelo sapateado (logo lembrei o genial Gene Kelly).

Bem pensado, com um bom equipamento de iluminação e efeitos de gelo seco, música alegre e figurinos cuidadosamente desdobrados para brilharem aos olhos dos espectadores, Celtic legends é um espetáculo de projeção folclórica que encanta e envolve. Que tenha raízes legitimamente folclóricas é indubitável: basta ver os estribilhos das canções. Há, ainda, a presença de instrumentos originais, como uileann, que é soprado, ao mesmo tempo em que o intérprete aperta os alforjes que contêm ar e que fazem com que o som ressoe, o que não é fácil. O conjunto, formado por flauta, violino, acordeão e guitarra, além do instrumento tradicional, faz um bom conjunto e permite variações múltiplas habilmente exploradas no espetáculo, como violino e acordeão; uileann e flauta; violino e guitarra etc.

Quanto aos bailarinos, todos jovens, apresentam coreografia relativamente repetitiva: o sapateado é a marca dos intérpretes, que mantêm corpos descansados e eretos, braços dirigidos para o chão, de modo a facilitar o equilíbrio, mãos relativamente fechadas, voltadas para dentro do corpo ou viradas para fora. A rapidez e a precisão são a marca do conjunto. Não se observou um único descompasso entre eles, e isso que o ritmo, por vezes, é verdadeiramente alucinado.

O público foi curioso, mas também participativo. Para isso, valeu a iniciativa do apresentador, em conseguir dizer algumas frases em português, o que alcançou a simpatia da plateia. O grupo promete voltar no próximo ano, e eu sugeriria que as coreografias de Ger Hayes e da diretora Liz Knowles fossem menos hollywoodianas e se voltassem mais para o aspecto original de instrumentos e danças, tal como se viu num momento solo da violinista, ela mesma Liz Knowles, e que encantou a todos. Mais subjetivo, mais intimista, certamente o espetáculo, ao alternar dois momentos diferentes de expressão, poderá render mais e agradar a um público mais vasto, escapando da repetição que, se não chega a cansar, numa segunda visita tornar-se-á, por certo, enfadonho.

No mais, foi uma bela noitada, de encontro com uma cultura literalmente milenar e que mostra que, com um pouco de sensibilidade e inventividade, pode ser ampliada e interessar a plateias muito distantes tanto no tempo quanto no espaço em relação ao contexto em que foi criada.  

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